O WiMAX vai substituir o acesso discado à internet


{mosimage}O lançamento da Embratel em escala nacional e o prometido edital de venda de freqüências de 3,5 GHz são duas razões que levam José Geraldo de Almeida, gerente de novos negócios da Motorola, a apostar que este é o ano do WiMAX no Brasil. E a empresa já prepara novos lançamentos, inclusive para atender de maneira mais barata o mercado residencial e de PMEs.

O lançamento da Embratel em escala nacional e o prometido edital de venda de freqüências de 3,5 GHz  são duas razões que levam José Geraldo de Almeida, gerente de novos negócios da Motorola, a apostar que este é o ano do WiMAX no Brasil. E a empresa já prepara novos lançamentos, inclusive para atender de maneira mais barata o mercado residencial e de PMEs.

Tele.Síntese – Como você vê o WiMAX no Brasil?
José Geraldo de Almeida –
Acho que este mercado acontece este ano. Houve muita confusão no passado. No final de 2006  diziam que a tecnologia  WiMAX não viria para o Brasil porque a Anatel não vendeu freqüências. Mas o fato é que há empresas com freqüências  e a Anatel vai vender mais bandas, o que vai auxiliar o desenvolvimento do mercado. Talvez o leilão saia este ano, e dizem que em abril ou maio o edital deverá ser publicado.  

Tele.Síntese – Neste cenário, há perspectivas de novos lançamentos?
José Geraldo de Almeida –
Nosso portfólio de produtos, do ponto de vista de rede, está estável há um ano. Nosso hardware é o mesmo, e estamos evoluindo o software. Estamos fazendo lançamentos de produtos para usuários, CPEs (Consumer Premises Equipment) e PCMCIAs de vários tipos, e eventualmente telefones WiMAX, mas somente para o mercado americano, pois a regulamentação atual no Brasil não permite a mobilidade.

Tele.Síntese – Como você vê a mobilidade nessa nova tecnologia?
José Geraldo de Almeida –
Esse foi um assunto muito discutido, no qual gastamos muita energia no ano passado. Tanto o padrão D, quanto o padrão E permitem algum tipo de mobilidade. O padrão E traz muito mais mobilidade nos handsets, e faz comunicação fixa muito bem também, portanto, é mais eficiente que o D, tanto para a telefonia fixa quanto para móvel, pois usa melhor o espectro, é mais flexível. Quando ficou pronto o padrão E, no final de 2005, a Motorola apostou que, em havendo um padrão que permitisse mais mobilidade, o padrão D iria entrar em declínio. Hoje a indústria toda trabalha com o padrão E, por uma questão de escala, que é muito importante nesse negócio.

Tele.Síntese – Como esta tecnologia se adapta aos grandes centros urbanos? E às áreas suburbanas?
José Geraldo de Almeida –
Acho que o WiMAX começa melhor em centros urbanos, por uma razão mercadológica. Do ponto de vista técnico, ele funciona muito bem, quer em centros urbanos densos, ou em áreas suburbanas de pouca densidade, ele é muito flexível. Assim como as tecnologias celulares, ele não precisa de linha divisada, e isso ajuda muito. Mas nos centros urbanos há muitos clientes, e assim o business case da operadora funciona melhor. Consegue-se incluir mais usuários no raio de cobertura de uma mesma ERB (Estação Rádio-Base), e há mais demanda reprimida de banda larga. Já longe dos grandes centros o WiMAX também funciona, mas é preciso pensar muito bem onde vai ser instalada a ERB, pois, em uma área mais aberta, a tecnologia oferece  um raio de cobertura de 1,5 km, mas pode ser que não haja nenhum cliente nessa área. Em um grande centro urbano é mais fácil encontrar usuários que precisem da mobilidade, como estoquistas, vendedores, além de ser usado em aplicações de telemetria ou na área de saúde. Por isso, os primeiros lançamentos de WiMAX acontecem nos grandes centros urbanos.

Tele.Síntese – Há quem diga que esta tecnologia pode morrer na praia, por não ter escala comparada com as soluções para celular. Como você analisa essa questão?
José Geraldo de Almeida –
Por esse raciocínio, nenhuma tecnologia teria iniciado, nem GSM, nem 3G, nem nada, pois no começo nenhum deles tem escala. A questão é a razão de sua adoção, e haver um mercado para esta tecnologia. A diferença entre o 3G é o WiMAX está na concepção. WiMAX é um sistema de dados, inteiramente projetado para competir com banda larga do tipo DSL, sendo a voz um subproduto.

