Oi vai investir em inteligência artificial e FTTH em 2018


Pedro_Falcao_junho_2015-oi-diretor-redes

A Oi terá um ano cheio em 2018, no que depender de sua área de tecnologia. A área operacional da tele, que passa por recuperação judicial, quer manter o nível de investimento no ano que vem e, conforme o resultado da recuperação, quem sabe até aumentá-lo. Seja qual for o cenário, já foram definidos pontos estratégicos para receber aportes.

A medida número um será acelerar a transformação digital. A empresa vai se empenhar em digitalizar processos internos e, principalmente, de atendimento ao consumidor. A tele já usa aplicativos de autoatendimento com sucesso, especialmente no setor corporativo. O próximo passo, diz seu diretor de tecnologia, Pedro Falcão (foto), é ampliar o uso dos bots e da inteligência artificial, a fim de reduzir “drasticamente” a quantidade de atendentes nos call centers no médio prazo.

Para 2018, a ideia é começar a usar bots em todas as redes sociais – atualmente a operadora usa tal tecnologia no Twitter – e no atendimento digital via site da empresa. “O novo consumidor não quer falar com ninguém. Queremos usar o digital para fazer a automação das funções de atendimento”, diz o executivo.

O objetivo final é melhorar ao máximo a experiência do cliente. Falcão diz que a maior virtude da digitalização ostensiva dos negócios está em fazer o consumidor ficar mais satisfeito. Além de atender o cliente, a Oi pretende integrar seu e-commerce com o autoatendimento, facilitando a aquisição de serviços sem necessidade de negociação com um ser humano.

A essa estratégia de digitalização a operadora deu o nome de Digital 3.0. Em seu escopo completo, prevê mudanças também no relacionamento com canais, a integração de operações e sistemas, a realização de pagamentos digitais, intensificação do marketing digital e capacidade de venda e atendimento “everywhere”.

Preparação

Falcão disse, durante apresentação Fórum de Tecnologia e Inovação Oi, realizado no Rio de Janeiro*, que a companhia já preparou o terreno para as iniciativas. Este ano realizou investimentos na área de big data, adquirindo a tecnologia. Começou, também, a virtualizar funções da rede, como os CPEs (modems na casa do cliente). “A próxima etapa será virtualizar core fixo e móvel. O projeto já está em andamento”, completa Falcão.

Ele conta que já no primeiro semestre de 2018 a operadora vai aperfeiçoar seu combo Oi Total, que integra banda larga, TV e telefonia. A operadora pretende expandir a rede FTTH e, onde a tecnologia chegar, explorar o IPTV. Atualmente, o FTTH da empresa cobre 500 mil casas no país, nas cidades de Rio de Janeiro, Duque de Caxias e Belo Horizonte. A intenção é partir para novos mercados, em outros estados. Quais, porém, ele não conta.

“A Oi foi a primeira grande a fazer FTTH no país, em 2011. Mas não expandimos. Hoje, estamos construindo essa rede, mas a recuperação judicial nos impede de investir mais. E temos diferencial. Com equipe própria somos capazes de implantar nossa rede FTTH, sem recorrer a terceiros”, afirma.

Ele conta que a Oi tem, ainda, outras vantagens competitivas, como um alcance sem igual, marcada pela existência de rede em 5 mil cidades. “Temos uma capilaridade quase três vezes superior a dos concorrentes”, ressalta. Essa dispersão permitirá, diz, largar na frente na entrega de serviços de internet das coisas. “Podem falar que IoT vai usar a tecnologia móvel, mas a base de tudo será a banda larga”, afirma.

No móvel, a Oi trabalha com o que tem para garantir seu espaço no 4G. Concluiu até o começo de dezembro o refarming do espectro de 1,8 GHz em 400 cidades. A partir de 2018, vai usar essa frequência juntamente com os 2,6 GHz para a entrega de LTE-A, o 4G com agregação de portadoras. Mais que suficiente para competir com as rivais, que adquiriram em 2014 faixas de 700 MHz, conforme o executivo. E também lançar seu produto de voz sobre LTE (VoLTE) no próximo ano.

*O jornalista viajou a convite da Oi

Anterior Decisão sobre Uber em Londres ficará para abril ou junho
Próximos Correios: Cade mantém processo contra Claro, Oi e Telefônica

3 Comments

  1. Daniel Candido
    11 de dezembro de 2017

    De que adianta ter capilaridade, atuando em 5000 municípios, mas prestar um Serviço terrível (bosta) para os clientes? A Oi em termos de qualidade está muito aquém das demais ( e olha que elas nem são tão boas). Só para ter uma ideia, existem lugares onde apenas a Oi atua e eles oferecem 2 megas de internet por até mais de r$ 100: absurdo, exploração total. Isto os diretores não falam.

  2. 11 de dezembro de 2017

    Discordo com o diretor de tecnologia da Oi,quando diz que o.” novo consumidor não quer falar com ninguem” só no digital não funciona e os consumidores antigos ?acho que é mais um processo que engessa esta empresa

  3. Osvaldo
    10 de Janeiro de 2018

    Auto atendimento é o futuro, pois ninguém quer ir em fila de banco, por exemplo. As operadora de telefonia devem investir em um “Portal de Serviços” e esquecer dos famosos “protocolos”. Você solicita pelo site e é efetivado na hora e sem intervenção humana. Funciona assim em países desenvolvidos.

    Investimento de R$ 7 bilhões não será suficiente após anos de inércia. A Claro investe R$ 10 bi e a Vivo R$ 8 bi ao ano.

    As redes 5G são o futuro.

    A Oi é sempre a empresa do futuro, que estará na frente sempre e sempre acaba se enrolando e não investindo. Tem que ser vendida e não fundida já que a concentração mercado já é grande.

    A Oi nunca deveria ter comprado a BR telecom já que perdeu o foco da área inicial de atuação dela que já era deficiente. Devia ter ficado no 3G/4G. A lei proibia isso por um motivo: divisão de investimento e concentração de mercado. Culpa do governo tbm.