O que esperar depois do WiMAX e do WiMesh?


{mosimage}Hoje, duas tecnologias apontam como a próxima geração móvel de comunicação em alta velocidade: o WiMAX, que começa a se tornar umas das prioridades de investimentos, e o WiMesh, que estende o acesso sem fio à Internet para hot zones, muito além dos populares hot-spots Wi-Fi. Juan Chico, presidente da subsidiária brasileira da Nortel, aponta as vantagens e limites dessas tecnologias.

Nos últimos anos, a influência crescente da tecnologia em nosso estilo de vida nos trouxe imensas descobertas, auxiliando desde o gerenciamento do tempo até a realização de grandes negócios. Tudo isso por meio da evolução das comunicações, a qual passou por incontáveis formatos até a atualidade e não mostra sinais de que chegou ao limite. Ainda estamos por ver quais surpresas nos reservam essa “tal tecnologia”, que explora cada canto do planeta, além de instigar cada vez mais o potencial humano em busca de novas soluções.

Hoje, duas tecnologias apontam como a próxima geração móvel de comunicação em alta velocidade: o WiMAX, que começa a se tornar umas das prioridades de investimentos, e o WiMesh, que estende o acesso sem fio à Internet para hot zones, muito além dos populares hot-spots Wi-Fi.

Com o objetivo de levar banda larga wireless, a preços acessíveis, para moradores de zonas rurais que anteriormente não contavam com conectividade de alta velocidade, uma pequena prestadora de serviços do Canadá, a Netago Wireless, foi buscar uma nova tecnologia de última geração chamada WiMAX.

Trabalhando com o Conselho das Áreas Especiais da Província de Alberta, que atende a uma área rural com 12.900 quilômetros quadrados, no sudeste de Alberta, a Netago chegou à conclusão que WiMAX seria a única tecnologia wireless que poderia enfrentar o desafio de fornecer serviços de banda larga com alta qualidade e a preços baixos, em toda essa ampla região com baixíssima densidade demográfica. Há 12 mil habitantes nessas Áreas Especiais – na sua maioria pecuaristas, fazendeiros e trabalhadores dos setores de gás e petróleo. Aproximadamente 5 mil pessoas vivem fora das pequenas cidades que contam com serviços ADSL. Assim, foi implementada nas Áreas Especiais de Alberta uma das primeiras redes wireless comerciais de acesso por banda larga do Canadá.

Altas velocidades

A tecnologia WiMAX foi desenvolvida para oferecer banda larga wireless, a velocidades muitas vezes superiores às velocidades das tradicionais tecnologias wireless e com uma cobertura muito maior do que aquela proporcionada pelas atuais soluções de acesso WLAN, como Wi-FI (802.11). WiMAX, porém, foi desenvolvida para dar o mesmo tipo de acesso da Wi-Fi, a preços equivalentes e muito mais acessíveis, mas em áreas muito maiores – ou seja, dezenas de quilômetros. Simplificando, Wi-Fi é alta largura de banda, mas não distância, e os atuais sistemas celulares fornecem distância, mas não alta largura de banda. WiMAX oferece os dois, dando a seus usuários acesso móvel ininterrupto a uma ampla variedade de serviços de alta largura de banda, enquanto se deslocam entre seus escritórios, casas, lojas, aeroportos e hotéis. Essa tecnologia também pode preencher, com alta velocidade, a lacuna da última milha, onde não há conectividade a cabo ou DSL, como acontece nas Áreas Especiais de Alberta.

Sem dúvida, WiMAX é umas das dez principais tecnologias que vão mudar a maneira como vivemos. WiMAX deverá atribuir ao acesso sem fio por banda larga uma qualidade comparável à do DSL, levando mobilidade a aplicações que são grandes consumidoras de largura de banda, a exemplo de streaming de música digital e de vídeo, IPTV, videoconferência e vigilância por vídeo. Essa tecnologia está começando a ser usada por outras prestadoras de serviços, no mundo todo, e seu uso deverá ser amplamente disseminado, no prazo de três a cinco anos, com novos laptops e outros aparelhos incorporando as duas conectividades, Wi-Fi e WiMAX.

Wireless seguro

Já o WiMesh possui capacidade de conferir cobertura segura wireless, tanto no interior como no exterior de prédios, por toda uma área urbana ou um extenso campus, fornecendo rapidamente um importante serviço à Agência Nacional de Segurança dos EUA (Homeland Security) e em outras situações de emergência urbana.

Embora a tecnologia Wireless Mesh confira suporte a comunicações de alta velocidade, ela não tem como objetivo ser uma substituta para os serviços fornecidos a telefones celulares, que dão cobertura nacional e até mesmo roaming no mundo. Wireless Mesh é uma rede local e, embora possa dar cobertura a uma grande área urbana, com custo benefício, ela não é prática para a transmissão de serviços além de uma área local. Comparando-a com Wi-Fi, as duas tecnologias são muito semelhantes, mas Mesh estende a capacidade da Wi-Fi – limitada a pequenas áreas, em geral internas – para dar acesso sem fio a uma grande área, tanto interna como externamente. Um hot-spot Wi-Fi de um café, por exemplo, transmite por meio de um ponto de acesso, em geral, instalado no teto, com um alcance, talvez, de 500 pés (170 metros). Quando se sai do café, a conexão deste ponto de acesso é perdida.

