Oi prioriza investimentos em fibra óptica para retomar o crescimento


A Oi aposta todas as fichas na fibra óptica para voltar a crescer. Para os executivos da empresa, os aportes em fibra permitirão recobrar o mercado perdido para os ISPs na banda larga fixa residencial, oferecer produtos mais completos no B2B e tornar mais robustas as redes móveis.

Na banda larga fixa, a estratégia é centrada no FTTH, com fibra até a casa do cliente. Para tando, a tele mantém os planos de reúso de seu backhaul. A ideia, anunciada em agosto de 2018, continua a mesma: puxar a rede de acesso diretamente do backhaul em cidades onde há pouca concorrência e os dados indicam bom retorno financeiro, trazendo de volta os clientes perdidos para provedores locais.

“A fibra é o centro da nossa estratégia. Com a estrutura atual, conseguiremos lançar FTTH em 2.215 cidades. Oi tem perdido mercado para ISPs, que não oferecem a mesma qualidade do Oi Fibra. Eis aí oportunidade para recuperar clientes”, disse Carlos Brandão, durante conferência dos resultados de 2018 com analistas nesta quarta-feira, 27.

A companhia fechou 2018 com 1,2 milhão de homes passed (lares nos quais a fibra chega), depois de construir quase 600 mil HPs em apenas cinco meses, e atrair 77 mil assinantes em FTTH. Para 2019, a meta é entregar 3,6 milhões de HPs em 62 cidades, de um total potencial de 9,4 milhões de casas que precisam apenas da última milha. Não foi revelada meta de assinantes.

Capex, B2B e Celular

A Oi vai investir 14,7% a mais em 2019. Serão R$ 7 bilhões, a maior parte destinados a construir os acessos em FTTH, puxar a fibra para empresas e antenas de telfonia móvel. Com o investimento mais alto, Brandão acredita em aumento da receita e reversão da perda de clientes residenciais. Segundo ele, a receita média do cliente FTTH é 30% maior que a do cliente tradicional, que usa o cobre.

A rede móvel também ficará melhor, diz a empresa, com os aportes em fibra. O plano é preparar a infraestrutura para a chegada da 5G, conectando sites com fibra. Inicialmente, as antenas vão entregar 4G. Para isso, a Oi está realizando o refarming (redestinação) da frequência de 1,8 GHz, antes usada apenas no 2G, para o LTE.

A meta é terminar o ano com 4,55 mil sites em LTE, um aumento de 100%. Com isso, chegará ao fim de 2019 com 4G em 485 cidades. A empresa prepara ainda o refarm do espectro de 2,1 GHz usado no 3G, para o 4G também, mas não divulgou expectativas.

A fibra acabará beneficiando ainda o segmento B2B da operadora, diagnostica Brandão. A área encolheu 8% em 2019, na comparação ano a ano, e faturou R$ 1,43 bilhão. Com a expansão da rede de fibra e preparação da rede móvel para operar o 5G, a tele espera recuperação das vendas no atacado e de produtos não regulados, baseado em dados.

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