Operadoras alertam que mercado já cobra mais caro pelo “risco regulatório”


Os principais executivos das operadoras de telecomunicações, reunidos no 56º Painel Telebrasil, afirmaram que os bancos e agências de ratings já estão cobrando mais caro para emprestar recursos ao setor, devido aos riscos regulatórios provocados pelas recentes medidas da Anatel. Segundo o presidente da Oi, Francisco Valim, “a captação dos recursos piora”. E o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, completa: “os bancos consideraram os riscos regulatórios e aumetam o valor do spread”.

 

Valente até entende que a Anatel adotou as recentes medidas de proibir a venda de celulares (a Vivo, que não foi incluída na decisão, segundo o executivo, também foi afetada) para responder a uma demanda da sociedade, mas ele espera que tenha sido uma ação pontual. “Não se pode generalizar este tipo de medida”, alertou.

O presidente da Oi, por sua vez, observou que a empresa conseguiu fugir do aumento do custo na captação de recursos este ano porque foi ao mercado no primeiro semestre, antes da intervenção da Anatel. Valim disse que a empresa precisa captar anualmente entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões e prefere não fazer previsões para 2013.

Quanto a outras medidas regulatórias prometidas pela Anatel, como uma nova redução da VU-M, a ser promovida quando do lançamento do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), Valim observou que a agência cortou esta tarifa há menos de seis meses, em uma medida que continuará nos anos de 2013 e 2014. “Não falo sobre a hipótese de novo corte”, sentenciou.

TIM

Já Mario Girasole, vice-presidente da TIM, a empresa mais afetada pela intervenção da Anatel, prefere não falar em “risco regulatório”, mas acha que a agência deve analisar o setor de maneira mais sistêmica, antes de fazer novas mudanças pontuais. “Não dá para falar se uma nova redução da VU-M é boa ou ruim, enquanto a queda no preço da EILD (banda larga no atacado) ainda não se confirmou”, reclama.

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