O peso da China no déficit comercial de eletroeletrônicos


No primeiro semestre de 2006, por áreas geográficas, o maior déficit comercial da indústria eletroeletrônica foi gerado pelos negócios com o Sudeste da Ásia, que atingiram saldo negativo de US$ 5,4 bilhões, dos quais quase US$ 2 bilhões referentes às transações com a China. Esse resultado contribuiu fortemente para o saldo negativo total do setor …

No primeiro semestre de 2006, por áreas geográficas, o maior déficit comercial da indústria eletroeletrônica foi gerado pelos negócios com o Sudeste da Ásia, que atingiram saldo negativo de US$ 5,4 bilhões, dos quais quase US$ 2 bilhões referentes às transações com a China. Esse resultado contribuiu fortemente para o saldo negativo total do setor Abinee, de US$ 4,7 bilhões, 54% a mais do que em igual período do ano anterior (US$ 3 bilhões). De janeiro a junho, as exportações aumentaram 15%, as importações 33%, segundo dados do Departamento de Economia (Decon) da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica divulgados hoje, 18.

Por outro lado, as transações comerciais com os países da Aladi produziram superávit de US$ 1,9 bilhão. As exportações de US$ 2,2 bilhões para essa região representaram mais da metade das vendas externas totais de produtos do setor.

Telecom

A comercialização externa de produtos de telecomunicações totalizaram US$ 1,5 bilhão (+13%), dos quais US$ 1,3 bilhão em telefones celulares (+16%). O segundo maior grupo de produtos exportados foi o de componentes elétricos e eletrônicos (+8,5%): US$ 1,2 bilhão, dos quais US$ 926 milhões em componentes elétricos (+14%). O Decon ressalta que as exportações de componentes eletrônicos recuaram 4%, e esse foi o único segmento a apresentar queda no 1º semestre de 2006.

Exceto as vendas para os Estados Unidos (-2,9%) e a União Européia (-23,3%), as exportações aumentaram para todas as demais regiões do mundo, alcançando US$ 2,2 bilhões para os países da Aladi, com incremento de 34,5%. As exportações de telefones celulares para a Aladi atingiram US$ 909 milhões (+53%), o equivalente a 70% das vendas totais de handsets.

As exportações para os países da Aladi, excluída a Argentina, tiveram expansão de mais de 51%, atingindo US$ 1,4 bilhão. As vendas de bens de telecom para os países da região cresceram 76%, em função principalmente da performance dos telefones celulares. Para a Argentina, as exportações totalizaram US$ 801 milhões (+12%), dos quais US$ 321 milhões em produtos de telecom (US$ 254 milhões em celulares) e US$ 172 milhões em componentes elétricos e eletrônicos (US$ 87 milhões em eletrônica embarcada).

Ásia

As exportações para o Sudeste da Ásia, apesar de montante menos significativo (US$ 200 milhões, 5% do total exportado), registrou expansão de 50% no 1º semestre deste ano em relação ao 1º semestre do ano passado. Os itens mais exportados para a região foram componentes elétricos e eletrônicos: US$ 114 milhões, dos quais US$ 60 milhões foram vendidos à China.

Já as vendas de US$ 946 milhões para os EUA recuaram 3%, diminuindo sua participação na pauta das exportações do setor (26% em jan-jun/2005, para 22% em jan-jun/2006). Em função da retração das vendas de telefones celulares, a área de telecom foi a que sofreu a maior queda (US$ 304 milhões, -22%). As exportações para a União Européia (-23%) também recuaram, o que foi fortemente influenciado pelo recuo de 83% nas vendas de celulares.

Em relação aos demais países do mundo, as exportações registraram acréscimo de 26%, atingindo US$ 440 milhões. A maior taxa de crescimento (210%) foi das vendas externas de bens de telecom, em função, principalmente, da elevação das vendas de equipamentos de telefonia pública: US$ 1,4 milhão, no 1º semestre de 2005, US$ 27 milhões, no 1º semestre de 2006. Cabe ressaltar que Angola foi responsável por quase a totalidade deste resultado.

Importações

De janeiro a junho de 2006, as importações de eletroeletrônicos atingiram US$ 9 bilhões, 33% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Todas as áreas apontaram incremento, com destaque para informática (+56%) e utilidades domésticas (+57%). Componentes eletrônicos (+38%) continuaram os maiores responsáveis pelas compras externas: US$ 5 bilhões, 54% do total. Desse resultado, destacaram-se semicondutores (US$ 1,7 bilhão), componentes para telecomunicações (US$ 1,1 bilhão) e componentes para informática (US$ 1 bilhão).

Componentes

A participação do Sudeste da Ásia nas importações de eletroeletrônicos aumentou de 55%, no 1º semestre/2005, para 62%, no 1º semestre/2006: de lá vieram US$ 5,6 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões da China e US$ 3,5 bilhões dos demais países da região. A importação de componentes da China totalizou US$ 1,2 bilhão, ou quase 60% do total importado desse país, com maior destaque para os componentes para telecomunicações e para informática, que, juntos somaram US$ 668 milhões.

Dos demais países do Sudeste da Ásia, excluindo a China, as importações totalizaram US$ 3,5 bilhões (+43%). Aqui, outra vez, a maior parte das compras foi de componentes elétricos e eletrônicos: US$ 3 bilhões, representando 80% das compras totais daquela região. Esses resultados, comparados aos US$ 3 bilhões em importações procedentes dos EUA e UE, mostram a transferência de origem das importações desses países para os do Sudeste da Ásia (+50%) e para a Aladi (+41%).

(Da Redação)

Anterior AsGa ataca em várias frentes: software, wireless, serviços de manufatura.
Próximos Governo erra ao ameaçar intervir na Anatel.