O poder da ética na relação homem-máquina


A Inteligência Artificial pode herdar do ser humano um comportamento preconceituoso? “Claro que sim, uma vez que essa tecnologia reflete o pensamento do programador. Para evitar questões como essas é importante que se respeite e obedeça um padrão regulatório que privilegie a ética. Do contrário alternativas decorrentes da competição ou pressão da sociedade acabarão forçando as empresas a mudar os algoritmos”, explica Edvaldo Santos, diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ericsson, durante o painel Data&Customer – Centric Business: Por que Machine Learning é o futuro da cultura de negócios?, realizado no Futurecom 2019.

Na opinião de Santos, o modelo regulatório precisa evoluir na mesma proporção que a tecnologia. A Ericsson, por sua vez, costuma focar seu negócio, globalmente, na construção de uma tecnologia baseada na ética. “Temos por hábito nos reunir com parceiros e fornecedores para definir os padrões, mas no final é o governo que influencia a forma como as empresas vão se comportar nos próximos 10 anos”, acrescenta.

Ética nos negócios

A academia nos Estados Unidos, liderada pelo o Stanford Institute, na Califórnia, foi pioneira na questão da abordagem e influência da próxima geração da pesquisa aplicada em IA, que traz a ética e o homem como elementos centrais. A fabricante sueca acompanha sistematicamente a pesquisa junto à universidade de forma a dar mais visibilidade aos recursos da 5G, tratar a ética em seus projetos de IA e ampliar o escopo de IA para tomada de decisões mais sofisticadas.

Como trabalhar a questão da ética e responsabilidade nas organizações quando um crédito é negado a um consumidor por um algoritmo, por exemplo, um ponto muito discutido no painel. Conforme Soares, a ética é de importância fundamental para IA e as empresas precisam construir relações de confiança com seus clientes. O fato é que a ética remonta um paradigma novo na relação homem/ máquina. A máquina tem condição de entender seu problema, mas cabe ao humano tomar a decisão do que deve ser feito.

Saúde para todos

Para o diretor de P&D e inovação da Ericsson, a tecnologia 5G pode gerar muitos benefícios sociais, como o projeto piloto desenvolvido em parceria com operadoras. A iniciativa tem como objetivo tornar a saúde mais barata e democrática para que a população de baixa renda da periferia da região metropolitana de São Paulo tenha acesso a exames de ultrassonografia com o médico localizado a mais de um quilômetro de distância do paciente. “Esse procedimento, por sua vez, demanda sofisticação na IoT para que o médico possa ter de fato a sensação tátil, explica.

“A tecnologia 5G trará transformações desruptivas, que vão acontecer independente do ser humano”, frisa Santos. Na sua opinião, o Brasil reúne todas as condições de ocupar um espaço de relevância na corrida tecnológica, especialmente no que diz respeito a IA, que envolve programação e conhecimento de estatística, duas habilidades que o brasileiro domina.

Dados estruturados

Cerca de 80% dos dados de negócios das empresas não são estruturados. Isso significa que não basta coletar dados, armazená-los e achar que os mesmos podem ser usados de forma a se tornar informação. “As redes precisam de sistemas inteligentes para saber o que fazer com esses dados”, explica David Dias, diretor de inteligência artificial e robótica da Accenture.

Os dados gerados a partir de canais de comunicação com os clientes disponíveis nas organizações, uma vez aproveitados, costumam gerar muito mais valor para o negócio do que as informações históricas. É o caso do projeto que envolve a escuta constante do cliente desenvolvido pela Accenture para um banco digital. Muito preocupado em monitorar mídias sociais, o banco pode transformar o conteúdo de 300 mil ligações recebidas por mês em um site de produtos.

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