Oi terá mais dificuldade em vender ativos por causa da pandemia, avalia a S&P


A empresa de avaliação de risco Standard and Poor’s soltou na noite de ontem, 11, relatório sobre a Oi. No material, rebaixou a nota do crédito da operadora de B para B-. Para a S&P, a pandemia de Covid-19 trará dificuldades para a concessionária brasileira. Entre os problemas prováveis, enxerga queda nas receitas, no fluxo de caixa e dificuldade na venda de ativos.

“Esperamos que os desafios macroeconômicos impostos pela pandemia de Covid-19 prejudique a receita e a geração de fluxo de caixa da Oi, o que, associado à forte depreciação da moeda local, elevará a relação dívida sobre EBITDA acima de 7x e os fundos das operações sobre a dívida abaixo de 10x nos próximos três anos”, afirma a S&P. Esses números acionaram o gatilho de rebaixamento da nota do crédito da companhia.

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Além da redução da nota, a empresa de análise de crédito diz também que a perspectiva é negativa, uma vez que não é possível prever cenário após a pandemia, acrescentando incerteza à venda dos ativos “non-core”. A venda desses ativos faz parte do plano estratégico de turnaround da Oi, anunciado em julho de 2019. A empresa passa por recuperação judicial.

Previsão par ao Brasil em 2020

A S&P antevê uma queda no PIB brasileiro de 4,6% em 2020. Essa baixa afetará o desempenho da Oi, especialmente as vendas no pré-pago e no negócio fixo. Haverá desligamento de clientes acima do esperado e declínio também alto, na visão da consultoria, da receita média por usuário.

Com isso, a previsão é de que a Oi encerre o ano com receitas líquidas totais de R$ 19,3 bilhões, e repita o número em 2021. Antes do rebaixamento, a S&P previa crescimento de receitas, que seriam de R$ 21,5 bilhões e R$ 22 bilhões em 2020 e 2021, respectivamente.

Fluxo de caixa negativo

Para a empresa de análise, a Oi vai ser obrigada a elevar o capital de giro e, caso mantenha os investimentos em R$ 7 bilhões, pode gerar um fluxo de caixa operacional negativo nos próximos 12 meses. Pelos cálculos, em 2020 o fluxo de caixa operacional livre será negativo em R$ 4,3 bilhões neste ano, e em R$ 3,7 bilhões no próximo ano, quase o dobro do que era previsto antes da pandemia.

A consultoria afirma que as recentes vendas da Unitel, de imóveis e a emissão de debêntures deram liquidez suficiente para a operadora cumprir sua meta de investir R$ 7 bilhões neste ano. Mas destaca que a continuidade do plano estratégico depende da venda de mais ativos, como torres e datacenter em 2020, e mais prédios em 2021.

“Ressaltamos que a pandemia de Covid-19 acrescenta incerteza para o quanto essas vendas vão gerar e o tempo necessário para realizar as transações”, conclui.

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