O governo descobre a mobilidade mas tem problemas com conectividade e reconhece falhas na comunicação


Com o aumento do uso de dispositivos móveis no Brasil, os governos, em suas diferentes instâncias, começam a usar os recursos da mobilidade para melhorar a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. Mas, para que as aplicações se disseminem é necessário superar pelo menos dois desafios: melhorar a conectividade e a forma como o governo se comunica com os cidadãos. Essa foi a principal conclusão do debate sobre “O uso de dispositivos móveis e as aplicações em serviços de governo”, durante o 13º Wireless Mundi, realizado hoje pela Momento Editorial e voltado para gestores públicos.

“O governo comunica mal as oportunidades e precisa ampliar as parcerias, além de melhorar a sua percepção das redes sociais”, afirmou Danilo Scalet, diretor de TI da Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná). O

 

O consultor Rogério Santanna, que apresentou a evolução do e-gov no Brasil, observou que um erro dos governos é levar para o celular o conteúdo desenvolvido inicialmente para um portal. “É necessário desenvolver uma app que envie dados para o usuário em pequenos volumes, do contrário, vai demorar para carregar e consumir toda a franquia do cidadão”, afirmou. “É preciso repensar os aplicativos com interface mais eficiente”, salientou.

No painel, foram apresentadas experiências na área de saúde, pela equipe de telemedicina da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e do Detran de São Paulo. Vanessa Haddad, da FMUSP, mostrou algumas das experiências, voltadas para a disseminação do conhecimento, como o curso Jovem Doutor, que está sendo realizado para monitores de telecentros. Daniel Annenberg, presidente do Detran de São Paulo, mostrou como o departamento está trabalhando para colocar os serviços do Detran em dispositivos móveis. Deu como exemplo o envio de SMS lembrando o vencimento da CNH. Também no Paraná, o governo começou a disseminar o uso de SMS. “Em janeiro, enviamos alertas sobre o pagamento do IPVA para os cidadãos que, normalmente, nessa época do ano, estão na praia”, contou Danilo Scalet.

 

O diretor da Celepar também apontou como um desafio escolher, entre todos os serviços eletrônicos já existentes, o que deve ser colocado no móvel.

Superadas essas dificuldades, a mobilidade pode ser uma excelente ferramenta para a gestão pública, conforme destacou Francisco Sant`Anna, gerente de novos negócios corporativos da Oi. “Os aplicativos em dispositivos móveis podem transformar a forma de trabalho dos gestores em campo, além de contribuir para melhorias no setor de transporte e no transito, na segurança pública, educação e saúde”, apontou. E todos esses serviços, acrescentou, podem ser colocados na nuvem, com sistemas de gestão de segurança que permitem, inclusive, o bloqueio das informações em um dispositivo que, eventualmente, seja furtado, enfatizou. (Da redação).

 

 

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