Oi teme não ter numeração para vender celulares no Natal


A Oi entra hoje (26) com petição na Anatel, onde pede à agência a apresentação de um plano alternativo emergencial caso decida prorrogar a adoção do código 10 para usuários de telefone celular da Grande São Paulo (hoje, o prefixo da área é o 11, utilizado hoje por 35 milhões de pessoas). O novo código, pela proposta da Anatel – sua consulta pública se encerrou dia 21 de julho –, atenderá a demanda em 63 cidades e deverá estar implementado a partir de outubro.

O movimento da Oi foi provocado pelo fato de todas as suas concorrentes terem defendido a prorrogação da entrada em vigor da medida. Claro e GVT pedem mais seis meses, a Telefônica alega que não tem como preparar a sua rede antes de 12 meses, e um grupo de entidades de defesa do consumidor pede a constituição de um grupo de trabalho para estudar medidas alternativas para resolver a falta emergencial de números em São Paulo.

De acordo com Paulo Mattos, diretor da Oi, a situação é muito preocupante, pois só existem 850 mil números disponíveis em São Paulo e a previsão da Oi para o final do ano é de venda de 1,5 milhão de celulares. Ele explica que, por ser a quarta entrante em São Paulo e ter uma base menor de celulares na Grande São Paulo, ela tem menos números para administrar. E precisa da liberação de números pela Anatel, que estão acabando. “As demais celulares podem pedir a prorrogação pois estão na zona de conforto pois têm mais números para administrar, o seu churn é maior para uma base de assinantes também maior”, diz Mattos. Ele também esclarece que a engenharia da operadora está trabalhando para implementar as mudanças para atender à nova numeração tanto da rede fixa como na móvel e que não há impossibilidades técnicas como alega a Telefônica.

O plano B foi em parte traçado em várias sugestões encaminhadas na consulta pública para tirar São Paulo do sufoco da falta de números para o celular. Entre as medidas sugeridas pela Telefônica para permitir a liberação de recursos de numeração no Código 11, estão a migração dos terminais do SMP utilizados somente para comunicação de dados entre máquinas (M2M) e modems de acesso à internet, cujo tráfego se restrinja à rede do SMP, para uma série livre (série 1) ou para o próprio CN 10; a redução do período de quarentena dos códigos de acesso do SMP, hoje de 180 dias, com 4,9 milhões de recursos para 60 dias; e a liberação dos 4,4 milhões de recursos do SMP que se encontram em logística com a ativação dinâmica dos números dos telefones móveis.

Já as entidades, que temem grande prejuízo para o consumidor com a mudança em função da complexidade do uso de dois códigos, alegam que a agência não apresentou nenhum estudo técnico capaz de respaldar essa urgência, sustentando que hoje, de um potencial de 80 milhões de números na área de numeração 11, somente 25 milhões estão em uso. Elas defendem outras medidas para dar sobrevida à numeração atual. Entre as alternativas propostas estão a supressão total do período de quarentena para os recursos de numeração do SMP utilizados por máquinas/modems (números que não recebem e só geram chamada intra-rede – M2M) e a migração de todos os recursos de numeração do SMP utilizados por máquinas/modems para numeração diferenciada.

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