Wireless Mesh conecta múltiplos pontos de acesso, dispensando cabeamento em uma rede wireless ou hot spot, fornecendo uma cobertura bastante ampla, tanto dentro como fora. Essa é a razão pela qual a chamamos de Mesh, que significa malha em inglês, pois os pontos de acesso formam uma malha, trabalhando juntos na formação da rede. Os pontos de acesso de uma rede Mesh podem ser colocados em postes de luz, nas paredes laterais de um prédio, ou em qualquer lugar onde houver uma conexão com uma fonte de energia elétrica para dar suporte ao nó. E como essa rede usa o mesmo padrão da Wi-Fi – o 802.11b – computadores laptops ou de mão, configurados para Wi-Fi, dispensam qualquer outro hardware ou software para se obter acesso à uma rede Mesh.

Roaming integrado

Além disso, escritórios de secretarias municipais, universidades ou mesmo uma empresa, que já contam com uma rede de área local wireless (WLAN) no interior de seus prédios, podem ampliá-las, estendendo-as por toda uma cidade ou campus, conectando pontos de acesso e reunindo-os em uma rede Wireless Mesh. Onde quer que existam pontos de acesso, em uma “zona quente”, é possível obter cobertura wireless para um computador. Uma importante característica dessa solução é que o usuário não perde a conexão wireless, à medida que se move entre os diversos pontos de acesso de uma rede, oferecendo suporte a um roaming integrado entre estes pontos de acesso.

Em função da cobertura confiável e segura dada a uma área local, a tecnologia Wireless Mesh apresenta-se como uma excelente alternativa para comunicações móveis a altas velocidades, em situações de emergência. A malha se "restaura a si própria", ou seja, reconfigura-se automaticamente caso algum ponto de acesso se desative. Assim, a rede continua a funcionar, mesmo se algumas partes forem destruídas. Também é chamada de rede ad-hoc, pois admite a inclusão de novos pontos de acesso, com pouca ou nenhuma intervenção manual, possibilitando rapidamente o seu conserto ou ampliação na cobertura de uma situação de desastre ou emergencial. E, se uma rede Wireless Mesh não existir na área, é possível instalar uma em questão de horas ou, no máximo, em um dia, após um evento como um furacão, tornado, ou desastres similares.

Muitas vezes, em cidades e vilarejos, os serviços de emergência, como polícia e bombeiros, contam com sistemas distintos de comunicações, usando freqüências wireless de rádio diferentes. Em uma situação emergencial ou de desastre, porém, estes sistemas de rádio não conseguem se comunicar entre si. Se houver uma rede Wireless Mesh, dando cobertura em toda uma área urbana, todos os serviços de emergência podem acessar esta rede comum por meio dos aparelhos apropriados. Por razões de segurança, tudo o que é preciso fazer é inserir uma senha. Assim que forem reconhecidos como um usuário autorizado, todas as informações enviadas e recebidas são totalmente codificadas e mantidas em segurança. As comunicações também são transmitidas por meio de túneis na rede Mesh, o que significa que são mantidas em separado de outros usuários, que não fazem parte dos serviços emergenciais, impedindo eventuais acessos ilegais ou quebra de sigilo.

Atendimento de emergências

Caso a Agência de Segurança Nacional ou a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), nos EUA, precisarem responder a uma situação de desastre, onde o sistema de comunicações foi destruído, a exemplo de 11 de setembro em Nova York, é possível instalar rapidamente uma rede Wireless Mesh. Até mesmo quando não houver eletricidade, cada um dos pontos de acesso da Wireless Mesh pode ser alimentado por pequenos painéis solares e/ou baterias.

Um dos seus aspectos diferenciados é a inteligência incorporada na rede, conferindo um altíssimo grau de confiabilidade, essencial em emergências. Assim que um ponto de acesso é instalado e ligado, ele descobre os outros pontos e se torna ciente do papel que desempenha na rede. Dessa forma, não é preciso que uma pessoa faça a programação da rede, o que é fundamental para que comece a operar rapidamente. Depois que a rede já está funcionando, ela se autogerencia, através de suas funções de auto-restauração e auto-adaptação. Se um ponto de acesso se desativa ou uma parte da rede se sobrecarrega, a rede instantaneamente redireciona as transmissões para outros pontos, evitando uma quebra nas comunicações.

Outro aspecto muito importante da rede Wireless Mesh e do seu potencial para se disseminar é sua capacidade de oferecer banda larga a usuários móveis, de forma barata e rápida. A instalação de uma rede Mesh pode custar até 75% menos que uma rede cabeada, pois não requer grande fiação ou infra-estrutura. Uma solução muito versátil, a qual preenche um nicho de mercado especial e atende a uma crescente demanda por acesso wireless de banda larga, em qualquer lugar, a qualquer hora.

Quando começamos a considerar as maneiras como as solução WiMAX e WiMesh podem ser aplicadas, as possibilidades são muitas e provavelmente nem conseguimos ainda imaginar suas muitas formas de utilização. De forma geral, sabemos que essa evolução não pára por enquanto, apesar de termos ido o mais longe possível dentro dessa questão.


Juan Chico – Presidente da Nortel Brasil

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