Operadoras contratam um terço dos profissionais da “economia digital”, aponta pesquisa


Para Raúl Katz, professor da Universidade Columbia e autor da pesquisa, é preciso criar um mercado digital latino-americano único que permita tirar proveito de ativos como nossa criatividade e a capacidade de empreender

Uma rede de distintos e interligados atores econômicos que, entre 2005 e 2013, foi responsável pela criação de 900 mil empregos por ano, dos quais, 300 mil foram criados pelas operadoras, e gerou receitas de US$ 195 bilhões na América Latina – o equivalente 4,3% do crescimento acumulado do PIB. Essa é a dimensão do impacto do setor de telecomunicações e de serviços baseados na internet na região, segundo o estudo “O Ecossistema e a Economia Digital na América Latina”, apresentado ontem, 28, na Futurecom 2015.

Realizado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o estudo analisa como as recentes mudanças dentro do ecossistema digital da América Latina afetam o desenvolvimento e a competitividade das economias da região.

Entre 2006 e 2013, a queda nos preços de serviços e equipamentos levou a América Latina a dobrar o número de usuários da internet – hoje 47% da população é conectada. No entanto, o crescimento de serviços e aplicativos locais não ocorreu na mesma proporção. Dos 100 sites mais visitados da internet, apenas 26 são locais, e 63% do tráfego é internacional, principalmente em direção aos EUA, onde estão sediadas as principais empresas da economia digital.

Outro desafio é a disparidade entre o impacto econômico dos diferentes integrantes dessa rede. A pesquisa, elaborada pelo argentino Raúl Katz, diretor de Pesquisa de Negócios Estratégicos da Columbia Business School, mostra que provedores de conectividade (operadoras) geram praticamente dois de cada três empregos e contribuem com três vezes mais impostos – em termos percentuais – do que os outros atores do ecossistema.

A pesquisa também apresenta recomendações baseadas em oficinas realizadas na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru com mais de 180 líderes de opinião da academia e do setor governamental, empreendedores, empresas de telecomunicações e empresas over-the-top (OTTs).

Dentre essas recomendações, destaca-se a necessidade de se construir uma política industrial para o setor digital que garanta maior eficiência na alocação de recursos públicos. Segundo Raúl Katz, isso demanda uma agenda nacional estratégica, com objetivos de longo prazo, que unam governos e setor privado, focados em eliminar as lacunas digitais na região.

É necessário também acelerar a disponibilização de espectro eletromagnético às operadoras para atender ao crescimento exponencial do tráfego de dados previsto em função do aumento do número de usuários e da chegada de novas tecnologias, como a internet das coisas (IoT).

Unificação do mercado latino-americano
O estudo também defende a criação de um mercado digital latino-americano único que permita tirar proveito de nossos principais ativos – o idioma comum (com exceção do Brasil), nossa criatividade e a capacidade de empreender –, com vistas ao desenvolvimento e a um melhor futuro para todos os latino-americanos.

A pesquisa propõe a busca por um modelo produtivo baseado no empreendedorismo e na inovação, capazes de desenvolver um setor local de conteúdos, serviços e aplicativos potentes e impulsionar a colaboração público-privada para criar mais riqueza, empregos, serviços e oportunidades para a sociedade.

Além do Cepal, o estudo de Raúl Katz também teve o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Centro de Estudos de Telecomunicações da América Latina (cet.la) e da Fundación Telefônica. (Com assessoria de imprensa)

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