O sinal verde para a Sonaecom fortalece a aposta da Telefônica na Vivo


A autorização dada esta semana pela agência da concorrência (AdC) de Portugal, para a compra, mesmo com restrições, da Portugal Telecom pela Sonaecom fez aumentarem as apostas sobre a aquisição integral da Vivo pela Telefônica. E as razões para essa aposta são muitas, ponderam analistas. Em primeiro lugar, a Telefônica é, hoje, individualmente, a maior …

A autorização dada esta semana pela agência da concorrência (AdC) de Portugal, para a compra, mesmo com restrições, da Portugal Telecom pela Sonaecom fez aumentarem as apostas sobre a aquisição integral da Vivo pela Telefônica. E as razões para essa aposta são muitas, ponderam analistas. Em primeiro lugar, a Telefônica é, hoje, individualmente, a maior acionista (com quase 10%) da Portugal Telecom (o capital da PT é pulverizado), e fortalecer sua posição no Brasil seria mais estratégico do que manter-se em solo português. Em segundo lugar, se, para os atuais acionistas da PT, o Brasil é um mercado do qual não podem abrir mão, para a Sonae – um conglomerado com investimentos bem mais diversificados – não seria tão ruim deixá-lo. Em terceiro lugar, aponta um especialista, o banco que estaria alavancando a operação da Sonae é o espanhol Santander, mais um sinal de que o acordo pela Vivo seria mais fácil. Por fim, os analistas entendem que, depois das recentes e vultosas aquisições feitas pela Telefônica na Europa e na China, a empresa não teria interesse em adquirir o ativo mais caro do setor: a TIM. Já para a aquisição da Vivo, o desembolso poderia ser bem menor, ou, até, ser feita com troca de ações.

Consolidação

Mais cauteloso, Eduardo Roche, do banco Modal/Asset, alerta que a decisão do órgão da concorrência português não assegura a concretização da operação. Ele ressalta que ainda não estão apaziguadas as resistências dos atuais acionistas da Portugal Telecom à oferta da Sonae. “Mesmo que, em dez dias, a Sonae se manifeste favoravelmente, faltará a aprovação dos atuais acionistas da PT”, ressalta. E, para ele, se ela não ocorrer, a venda da Vivo ficaria mais indefinida. Há algum tempo, correm rumores de que os acionistas da PT estariam se organizando para brecar a operação.

Todos concordam, no entanto, que a aquisição da Vivo pela Telefônica seria o primeiro de uma série de passos para a consolidação dos players no mercado brasileiro. Essa consolidação, entendem os executivos, deve começar pelas operações móveis (que registram margens bem inferiores – 10% a 15% – às do mercado internacional). E aí, analisam, o melhor comprador para a TIM Brasil (esta semana, o novo presidente da operadora italiana voltou a dizer que a empresa precisa reorganizar a sua dívida) seria a América Móvel, do bilionário Carlos Slim, que controla a Claro.

Essa consolidação teria, porém, dois efeitos. O primeiro, no mundo dos negócios: essa aquisição provocaria uma acelerada desvalorização da Telemig Celular e Amazônia Celular, que perderiam a chance de serem vendidas para o único provável comprador desses dois ativos. O outro, seria de caráter regulatório. Anatel e Cade podem criar restrições a essa aquisição, já que, além de diminuir o número de competidores (em São Paulo, por exemplo, passaria a existir só dois operadores), a fusão da  terceira maior operadora com a segunda maior significaria abocanhar mais de 50% do mercado brasileiro.

Se a consolidação das móveis pode começar este ano, os analistas não descartam a consolidação das operações fixas, a partir do segundo semestre de 2007. O mais factível seria a união da Telemar e Brasil Telecom, mas não se descarta a aquisição da BrT pela Telefônica, para fazer frente à Telmex.

De imediato, os atuais controladores da Telemar têm que enfrentar uma questão mais premente: viabilizar a sua reestruturação societária. Aqueles que apóiam a operação vêem com certa apreensão o anúncio de dois fundos estrangeiros – o Genesis Fund Managers, que possui 6,25% das ações preferenciais, e o Brades, que possui outros 8,75% – de que votarão contra a proposta. Há rumores de que eles estariam capitalizando o apoio de outras duas instituições para conseguir quórum suficiente para impedir a operação. Conforme a decisão da CVM, o quórum necessário para a aprovação ou não da proposta deve ser de 25% das ações preferenciais, na terceira assembléia, que deverá ocorrer na primeira quinzena de dezembro.

Anterior WiMAX:Anatel perde de novo no TRF e licitação continua suspensa.
Próximos Minicom vai gastar menos de R$ 1 milhão do Fust este ano