O primeiro semestre anima a indústria


{mosimage}Paulo Castelo Branco, coordenador do grupo de telecomunicações da Abinee, faz um diagnóstico do desempenho do mercado no ano, diz que as vendas do setor devem crescer 30% e aponta os segmentos mais dinâmicos. Além dos aparelhos celulares, que há muito lideram a lista, infra-estrutura para telefonia móvel, acesso para dados em alta velocidade e, no mundo corporativo, plataformas IP.

Paulo Castelo Branco, coordenador do grupo de telecomunicações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), está otimista com 2005. No primeiro semestre, a indústria produziu mais, vendeu mais e exportou mais, levando a associação a rever, para cima, as suas previsões para o exercício. Na última projeção da entidade, feita em agosto, a indústria eletroeletrônica deve crescer 17% em 2005, e a de telecomunicações, 30%. E o destaque não se limita aos celulares. Segundo Castelo Branco, as operadoras estão comprando equipamentos de acesso para comunicação de dados em alta velocidade e expandindo os seus backbones, e o mercado corporativo está, a olhos vistos, migrando para o mundo IP.

De janeiro a junho, enquanto o faturamento real do conjunto da indústria eletroeletrônica aumentou 7%, o da indústria de telecomunicações cresceu 27% – a maior expansão de todas as áreas do setor Abinee. A liderança do crescimento no setor de telecomunicações coube, de novo, aos aparelhos celulares, cujas vendas cresceram tanto no mercado interno, como no externo. De acordo com o coordenador do grupo setorial da Abinee, as exportações de celulares podem chegar aos US$ 2 bilhões em 2005. Até junho, as vendas externas de bens de telecomunicações totalizaram US$ 1,36 bilhão (mais 195% em relação ao primeiro semestre de 2004), 83% dos quais foram gerados por aparelhos celulares.

Tele.SínteseComo está 2005 para a indústria?

Castelo Branco O mercado está aquecido e, além dos segmentos de terminais e de infra-estrutura celulares, também é positiva a demanda por infra-estrutura e acesso para comunicação em banda larga e por redes IP.

PUBLICIDADE

Tele.SínteseEntão IP está acontecendo?

Castelo Branco
– É visível a migração do mercado corporativo para a plataforma IP, mesmo que nem toda ela seja full IP porque exige terminais IP, exclusivamente, que são importados e ainda caros. Muitos usuários adotam plataformas híbridas, que aceitam tanto aparelhos analógicos como digitais e IP.

Tele.SínteseO que mais o mercado corporativo está comprando?

Castelo Branco – Eu diria que não está, necessariamente, comprando equipamentos, mas serviços como o IP Centrex, no qual a operadora hospeda o hardware e o software dos clientes. Integradores como a NEC estão oferecendo o serviço em conjunto com as operadoras.

Tele.SínteseComo está a demanda por produtos para comunicação de dados?

Castelo Branco – Aquecidíssima, com a implementação de equipamentos na casa dos usuários (CPEs, sigla em inglês) – roteadores de borda, em particular. Neste ano, a previsão que nós, na NEC, fizemos para doze meses, esgotou-se em sete.

Tele.SínteseTemos novas licitações no mercado?

 Castelo Branco – No primeiro semestre, os pedidos foram para rádios e transmissão óptica. Em outubro, Brasil Telecom e Telemar vão fazer tomadas de preços para plataformas de vídeo. A Telefônica já escolheu equipamento Lucent.

Tele.Síntese Plataformas de vídeo para as operadoras?

Castelo Branco
– Todo mundo vai fazer tudo, é isso. Ainda será necessário alterar a regulamentação, mas o que será que pode acontecer quando a Telmex assumir o controle da NET? Vão proibir a operadora de distribuir vídeo? No Japão, a maior operadora do país, a DoCoMo, aproveita seu conhecimento e operação com cartões telefônicos para utilizá-los, também, na logística de transporte, e vai fazer o mesmo no mercado financeiro. Todo mundo compete com todo mundo, salve-se quem puder. E a indústria vai prover todos os agentes…

Tele.SínteseE as redes de nova geração (NGN) afinal, saíram do papel?

Castelo Branco
– Elas vão acontecer, de fato, nos próximos dois anos, muito em função da obsolescência do hardware e das limitações das aplicações da tradicional plataforma TDM.

Tele.Síntese
O que será de 2006?

Castelo Branco
– O próximo ano será semelhante ao de 2005, mas como teremos eleições, não haverá grandes investimentos estratégicos. O mercado de banda larga continuará crescendo regularmente, o celular deve se estabilizar, teremos vídeo sobre a rede de telefonia, ou seja, o triple play.

Tele.SínteseQual a previsão de crescimento da NEC este ano?

Castelo Branco – O faturamento conjunto da NEC do Brasil e da NEC Solutions do Brasil aumentará 40% em relação a 2004. Há bons projetos de segurança e logística da Solutions em andamento. E os negócios com produtos de banda larga também estão em expansão: de outubro do ano passado até julho, instalamos 100 mil DSLAMs IP na Brasil Telecom, e os backbones da operadora e da MetroRed também vêm crescendo.

Anterior BrT GSM ativa rede EDGE
Próximos Vince assume Abeprest