Oferta hostil pela Portugal Telecom


Depois de classificar como "não solicitada" a oferta de aquisição de 10,7 bilhões de euros (US$ 12,82 bilhões) feita pelo grupo Sonae, a operadora portuguesa Portugal Telecom anunciou que seu Conselho de Administração se reúne hoje, 7, para avaliar a oferta hostil de aquisição de seu controle feita ontem, 6, pelo grupo Sonae (presente no setor varejista do Brasil).

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a operadora informa que "o Sonae publicou um anúncio preliminar de oferta não solicitada de aquisição de ações da PT, com vista à obtenção de uma posição de controle da empresa".

Valor baixo

Na sua oferta, o Sonae ofereceu 9,5 euros por ação, o que, de acordo com analistas locais, fica abaixo do valor de mercado da PT, estimado em 12,5 bilhões de euros, ou seja, 11 euros por ação.

Por este motivo, há expectativa de que novas ofertas sejam feitas, inclusive pelo próprio Sonae. Ainda segundo analistas, é pouco provável que a Telefónica, que tem 10% do capital da PT e é sócia da operadora no grupo Vivo, aceite uma venda abaixo do valor de mercado da PT.

A operação, montada pelo banco espanhol Santander, abalou o mercado português, segundo comentam jornais de Lisboa. O Diário Econômico, por exemplo, “sabe que o financiamento da operação poderá passar pela venda da participação da PT no Brasil e por um aumento de capital da Sonaecom.”

Obstáculos

A oferta do grupo Sonae engloba 1,13 bilhão de ações da PT, é válida para pelo menos 50,1% das ações da operadora, e depende de uma mudança por parte dos acionistas da PT, do regimento interno que impede que um único acionista detenha mais de 10% das ações votantes, além do fim do poder de veto do governo por meio de uma golden share. O próprio grupo afirmou que a oferta também depende de aprovação dos reguladores.

De acordo com a imprensa lisboeta, se o Sonae assumir o controle da PT, se tornará o maior grupo de telecomunicações de Portugal. Especula-se, também, que o Sonae poderia assumir o controle da joint venture com a Telefónica para operar os serviços da bandeira Vivo no Brasil. O grupo assumiria, ainda, o controle dos serviços de telefonia fixa em Portugal.

Para analistas, a PT poderia recorrer à ajuda da Telefónica para não ser comprada pelo Sonae, em acordo chamado de knight white.

Nove acionistas controlam 46,2% da PT. Além da Telefónica, há o Brandes Investment Partners (8,5%), Banco Espírito Santo (8,4%) e Caixa Geral de Depósitos, o maior banco de Portugal, que detém 5,1% das ações.

Sonaecom

Criada em 1994, a Sonaecom é a sub-holding do grupo Sonae para a área das telecomunicações móveis, fixas e internet (Optimus, Novis e Clix); mídia (Público); software e sistemas de informação (Enabler, WeDo, Bizdirect e Mainroad).

No site do grupo, consta que “A aposta primordial da Sonaecom é simples e ambiciosa: a conquista da liderança no fornecimento de serviços integrados de telecomunicações em Portugal”. Na mesma página, a empresa afirma que, atualmente, a Sonaecom “é um dos mais maiores geradores de tráfego de comunicações em Portugal.”

Grupo Sonae

No terceiro trimestre de 2005 (últimos dados disponíveis), o volume de negócios consolidado cresceu 5%, alcançando 4.9 bilhões de euros. Em termos absolutos, segundo relatório do grupo, o principal responsável por este crescimento foi o negócio de distribuição, para cujo desempenho “muito contribuíram o crescimentos significativos observados nas vendas no mercado brasileiro (que se beneficiou de um crescimento acima da média do mercado e da valorização do real face ao euro)”.

Mesmo assim, em dezembro último, o grupo vendeu sua rede de supermercados no Brasil para a americana Wal-Mart, por 635 milhões de euros (US$ 760 milhões).

A Sonaecom faturou 626 milhões de euros no período.

O fluxo de caixa operacional (EBITDA) consolidado diminuiu 6%, para 624 milhões de euros. Relata o grupo que o negócio das telecomunicações explica a maior parte da variação, refletindo o aumento dos custos associados à desagregação de linhas locais, e dos custos de marketing e vendas, em conseqüência da política de migração agressiva dos clientes para a tecnologia 3G.

Juntas, PT e PT Multimédia têm uma capitalização bolsista de 12,2 bilhões de euros, enquanto Sonae e Sonaecom têm uma capitalização de 3,2 bilhões de euros. Ou seja, a Portugal Telecom é quase quatro vezes maior do que o Sonae. Com capital de 3,7 bilhões de euros, a receita operacional da PT no terceiro trimestre de 2005 foi de 1,6 bilhão de euros, e a receita líquida consolidada, de 60 milhões de euros.

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