O mercado diz não à mera hipótese de um quinto competidor na terceira geração do SMP


22/06/2006 –  Com a penetração do serviço móvel beirando os 50% e as operadoras atribuladas em busca de rentabilidade e de retorno do investimento feito, o mercado não deixou de se surpreender com a informação de que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estaria cogitando em abrir espaço para mais uma – a quinta – …

22/06/2006 –  Com a penetração do serviço móvel beirando os 50% e as operadoras atribuladas em busca de rentabilidade e de retorno do investimento feito, o mercado não deixou de se surpreender com a informação de que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estaria cogitando em abrir espaço para mais uma – a quinta – empresa de serviços celulares no país, por ocasião da licitação das faixas de freqüência para a terceira geração do SMP. De acordo com analistas, dado o cenário atual ainda marcado pela concessão de fortes subsídios e de resultados econômico-financeiros sofríveis, mesmo que em maio o volume de adições líquidas tenha sido pouco mais da metade do que foi nos dois anos anteriores, no Brasil, não há espaço para mais um ator no SMP.

“Não cabe mais um. Pelo contrário, os tempos ainda são de consolidação”, argumenta Carlos Vasques, do Pactual. Nesse sentido, lembra, ainda não está resolvida a situação da Brasil Telecom nem da Telemig Celular, assim como a Telefônica ainda não consolidou os seus ativos no país. Nesse quadro, o mercado local não é atraente para qualquer novo player, reforça Vasques. “Quem viria para começar a operação do zero?”, questiona. De quebra, é bom não esquecer da presença e da atuação da Nextel no segmento corporativo. Ele entende a intenção do governo de gerar mais competição a qualquer custo, mas, hoje, sem mais um competidor, dadas as condições do mercado, muito do valor das empresas já foi destruído, e os acionistas querem ver o retorno do que investiram. Falava-se em ter retorno em cinco anos. Transcorreram oito. Na sua avaliação, o problema do SMP não é a competição, ela existe, mas o custo da ligação, que é caro. E isso só tem uma saída: a redução das tarifas de interconexão para diminuir os custos das empresas. Vasques vê na desaceleração dos números de maio mais um argumento desfavorável à chegada de uma nova empresa no serviço.

Serviços
Fazem coro com o analista do Pactual Alexandre Garcia, do Ágora Senior, e Felipe Cunha, do Brascan. Como é possível pensar em maior penetração do SMP na 3G, cujos terminais e serviços são ainda mais caros do que os atuais? Todos entendem o desejo do órgão regulador por mais concorrência, em benefício do consumidor, mas não vêm como isso se dará, em escala, na próxima geração do serviço, ao qual vai aderir a clientela hiend, o que não garante qualquer escala que possa garantir retorno para os pesados investimentos necessários à migração para a nova rede. Garcia, do Ágora Senior, considera prematuro falar em 3G no Brasil agora, é uma possibilidade de longo prazo. “Quantos clientes vão estar dispostos a pagar uma fortuna para ver um vídeo não-sei-do-quê?”, indaga. Se, do ponto de vista do governo e da Anatel, o objetivo é aumentar a competição, do lado das operadoras, o objetivo é rentabilizar o GSM, o GPRS.

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Ele pergunta que empresa, hoje, pagaria somas elevadas para ir para a terceira geração no país. A seu ver, o que se gastou na compra das operadoras da banda A nunca mais vai se repetir. Não bastasse tudo isso, a própria 3G ainda não encontrou a killer application, e o tamanho da tela do celular também é um fator limitante, por exemplo, para fazer busca na internet. Na real, aliás, com o GPRS já se consegue muita coisa, como obter informações sobre o horário de cinemas, saldo bancário e realizar algumas operações.

Os analistas batem e rebatem na mesma tecla: nennhuma operadora celular ganha dinheiro, hoje. Elas estão atrás de rentabilizar o que já têm. Alguns descrevem a situação das empresas de maneira bastante simples: “moro num quitinete apertado, estou cheio de dívidas, mas quero comprar um imóvel maior; ora, preciso pagar as contas antes, para depois comprar e mudar de casa”. Em outras palavras, aumentar a oferta e a variedade de serviços para aumentar a receita por usuário (Arpu), ao invés de insistir em “promoções idiotas”.

A grande discussão em torno da 3G, segundo Felipe Cunha, da Equity Research do Banco Brascan, é a possibilidade de obter maiores avanços na transmissão de dados pelo celular. Mas, para migrar, é preciso comprar licença (o que não implicará grande desembolso, a seu ver), investir da rede (será caro), sendo que, no Brasil, o grande lance, mesmo, é conseguir mais upside de dados. Traduzindo, hoje, a receita de dados das operadoras não vai além de 6 a 7% do total, dos quais não mais do que 30% são serviços de maior valor agregado, isto é, não são mensagens de texto (SMS). Nesse caso, para falar em 3G é necessário perguntar quem vai investir sem contrapartida imediata e de vulto em receita.

Um maio atípico

Por tudo isso, ao analisar as adições líquidas de 1,8 milhão de assinantes em maio, mês importante para as empresas em virtude do Dia das Mães, o fato de terem ficado em menos da metade dos 2,9 milhões de maio de 2005, foi considerado positivo pelo Brascan. Ou seja, a leve desaceleração no crescimento da base de assinantes, tende a ser positiva para as empresas, em termos de rentabilidade. No entanto, Cunha pondera que as promoções feitas muitas vezes se concentram em benefícios, e não propriamente no preço do aparelho, “reformatando a própria dinâmica da competição do setor”. Na sua análise, Cunha aponta que a a Claro foi o principal destaque do mês com a maior contribuição nas adições líquidas, resultado, principalmente, da sua postura agressiva na concessão de fortes subsídios aos aparelhos do segmento pós-pago, o que pode ter se refletido na leve perda de market share da Telemig Celular. Quanto à TIM, manteve estável sua participação, portanto, com impacto praticamente neutro sobre seus resultados. Para o analista, a Oi mais uma vez se destacou com a elevação da sua fatia de mercado, ao passo que as empresas Vivo apresentaram considerável redução no market share, sinalizando menor agressividade e menor força competitiva em relação à concorrência.

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