Oi anuncia parcerias para alavancar seu sistema de pagamento móvel


A Oi anunciou anunciou nesta quarta-feira, dia 29, duas iniciativas de grande porte. De um lado, seu braço de cartões de crédito e de fidelidade da Oi, o sistema Oi Paggo, criará com a Cielo uma joint venture para administrar o seu negócio de pagamentos via celular. A operadora anunciou, ainda, que fechou simultaneamente um contrato de exclusividade por 20 anos com o Banco do Brasil, para oferecer à sua base de clientes Oi Paggo cartões de crédito virtuais (embarcados em seus chips de celular) do Banco do Brasil. Os novos cartões do Banco do Brasil, inicialmente, ostentarão a bandeira Elo, e poderão contar no futuro, também, com cartões de crédito espelhos, de plástico, para o uso no exterior ou em estabelecimentos que não contem com o sistema de pagamento móvel.

Novo modelo de negócios

Com as duas iniciativas, o Banco do Brasil — e sua base de clientes — passa a ser o primeiro grande cliente da joint venture da Oi com a Cielo. “Este é mais um passo do nosso projeto de transações móveis que já conta com três anos”, afirmou João Silveira, diretor de Mercado da Oi. Segundo ele, a operadora não enxerga nas duas iniciativas uma forma de obter receitas a partir do uso de sua infraestrutura. “Não se trata de ganhar dinheiro com o envio de torpedos (SMS), tecnologia na qual a nossa plataforma se baseia, mas de criar todo um novo negócio”, resumiu o executivo.

 

A proposta é ofertar ao agentes do mercado — sejam eles bancos e outros emissores de cartões, sejam eles outras operadoras móveis — uma plataforma de soluções simples e grande potencial de capilaridade, a qual procura ganhar novos consumidores, principalmente vindos das classes C, D e E. “O usuário do cartão virtual, embarcado no chip do celular, não paga anuidade, não paga pelo SMS (usado para realizar as transações). E a conta vem em uma conta separada da sua conta telefônica”, detalhou o executivo. Hoje a Cielo cobra R$ 9,90 mensais de cada lojista. A Oi cobra por seu chip R$ 35 e recebe do lojista um percentual próximo dos 3% do valor de cada transação realizada. As regras da joint venture nesse sentido ainda não estão definidas, mas não fugirão muito dos modelos atuais adotados pelos dois acionistas em suas respectivas bases de clientes.

Potencial de 11 milhões de estabelecimentos

O potencial do sistema de pagamento eletrônico via celular adotado pelos parceiros Oi, Cielo e Banco do Brasil tem como alvo 11 milhões de pequenos estabelecimentos no País que não usam os pontos de captura de transações de cartões, os POSs. “Vamos entrar nesse universo e ampliar à nossa base de clientes a cessão de crédito, principalmente entre nossos clientes de menor renda”, adiantou Silveira. O sistema mira, ainda, num segundo momento, uma variedade de profissionais liberais como taxistas, vendedores ambulantes, prestadores de serviços.

A nova empresa a ser criada entre Oi e Cielo deverá estar operacional em seis meses. Os parceiros não revelaram o investimento envolvido. Mas, segundo Eduardo Chedid, vice-presidente de Soluções e Negócios da Cielo, a sociedade (cujo nome ainda não foi definido) trabalha com a perspectiva de, a partir de 2012, conquistar um milhão de novos clientes a cada ano. A nova empresa terá capital igualmente dividido entre os dois sócios, assim como a sua administração. E usará toda a sinergia possível dos dois acionistas.

Sinergia com Cielo

Inicialmente, um dos desafios da nova empresa, será equipar os 1,8 milhão de POSs da Cielo em todo o País com o sistema hoje usado pela Oi Paggo, permitindo que o pagamento de compras possa ser realizado a partir dos celulares Oi nos POSs. E, no sentido inverso, que novos comerciantes, que hoje não se utilizam de POSs, adotem o mesmo sistema em seus celulares, de forma que seus clientes possam efetivar compras de seus celulares junto ao celular do estabelecimento.

A Oi Paggo já possui uma base de 250 mil usuários do sistema de pagamento móvel, 90% dos quais estão no Nordeste, onde seu market share é mais alto, chegando a 60% no Ceará, informou Silveira.

Estratégia para baixar o churn

Segundo o diretor da Oi, as duas parcerias serão decisivas para diminuir a migração de sua base de clientes pré-pagos para outras operadoras. “Agora, com o cartão podemos avançar em políticas de concessão de crédito, pois já temos um histórico, junto às classes C, D e E de oferecer crédito para recarga de celular. Com o tempo, poderemos compreender o comportamento histórico desses novos clientes, para que possamos oferecer, ainda, crédito em dinheiro”, afirmou o executivo.

Para o executivo, apesar de o sistema Oi Paggo já estar consolidado, as novas parcerias serão fundamentais para alavancar a adoção ao sistema. “É a velha história do Tostines: se não tem quem ofereça a facilidade do pagamento móvel, não haverá quem se proponha a pagar via celular”, resumiu. Agora, com os dois novos parceiros, a intenção é ganhar massa crítica tanto na ponta dos estabelecimentos, como na ponta dos clientes finais.

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