Já a 3G que está entrando no Brasil  é uma excelente tecnologia de voz, com facilidade de dados. A 3G é uma evolução do GSM, um sistema concebido para voz, com um bom potencial para trafegar dados, o melhor até agora. O WiMAX vai na direção contrária, é um sistema de dados, que também faz voz. A 3G e o WiMAX não competem frente a frente, porque são diferentes. A 3G não vai competir com banda larga, pois é impossível  ter um ponto de preço adequado na 3G para se ter um grande volume de dados. São tecnologias complementares.

Tele.Síntese – Quando o WiMAX ganhará escala?
José Geraldo de Almeida –
No Brasil, 49% dos acessos à internet são feitos por linhas discadas. O custo de passar fios é alto, só há vantagem quando o fio já está colocado, e eventualmente, a capacidade deste meio se exaure. Então, há um mercado de banda larga muito grande, e é nesse mercado que estão se fiando as primeiras operações. Muitas empresas já declararam interesse em ter WiMAX, a TIM é um dos exemplos. Há dois anos o presidente da TIM dizia que queria as duas licenças ao mesmo tempo, a de 3G e de WiMAX juntas. Porque ela é uma operadora móvel pura, e em um mercado em que cada vez mais ofertas conjugadas (bundle) são lançadas, você precisa vender banda larga, mobilidade, e eventualmente vídeo para sobreviver. Acho que se sair o leilão vai ter muita gente interessada nesse mercado, porque a penetração de banda larga no país ainda é baixa, o governo tem feito políticas de inclusão digital, e há espaço para crescer, e a competição vai ditar esse crescimento.

Tele.Síntese – E para as cidades digitais, o WiMAX é válido?
José Geraldo de Almeida –
É um dos jeitos de desenvolver o projeto. Há um grupo de três ou quatro tecnologias que podem viabilizar os projetos de cidades digitais, e o WiMAX é uma delas, junto com WiMesh, WiFI,  Canopy e outras. Para montar uma rede deve-se analisar cada caso separadamente. O WiMAX é a mais cara destas tecnologias, porque precisa de banda licenciada, mas também é a que tem mais capacidade. Há nichos para cada uma delas.

Tele.Síntese – E para o mercado das Pequenas e Medias Empresas (PMEs)?
José Geraldo de Almeida –
Será lançada este ano uma CPE que recebe em WiMAX e emite em WiFI. Ela é voltada tanto para o mercado residencial, quanto para o mercado de PMEs. Por mais conveniente que seja a banda larga tradicional hoje, ainda há o problema dos fios. Com o WiMAX há uma solução integrada, sem fio, que interessa tanto a empresas quanto ao consumidor residencial. Todas as nossas CPEs possuem uma ou duas portas ethernet e uma ou duas portas de voz, então todas estão no mesmo conceito, de banda larga com telefonia fixa, que se aplica muito bem à residências e PMEs.

Tele.Síntese – Será fabricada no Brasil?
José Geraldo de Almeida –
Depende da escala. A fábrica de Jaguariúna está preparada para fabricar esta e outras CPEs, depende do sucesso de quem lançar. Com a fabricação no Brasil ganha-se em incentivos fiscais, mas o que interessa nesse mercado é o preço final mesmo. A Motorola nunca descartou produzir nada no país. Ter uma fábrica é uma boa vantagem competitiva, se bem usada.

Tele.Síntese – É possível unificar as freqüências de uso do WiMAX em torno da 2,5 GHz?
José Geraldo de Almeida –
Há dois grandes blocos principais de freqüências sendo usados no mundo, o 2,5 GHz e o 3,5 GHz. O nosso mapeamento aponta um maior uso de 3,5 GHz, uma maior disponibilidade desta faixa. É nestas duas freqüências que devem se basear 99% das instalações de WiMAX no mundo. A 2,5 GHz tem algumas vantagens, pois é muito próxima da IMT 2000, que é em 2,1 GHz, portanto a propagação é semelhante, e também há países que possuem grandes blocos desta freqüência, o Brasil é um destes casos. Mas eu não vejo só 2,5 GHz acontecendo não, vejo hoje em dia mais ação em 3,5 GHz, inclusive na América Latina. Os CPEs WiMAX estão sendo preparados para funcionar nas duas freqüências.

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