Operadoras apostam no SVA para competir com OTTs


As operadoras de telefonia móvel brasileiras enxergam no SVA o farol para migrarem do simples fornecimento de voz e dados. Claro, Oi e Vivo apresentaram forte crescimento dessas áreas nos últimos anos, e devem continuar a investir em alternativas para concorrer com OTTs, segundo seus executivos.

De acordo com Alexandre Fernandes, diretor de produtos e serviços da Vivo, a área mais que dobrou de tamanho em receita entre 2011 e 2014. Apenas entre 2013 e o ano passado, o faturamento com SVA cresceu 43%, alcançando R$ 1,66 bilhão.

“Queremos entregar soluções além da conectividade e que faça sentido para a vida das pessoas. Os smartphones e os OTTs nos obrigam a elevar nosso nível de exigência”, diz. Atualmente, a Vivo oferece serviços de valor adicionado em consumo de música, vídeos, armazenamento em nuvem, consumo de revistas e jornais, educação e conteúdo infantil.

Na Oi, o crescimento também foi grande. A área de SVA ampliou o faturamento em 34% entre 2013 e 2014. E deve ter nova alta no trimestre, segundo Gustavo Alvim, gerente de SVA da operadora. Ele não cita os números atuais pois a empresa está em quiet period, às vésperas da divulgação dos resultados do período entre janeiro e março.

“Feature phone morreu. A projeção para 2015 é que os apps gerem receita de US$ 45 bilhões no mundo. Que sejam feitos 167 bilhões de downloads de apps gratuitos e 12,6 bilhões de downloads de apps pagos. Hoje, do tempo de uso de um smartphone, 80% é dedicado a apps”, disse, citando dados do site Statista.

Segundo ele, as operadoras precisam entrar no mercado das OTTs, com monetização com serviços e apps. “O ativo da operadora para entrar nesta briga é a distribuição. Temos a possibilidade de contibuir não apenas com o preload no handset”, observa. Além disso, ele acredita em oportunidades de billing: “Temos 40% de brasileiros não bancarizados”, cita.

Entre as apostas da companhia para o ano, ele vê mais assinaturas nos serviços de clube de aplicativos. “Hoje temos 2 milhões de clientes. O sucesso foi tanto que criamos as verticais Apps Club Kids e Games”, ressalta. A empresa também tem iniciativas em conteúdo online, m-learning e segurança. E mesmo as parcerias não estão fora do radar. “O OTT incrementa o tráfego”, resume.

Lucas Bonato, gerente de SVA da Claro, prefere não citar números. Reconhece que as operadoras ainda não concluíram sua transformação para competir com os OTTs. Mas estão no caminho. “É muito importante que a gente antecipe o novo e se estruture para atuar com agilidade. Na Claro, o conceito é ser uma Telecom 2.0”, conta.

A operadora deste tipo seria mais ágil, capaz de lançar novos produtos em semanas, e busca permanentemente inovar. “Os modelos da época do feature phone não podem ser aplicados com smartphones”, fala.

Mesmo assim, a transformação deve ser paulatina. “Por mais que o custo dos smartphones esteja mais baixo, ainda temos uma base legada de feature phones muito grande. Novos serviços já contam com mobile site e experiência mobile rica, mas não deixamos de trabalhar portal de voz e SMS para integrar a base legada”, diz.

Como as demais operadoras, a Claro também investe em serviços de valor adicionado na área de música, conteúdo feito por celebridades, vídeo, m-learning, esportes e clube de Apps. “Do ponto de vista financeiro, crescemos ano a ano. No futuro, vemos o papel da operadora como o de fomentar o mercado, inclusive de OTTs, e permitir que as boas iniciativas cresçam”, conclui.

Zero rating e acesso patrocinado
Os executivos voltaram a defender a posição das operadoras de que o zero rating e o acesso patrocinado é algo positivo para o mercado, tanto do ponto de vista das operadoras, quanto de OTTs e usuários. “É uma parceria em que todo mundo ganha. Acho que tem potencial para ser replicado, mas são poucos os casos no mundo”, falou Fernandes, da Vivo, sobre o conceito de acesso patrocinado.

Alvim, da Oi, concorda, de olho na população que ainda precisa ser incluída digitalmente. “A quantidade de gente que vem entrando pelos smartphones é muito grande. Eu vejo o zero rating como forma de propiciar a primeira experimentação do cliente. Para a massa que está entrando, é uma oportunidade”, concluiu. Os executivos participaram do evento Tela Viva Móvel, que acontece em São Paulo até amanhã (6).

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