O uso de tecnologias na educação requer colaboração, diz especialista da Unicamp.


Adaptar o currículo escolar, com ampliação do conceito de letramento que considere as tecnologias digitais e visuais, é um dos principais desafios a serem enfrentados na adoção de computadores por alunos e professores, na opinião do professor José Armando Valente, do Departamento Multimeios, Mídia e Comunicação da Unicamp. “Na concepção de rede, é preciso explorar …

Adaptar o currículo escolar, com ampliação do conceito de letramento que considere as tecnologias digitais e visuais, é um dos principais desafios a serem enfrentados na adoção de computadores por alunos e professores, na opinião do professor José Armando Valente, do Departamento Multimeios, Mídia e Comunicação da Unicamp. “Na concepção de rede, é preciso explorar mobilidade e criar uma comunidade de aprendizagem para que o laptop educacional seja integrado ao currículo e haja apropriação dos recursos de tecnologia da informação e comunicação (TIC) na aprendizagem”, recomendou Valente, em palestra no 4º Wireless Mundi, realizado pela Momento Editorial para discutir “O papel das tecnologias sem-fio nas aplicações de Educação, Cidadania e Segurança Pública”.

Nesse processo, destacou, é preciso entender que nada está pronto, mas em processo, o que vai requerer criatividade de professores e alunos. “O trabalho colaborativo será fundamental e não podemos esperar que haja um consenso pedagógico”, afirmou.

O professor mostrou experiências tanto de uso do computador comercial em salas de aula quanto do educacional. Relatou uma experiência em escolas da Califórnia e do Maine, nos Estados Unidos, feita com diferentes etnias e variados programas. “Algumas escolas conseguiram fazer pesquisas e gerar documentos, fazendo uso do computador de forma acadêmica, enquanto outras usaram apenas como simples computador e para acesso a internet”, relatou Valente, concluindo que o uso de computadores não tornará uma escola ruim boa, mas transformará as boas escolas em melhores.

Dos equipamentos desenvolvidos para alunos, desde que Nicolas Negroponte lançou a idéia de “Um computador por Aluno”, os projetos mais disseminados no mundo são com o XO, da OLPC, e o Classmate, da Intel. O XO se faz mais presente nos países da Ásia, África e América Latina. No Uruguai, onde o equipamento foi comprado a US$ 188 a unidade, já existem 120 mil máquinas em funcionamento e planos de se adquirir mais 300 mil equipamentos em 2009. Já o Classmate está sendo produzido em Portugal, onde foram compradas 500 mil unidades. Com o nome de Magalhães, o programa contempla alunos do ensino médio. Os bolsistas integrais têm o equipamento de graça, os que têm bolsa parcial pagam 20 euros e os de maior poder aquisitivo pagam 50 euros. Se o aluno repetir, perde a máquina e, se tiver um bom desempenho, fica com o equipamento.

Aplicações

Na apresentação, Valente mostrou uma experiência desenvolvida na África, com o celular para analfabetos (o comando é por um sistema de voz), que utilizam o dispositivo para fotografar e descrever plantas medicinais. Em outros países, o celular é utilizado para ensinar matemática e calculadoras usadas para fazer gráficos.

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