Obrigatoriedade de inclusão do Ginga em TVs ganha adeptos


A obrigatoriedade da inclusão do meddleware Ginga na fabricação de televisores beneficiados pelos incentivos do Processo Produtivo Básico (PPB), vem sendo considerada pela indústria de software e de aplicativos como condição básica para o florescimento da interatividade da TV digital no país. O problema, levantado em artigo publicado no Tele.Síntese, é resultado do boicote das fabricantes de aparelhos, que alegam a inexistência de testes do Ginga e da adoção  de estratégia mundial para ganhos de escala, argumentos rechaçados pelos produtores de aplicativos para esse setor.

Segundo o diretor da HXD, produtora de aplicativos, Salustiano Fagundes, o governo erra em considerar a interatividade como um componente a mais do sistema de TV digital adotado. “Não é isso que diz o decreto que instituiu o padrão no Brasil. Nele, a interatividade é tão importante quanto os outros atributos do sistema, que são transmissão digital em alta definição e em definição padrão e transmissão simultânea para recepção fixa, móvel e portátil”, ressalta.

Fagundes destaca que, quando implantada, a interatividade desempenhará um papel fundamental para o governo e para a população, como ser usada para prevenção de catástrofes, educação a distância, realização de matrículas. Ele destaca que, no caso da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, por exemplo, muitas mortes poderiam ser evitadas se um sistema de alerta já estivesse funcionando pela TV. Ou que poderia desafogar os acesos aos sistemas do Ministério da Educação via internet, evitando falhas no SiSU (Sistema de Seleção Unificada), que garante vaga nas universidades públicas para os participantes do Enem.

Sobre os argumentos dos fabricantes de aparelhos de TV, que alegam falta de testes para não incluir o Ginga, Fagundes afirma que as próprias indústrias optaram por um modelo de autocertificação, que elas inclusive já aplicam para a fabricação de conversores (septop box). “Além disso, alguns fornecedores disponibilizam kits de testes do middleware para os interessados”, disse.

Conteúdo na mira dos fabricantes

Para outro representante da indústria de software, a estratégia dos fabricantes de televisores mira o fornecimento de produtos com melhor tecnologia para display, como as leds TVs e em 3D; e o modelo de negócio da Apple, de fornecer o conteúdo diretamente para o consumidor. “A inclusão do Ginga nesse ambiente acaba se tornando um elemento perturbador, uma vez que o middleware só agrega valor para os radiodifusores”, explica.

Mas as críticas não se limitam aos fabricantes. A falta de investimentos em aplicativos pelos radiodifusores é também considerada um motivo de empecilho para o pleno desenvolvimento da interatividade no país. “Se explorada de maneira inteligente, a interatividade pode atrair para TV essa geração Y, que já nasceu ligada na internet”, diz a fonte. Ela lembra que o custo do desenvolvimento de aplicativos é irrisório se comparado ao investimento necessário para a produção de uma novela. “Porém, a interatividade não está de forma muito intensa na agenda dos radiodifusores”, disse.

Já o diretor da HXD acha que o governo deve usar a TV pública como indutor de conteúdo e ainda assegurar a implantação da interatividade desde a consignação do canal, que é feito pelo Ministério das Comunicações. Por essas razões, defende que a coordenação da TV Digital seja feita de forma multissetorial, envolvendo diversos ministérios além do das Comunicações, para dar mais força e multiplicidade de ações.

PPB

Já existe um PPB (Processo Produtivo Básico) que obriga, desde o ano passado, a incorporação de conversores nos televisores LCD fabricados no Brasil com telas de 32” ou mais. Este ano, a obrigatoriedade vale pata aparelhos de TV com telas a partir de 26” e, em 2012, para todos os televisores. A ideia, já levantada pelo Ministério das Comunicações no ano passado, é incluir a obrigatoriedade para a incorporação do Ginga. Essa solicitação ainda está sob exame dos ministérios da Indústria e Comércio e da Ciência e Tecnologia.

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