Operadoras avaliam: LTE em 450 MHz, só para 2015


Com a proximidade da conclusão do processo de padronização da tecnologia LTE na frequência de 450 MHz, um capítulo do debate em torno da cobertura rural do país se encerra. Os fornecedores da tecnologia a terão disponível para o final do ano. No entanto, a disposição das operadoras de utilizar a solução ainda é pequena. No caso da TIM, a única que anuncia publicamente que já se decidiu pelo LTE em 450 MHZ, as ERBs no novo padrão serão usadas pontualmente em uma abordagem de nicho. O prazo para cumprimento de cobertura rural pelas operadoras, porém, não permitirá uma seleção adequada, testes e implementação antes de 2015, tanto na avaliação da TIM quanto na da Claro. Ou seja, para a primeira onda de cobertura, as opções devem ser as frequências de 850 MHz e 2,1 GHz, utilizando o 3G.

O caminho tecnológico a ser adotado pela TIM está sacramentado. Cobrirá Paraná e Santa Catarina com a tecnologia 3G na faixa de 850 MHz. No Espírito Santo e Rio de Janeiro, onde não detém a frequência mais baixa, a opção será o 3G em 2,1GHz, complementado, a partir de 2015, com o LTE em 450 MHz. A operadora descarta, porém, o uso do CDMA em 450MHz. “A TIM acreditou no conceito do LTE em 450 MHz porque é uma das tecnologias de vanguarda e mais preparadas para o futuro, independente de em qual frequência será aplicada”, afirma Janilson Bezerra, gerente de inovação tecnológica da TIM Brasil.

A opinião não é unânime. A Claro, por exemplo, ainda não bateu o martelo e espera fechar os planos para cobertura rural até setembro, após concluídas as negociações com a Anatel. A opção conservadora seria fazer a oferta de voz e dados na faixa de 450 MHz, com tecnologia CDMA, já defasada. “Não acreditamos que a tecnologia LTE em 450 MHz esteja disponível para essas metas. Há ainda o preço do terminal”, diz a fonte. Outra opção, que envolve maior investimento e melhores serviços, é já ofertar um serviço de maior velocidade na faixa de 850 MHz com tecnologia 3G.

Para partir para a opção mais arrojada, a Claro entende que a Anatel precisaria dar alguns estímulos às operadoras, como estender a isenção fiscal definida para a 450 MHz para outras frequências, criar financiamento para fornecedores com dificuldades de caixa e, principalmente, definir o polígono de cobertura da estação radiobase flexível. “De tal forma que a operadora não seja obrigada a cobrir áreas de preservação, onde nem se pode colocar antena”, esclarece a fonte.

Se a conversa avançar nessa direção, a opção da Claro será oferecer cobertura de voz e dados pela rede móvel na frequência de 850 MHz, nas áreas de obrigação, com exceção da Bahia. Aí, onde não tem esta frequência, poderia usar o CDMA 450 MHz, a faixa de 2,1 GHz ou recorrer à infraestrutura de terceiros (TIM e Vivo operam em 850 MHz na Bahia).

Mas as diferenças em termos de cobertura não se dão apenas na escolha das frequências, mas também do tipo de produto. Para a cobertura rural, a TIM optou pela licença de STFC (voz fixa) e SCM (dados); assim como a Oi, na sua área; e a Telefônica, fora do Estado de São Paulo. Isso porque a operadora italiana vai trabalhar com o conceito de CPE: telefone fixo, cabo Ethernet e WiFi integrado. Já a Telefônica, no estado de São Paulo, e a Claro, pediram licenças de SMP (voz móvel) e SCM (dados).

Fornecedoras
Com o encerramento de 80% do processo de padronização do LTE em 450 MHz, a Huawei, relatora do processo, fechou o primeiro contrato com uma operadora russa que detém uma rede CDMA em 450 MHz. A WxBR começa agora a montar uma linha de produção, com capacidade para entregar as primeiras ERBs e CPEs no final do ano, e para fornecer milhares de equipamentos no início de 2014.

Ao contrário das operadoras, cautelosas, os fornecedores da nova tecnologia estão otimistas. De acordo com Samuel Lauretti, diretor-presidente da WxBR, as conversas com operadoras têm avançado e provavelmente no segundo semestre a empresa deve anunciar um contrato. “Sabemos que esse mercado já está acontecendo. Para as operadoras, a frequência é um ativo escasso, que não pode ser desperdiçado, especialmente na perspectiva de uso de carrier aggregation, técnica para utilizar mais de uma banda para obter mais velocidade para navegar. Acreditamos que todas [as operadoras] utilizarão a frequência”, avalia Lauretti. Ainda, alega, a banda disponível em 450MHz para cobertura rural é estreita (5MHz mais 5MHz) e, por isso, deve ser usada com a tecnologia que garanta seu melhor aproveitamento.

Para a Huawei, o fato de o 450 MHz ser uma frequência baixa a torna ideal para a cobertura rural. “A cobertura de uma radiobase em 450 MHz é 95% maior do que uma em 2,6 GHz. Isso significa que a operadora precisa de menos radiobases, o que implica um custo de implantação reduzido”, afirma José Augusto de Oliveira Neto, CTO da Huawei no Brasil. Na defesa da solução, Lauretti frisa que a empresa desenhou um modelo de negócio que permita à CPE de LTE em 450 MHz ter preço de mercado semelhante às versões para outras tecnologias e frequências.
 

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