Sem acordo com bondholders, Oi publica detalhes das negociações


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A Oi comunicou ao mercado na manhã desta segunda-feira, 6, que ainda não conseguiu chegar a um acordo com dois grupos de credores, donos de notes da dívida de Oi, Oi Coop, Telemar, PTIF, nem com agências internacionais de exportação de crédito, as chamadas ECAs.

“Até a presente data, não foi alcançado nenhum acordo, com o IBC, o AHG ou os ECAs com relação aos termos da Potencial Operação. Embora as discussões entre tais partes e a Companhia possam continuar no futuro, não há como garantir que negociações continuarão ou que, caso continuem, que estas resultarão em um acordo com relação aos termos da Potencial Operação”, diz a empresa.

Também terminou hoje o prazo de confidencialidade das negociações. Com isso, a operadora começou a publicar em seu site de relações com investidores documentos contendo detalhes das propostas realizadas desde o início das conversas, em 18 de outubro.

Os donos de notes das empresas da Oi são representados pelo Comitê Internacional de Detentores de Bônus (IBC) e o Comitê do grupo de credores (AHG). O acordo de confidencialidade previa a obrigação de publicação dos documentos após determinado prazo, agora esgotado.

Entre os documentos, estão projeções de fluxo de caixa da operadora em diferentes cenários. A operadora explica que os grupos não conseguiram elaborar uma proposta que mostrasse caixa positivo da tele em 2020 e equilibrasse a distribuição de valores a todos os stakeholders – ou seja, que garantisse a todos os credores parcela semelhantes a receber após a recuperação – nem valorava a conversão de dívida em capital social.

Os grupo reformularam partes das propostas, e as entregaram em 26 de outubro. Mas a operadora ainda não apresentou contraproposta a esta fase.

Na negociação, a Oi verbalizou algumas estratégias. Como, por exemplo, a intenção de não comprar espectro na faixa de 700 MHz, trabalhando com o 4G a partir do refarming da frequência de 1,8 GHz. E que o plano de negócios da companhia “assume que o saldo de caixa mínimo exigido pela Companhia para operar no curso normal é de aproximadamente R$ 4 bilhões, mas a Companhia poderá estar apta a sustentar sua operação com o mínimo de aproximadamente R$ 2-3 bilhões de caixa, de tempos em tempos”.

A Oi passa por recuperação judicial desde junho de 2016, na qual negocia com credores uma forma de reestruturar a dívida, de cerca de R$ 65 bilhões. IBC, AHG e ECAs são os bondholders reunidos pelas assessorias financeiras Moelis, G5 Evercore e FTI Consulting, cujas propostas foram rechaçadas pela Oi na última semana.

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