Oi: não há mais tempo para o jogo do faz de conta


shutterstock_Peshkova_Consumidor_Economia_Concorrencia_Competicao_DisputaPara encontrar uma saída para a crise da Oi, não basta o governo chegar internamente a um consenso sobre como tratar a dívida da operadora com a Anatel e com os bancos públicos no âmbito da recuperação judicial. A advogada geral da União, ministra Grace Mendonça, já se declarou otimista em fechar um acordo até a nova data da Assembleia Geral dos Credores, marcada para 7 de dezembro depois de três adiamentos. O que parece mais difícil é aproximar a proposta dos acionistas, que querem a todo custo evitar a diluição de sua participação no capital da empresa, da proposta dos principais credores que, por sua vez, querem ficar com 85% da empresa.

Como ambos os lados jogam pesado, em nome dos seus interesses próprios que pesam muito mais do que a preservação da saúde financeira da empresa, quem acompanha a saga da Oi, desde que entrou com o pedido de recuperação judicial, está convencido de que não há alternativa possível de proposta que afine os interesses na AGC, a não ser que o governo decida deixar de representar e passe a jogar o jogo definitivo. “As ameaças da Anatel de que pode intervir na concessionária não assustam os lobos”, comenta um observador.

Para outro, as próximas três semanas serão cruciais para o futuro da Oi. Se o governo não costurar um acordo equilibrado entre os principais credores e os acionistas, e garantir a entrada de dinheiro novo, com um patamar mínimo de investimento de R$ 7 bilhões/ano, na avaliação da diretoria da empresa, e de R$ 10 bilhões/ano, pelos cálculos de conselheiros da Anatel, o ritmo de deterioração da empresa vai se acelerar. A melhoria de desempenho operacional conseguida pela atual diretoria no último ano e meio não vai passar de um suspiro. “Vamos ver a empresa ser retalhada e vendida aos pedaços. Até desaparecer”, sentencia um observador do mercado de telecom que, cético, já não vê mais saída para a crise.

Mas os que ainda apostam suas fichas numa solução negociada dizem que a única autoridade dentro do governo capaz de colocar as partes em conflito em torno de uma mesa e forçar um acordo é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ou um de seus representantes. “A Fazenda teria autoridade para conduzir esse negociação”, acredita a fonte.

O trabalho que vem sendo feito pela ministra Grace Mendonça, encarregada pelo governo de coordenar as ações da administração envolvendo a Oi e a recuperação judicial, está de fato apontando para uma solução de como tratar a dívida da operadora com Anatel e bancos públicos. No caso da dívida com a Anatel, de R$ 11 bilhões sem correção, ela vai ser paga em 20 anos, com 20% de entrada. Os pontos pendentes, em discussão e que caminham para uma solução pacificada, é se os depósitos feitos pela operadora na Anatel poderão ser deduzidos da entrada e como será o fator de correção: pela MP a correção seria pela Selic, mas a operadora reivindica que seja pelo IPCA.

Embora a China Telecom, interessada em investir na Oi entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, tenha apresentado ao governo brasileiro exigência de prazo de carência para começar a pagar as multas da Anatel, fontes que acompanham as negociações informam que prazo de carência não faz parte das pendências relativas às multas. “Isso já está resolvido”, assegura um interlocutor.

A jurisdição da AGU também passa por credores e acionistas. Mas como este é um mundo distante do universo da ministra Grace Mendonça, a aposta é de que a solução com credores e acionistas, se tiver que vir, virá pelas mãos de negociadores da Fazenda.

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5 Comments

  1. 21 de novembro de 2017

    Muito bom o artigo. A história da Oi é lastimável. Mas como o governo deseja evitar o apagão ou melhor o caladão, acho difícil a Oi ir a falência. Vamos acreditar que seja tudo resolvido em paz.

  2. 21 de novembro de 2017

    Trabalho na empresa prestadora de serviço da oi no estado do Rio de janeiro na serede. E afirmo que tá uma bagunça aqui até pra nós colaboradores falta de material para trabalho desrespeito da parte da empresa para conosco. Nos somos obrigado até mentir para cliente em fim é uma falta de respeito da parte tanto da oi como da serede uma verdadeira bagunça.
    INTERVENÇÃO DO GOVERNO URGETE.

  3. marcio
    22 de novembro de 2017

    Qual o ultimo dia do prazo da recuperação judicial que a Oi tem?

  4. Joaquim Pasqualetto
    30 de novembro de 2017

    Não entendo. A Oi tem 40 milhões de clientes que pagam por seus serviços superfaturados e ainda assim está falindo? Das duas uma: ou a empresa é gerida por pessoas ineptas, ou alguém está aplicando esse dinheiro fora do Brasil e não tá nem aí se a empresa vai falir, pois vai continuar mi (ou bi) lionário do mesmo jeito.
    Me paguem 7 mil reais por mês que eu salvo essa empresa sozinho de forma competente e honesta!

    • João Carlos Nunes Vargas
      10 de dezembro de 2017

      Com certeza. A Oi era para ser a maior empresa de Telefonia do Brasil. Mas não houve a participação de expertises em Telefonia, somente investidores nacionais como fundos de pensão , investidores internacionais e empreenteiras sem nenhuma afinidade com telefonia. O que vemos foi a Oi ser suplantada pelas principais rivais como telefônica de Espanha (Vivo) e América Movilles ( Claro).