Para quem assinou o cheque de quase R$ 10 bilhões (R$ 5,85 bilhões para o governo e quase R$ 4 bi para fazer a transição para a TV digital), as operadoras de celular não querem ser tratadas como coadjuvantes nessa rediscussão que foi apresentada pelo setor de radiodifusão e já incorporada pelo governo federal, de que deve ser  elaborado um novo cronograma para a transição do desligamento dos sinais analógicos de TV para o digita. Estão dispostas a contribuir para discussão. “Para nós, o quanto antes usarmos a frequência, é melhor, pois todos sabem que o consumo de dados continua explosivo, mas as mudanças não podem ser boas para um lado só”, afirma o executivo de uma das operadoras de celular.

Outro executivo assinala que, qualquer que seja o debate, o modelo de negócios feito pelas empresas quando  pagaram  o preço estipulado levou em consideração os prazos definidos pelo governo: em 2018 o desligamento estaria concluído e, no máximo, em dezembro de 2019 as operadoras estariam usando o espectro em sua plenitude. “Esta plano de negócios não pode mudar”, assinala a fonte, se nã,o no fundo vai parecer que a Oi, que não foi para o leilão, e que estava certa”, completa.

Antonio Carlos Martelleto, presidente da EAD (a empresa criada pelas teles para conduzir o processo de transição da TV) afirma que, como presidente desta empresa não pode se manifestar sobre mudanças de cronograma, pois a ele cabe cumprir as decisões tomadas, mas entende que poderá ser uma atitude saudável rediscutir o processo de desligamento. Entre os temas que considera importantes ver rediscutidos estão os próprios critérios da pesquisa de aferição, pois, ao descartar as casas que têm TV por assinatura, a pesquisa acabou se tornando muito restritiva. Além disso, questiona o índice de 93% de disponibilidade para o desligamento, não adotado por qualquer outro país no mundo, diz.

Convivência

Para a convivência dos canais analógicos de TV com a LTE em frequências mais baixas, conforme propõem os radiodifusores, Martelleto acredita que é possível fazer os testes para confirmar se ela pode existir, mas observa que deve haver algum instrumento que assegure que se um canal analógico interferir nos serviços de banda larga,  terá que tomar as providências para acabar com essa interferência, inclusive o de ser desligado.

Rio Verde

O executivo defende também  que o processo em Rio Verde não seja descontinuado, como já começam a defender alguns interlocutores, em respeito aos moradores da cidade. “Em respeito à população da cidade e ao governo local, que têm se mobilizado para o desligamento, seria muito ruim se o teste piloto não ocorresse” afirmou. Para Maratelleto, o recuo neste momento poderia até tirar a credibilidade do processo. Para motivar ainda mais os habitantes quer que as telas das TVs analógicas fiquem com as telas pretas, durante algumas partes dos dias, conforme já foi apresentada a proposta. “Foi assim em todos os lugares do mundo”, ressaltou.