O futuro do MMDS em questão


A freqüência de 2.5 GHz, hoje usada pelo MMDS, a rigor, está sub-utilizada – por exemplo, a tecnologia empregada pelas provedoras é analógica e ocupa apenas 30 canais, ao passo que, com a digitalização, o número de canais pode ser multiplicado por seis, no mínimo. Essa é uma das razões pelas quais a Anatel avalia …

A freqüência de 2.5 GHz, hoje usada pelo MMDS, a rigor, está sub-utilizada – por exemplo, a tecnologia empregada pelas provedoras é analógica e ocupa apenas 30 canais, ao passo que, com a digitalização, o número de canais pode ser multiplicado por seis, no mínimo. Essa é uma das razões pelas quais a Anatel avalia a possibilidade de melhor aproveitamento de um pedaço tão importante de espectro, a tal ponto que é nele que a Sprint-Nextel está construindo sua rede nacional WiMAX (que chama de quarta geração celular), nos Estados Unidos.

Segundo informou hoje, 29 de novembro, no WiMAX Forum Brazil, em São Paulo, o gerente-geral de certificação e engenharia da agência, Francisco Giacomini Soares, são várias as possibilidades estudadas, como a destinação de 110 MHz dessa banda para o SCM, para serviços triple play; o uso parte do espectro de 2.5 GHz para abrigar a introdução de novas tecnologias como o WiMAX fixo e móvel (802.16d/e); planejamento do uso futuro da faixa para novas aplicações, como 802.20 (proposto pela Qualcomm no IEEE, mas que não se sabe se vingará), 3G, 4G, IMT avançado (cuja denominação será melhor especificada pela UIT); otimização para blocos de 5 MHz com tecnologia digital; mobilidade restrita; propiciar novos investimentos.

Rede WiMAX?

Se a decisão da Sprint-Nextel de montar uma rede WiMAX nacional teve o mérito de contribuir para a escala na oferta de equipamentos, portanto, reduzir seus preços, não seria uma fantasia pensar numa rede na mesma freqüência no Brasil, de acordo com fontes do setor. Naturalmente, desde que o órgão regulador possa resolver a fragmentação hoje existente nesse espectro (povoado por inúmeros pequenos provedores de serviços), assim como a sua sub-utilização, já reconhecida pela Anatel, aliás, como dito na apresentação de Giacomini.

Nesse sentido, Giacomini lembra que, parte das licenças concedidas para provisão de serviços em 2.6 GHz vence em 2009. Algumas devem ser prorrogadas e sem quaisquer exigências em relação à prestação de novos serviços. Nesse caso, nas palavras do gerente da Anatel, usá-lo para serviços de acesso à internet em banda larga, e, como contrapartida, devolver parte do espectro ao órgão regulador. Ou, ainda, licitar parte da freqüência em questão.

De resto, não pode ser ignorada a atuação da dupla Telefônica/TVA em cidades tão importantes como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, onde a operadora de TV paga tem licenças para MMDS. E isso vai mexer com o mercado, avaliam especialistas.

Anterior O modelo nipo-brasileiro de TV digital está em debate no Chile e no Peru
Próximos Costa muda discurso e diz não querer prejudicar novos negócios das teles