Operação da Receita atrasa liberação de componentes para a indústria


 

A operação Maré Vermelha, uma das medidas do pacote de defesa da indústria brasileira lançado pelo governo na segunda fase do Plano Brasil Maior, está provando atraso na liberação de componentes importados, o que já afeta várias montadoras locais de celulares, entre outros produtos. “A operação é boa no sentido de coibir importações subfaturadas ou irregulares, mas, na prática, está pegando insumos do setor eletroeletrônico. Pois o sistema não diferencia a nomenclatura de um produto pronto, ou de partes e peças importados legalmente pela indústria local, daqueles irregulares”, explica fonte do setor.

Com o aperto na fiscalização da Receita Federal, que visa inibir tanto o contrabando como a entrada de produtos acabados no país, aumentou substancialmente o índice de importações de partes e peças que caem no canal vermelho, no qual há conferência tanto das notas quanto da mercadoria. Antes da operação Maré Vermelha, iniciada dia 19 de março, a média das declarações de importação (DI) remetidas para o canal vermelho, no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), era de 50 DIs por dia. Agora, passou para 95 DIs/dia. Outro exemplo é Manaus, onde o envio para o canal vermelho das importações cuja nomenclatura inclui videogames saltou de 3% para 45%.

Outro problema, apontam fontes da indústria, é a demora no desembaraço das mercadorias. No Estado de São Paulo, onde estão instaladas — ou produzem via O&M — empresas como Apple, HP, IBM, Dell, LG, Motorola, Samsung, Sony, Sony Ericsson e Foxconn, os prazos para a liberação de insumos praticamente dobraram. No Aeroporto de Viracopos, em Campinas, o desembaraço de mercadorias passou de seis dias em média para 13 dias; em Guarulhos, aumentou de oito para 15; em Santos, de sete para dez.

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