Investimento global de operadoras em infraestrutura de rede deve desacelerar em 2012


As operadoras de telecomunicações devem reduzir seus gastos com infraestrutura de redes em todo o mundo este ano após a onda frenética de investimentos dos últimos anos para atender à demanda por dados, o que prejudicará os fabricantes de equipamentos que só agora começavam a se recuperar de intensas guerras de preço e da mais recente desaceleração econômica. Analistas entrevistados pela agência de notícias Reuters afirmam que o nível de investimento das operadoras em rede deve permanecer estagnado em 2012, enquanto as redes móveis devem registrar uma “queda expressiva”.

No Brasil, no entanto, o cenário é mais positivo, conforme reportagem do Tele.Sintese Análise desta semana. Aqui, as apostas dos analistas são de que não há nada que indique risco de redução dos investimentos. Primeiro, porque todas as operadoras — à exceção da Oi, que deve investir mais porque represou os investimentos em anos anteriores — programaram investimentos mais ou menos equivalentes aos do ano anterior. “Não há uma explosão”, pondera um analista de mercado. Em segundo lugar, porque as operadoras se encontram em uma situação confortável em termos de endividamento. “TIM e Vivo registram uma relação de 0,3 a 0,4 vezes na divisão da dívida líquida pelo Ebtida; e o índice da Oi, que apresenta a maior relação, não passa de 1,8”, observa a mesma fonte.

O diretor de consultoria da PromonLogicalis, Luís Minoru, é da mesma opinião. Ele lembra que, apesar da instabilidade econômica mundial, os planos para o Brasil continuam fortes, até pela demanda do mercado interno. Minoru, no entanto, alerta para um risco: “Ao contrário de se imaginar que neste momento o mercado brasileiro mais estável vai receber mais investimento, é preciso considerar que há também uma pressão muito forte para que essas empresas paguem dividendos aos acionistas para que suas ações não caiam muito, o que impactar nos investimentos”, diz. No entanto, ele ressalta que até o momento não viu nenhum movimento das operadoras nesse sentido.

Cenário internacional

As operadoras europeias provavelmente exercerão mais cautela porque uma recessão está próxima e os consumidores estão menos dispostos a gastar com smartphones caros, enquanto as da China e dos Estados Unidos reduziram seu ritmo frenético de investimentos em telefonia móvel. “O setor de equipamentos para redes móveis está muito fraco e continuará assim ao longo do primeiro semestre”, disse à agência Reuters o presidente da consultoria EJL Wireless, Earl Lum.

“Embora mantemos nossa previsão de que o uso de capacidade de redes móveis permanecerá alto, o que irá gerar um crescimento a longo prazo sobre as receitas das operadoras, é improvável que haja uma possível recuperação nos investimentos no setor antes de 2013”, afirmou, em nota, o banco de investimentos Credit Suisse, que espera ver uma alta de apenas 1% nos investimentos em redes móveis em 2012, ante crescimento de 10% registrado em 2011.

Segundo a Reuters, a mudança exercerá pressão sobre fabricantes problemáticas de médio porte como Alcatel-Lucent e Nokia Siemens Networks, mais vulneráveis que a líder de mercado Ericsson ou a rival chinesa Huawei. Algumas fabricantes menores, como Juniper Networks e Acme Packet, já divulgaram alertas quanto a quedas de lucro nas últimas semanas, atribuindo os problemas aos cortes nos gastos das grandes operadoras norte-americanas como Verizon Communications e AT&T. Já a Alcatel-Lucent teve de rebaixar suas metas de margem de lucro e fluxo de caixa para 2011, enquanto a Nokia Siemens Networks anunciou demissões em massa e uma reestruturação.

Por trás dos alertas está uma desaceleração econômica iniciada no segundo semestre do ano passado que já começou a pesar sobre as ações da fabricante de equipamentos de telecomunicações. “Em momentos de dificuldade econômica, as operadoras de telecomunicações escolhem entre buscar crescimento e proteger o fluxo de caixa, e em geral ajustam os gastos de capital a fim de manter o fluxo de caixa”, disse Cedric Pointier, gerente de portfólio na Natixis Asset Management, que detém ações da Alcatel-Lucent, Nokia e Ericsson em seus fundos. (Da redação, com agências internacionais)

Anterior Nextel investiu R$ 4 mi em instituto de formação de jovens
Próximos Camex reduz imposto para importar equipamentos de proteção a redes