A evolução do mercado Fiber to the Home  (FTTH) tem sido constante e continuamente crescente, embora a um ritmo mais lento do que o esperado. No Ranking Mundial, a Europa está numa posição intermédia em termos de desenvolvimento de Redes FTTH. No entanto, verifica-se atualmente que o crescimento tem sido mais rápido do que em anos anteriores.

Em 2010, a Comissão Europeia estabeleceu a “Agenda Digital para Europa”, com o objectivo de assegurar que até 2020 todos os europeus tenham acesso à Internet com velocidades acima de 30 Mbps, e que pelo menos 50% dos lares europeus tenham ligações à Internet com velocidades acima de 100 Mbps.

Os países Nórdicos, Holanda e Portugal estão evoluindo muito rapidamente, enquanto alguns outros estão apenas começando suas implantações agora, como Espanha e Alemanha. Apesar de ainda haver muito a desenvolver, o panorama global é promissor.

Portugal é realmente um caso especial, pois existe um dos ambientes regulatórios mais avançados e bem estabelecidos do mundo, onde existe uma oferta regulada de compartilhamento de infra-estruturas de telecomunicações (condutas e postes), e mesmo de compartilhamento de rede de fibras ópticas. No entanto, há muito ainda a ser desenvolvido em termos de compartilhamento de redes neutrais, como é o caso das Redes Rurais FTTH.

Em 2011, em Portugal, iniciamos a construção das primeiras Redes Rurais em FTTH, tendo como objetivo a cobertura quase total do país por Redes FTTH.

Consumo de Banda Larga: Tendências de Mercado

A evolução do mercado das telecomunicações mostra-nos que a necessidade de largura de banda não vai abrandar, antes pelo contrário vai crescer exponencialmente. As pessoas, cada vez mais, estão utilizando a banda larga para consumir serviços como: vídeo HD, Cloud Computing e jogos online, entre outros. Esses serviços necessitam de simetria de largura de banda (download e upload), que apenas é garantido pelas Redes FTTH.

À medida que os governos tomam consciência e se preocupam cada vez mais com o aumento da qualidade de vida das suas populações, através do teletrabalho, telemedicina, teleaprendizagem ou como cuidar de idosos, e de muitos outros serviços de educação e saúde, eles irão pressionar para a rápida implantação de Redes FTTH.

Até mesmo o LTE, entre outras tecnologias celulares – soluções complementares – são na realidade um Driver para o desenvolvimento das Redes FTTH, uma vez que todas estas tecnologias precisam de Fibra Ótica.

Motores para o Sucesso do FTTH – Redes de Nova Geração

O Cliente final precisa saber mais sobre o que existe em termos de banda larga para poder exigir mais e ter melhores serviços. Muitos Clientes de banda larga europeus nem sequer têm conhecimento de que uma rede de alta velocidade em fibras óticas é possível, e por essa razão não sabem quais as vantagens que podem ter ao utilizarem tais ligações. Portanto, educar os Clientes finais sobre os benefícios do FTTH tem sido uma das nossas principais prioridades.

Além disso, a taxa de penetração da Banda Larga depende muito da estratégia da Operadora de Telecomunicações para o seu mercado e não inteiramente naquilo que o cliente quer. Não existe nenhuma “killer application” ou serviço que vai definir se a Rede de Fibra deve ser implantada ou não. No entanto, de acordo com um estudo apresentado na conferência do FTTH Council Europe este ano, em Munique, uma Operadora que aposte numa Rede FTTH pode gerar até 40% mais de ARPU e uma taxa de penetração quase 100% maior.

Existe atualmente uma demanda inegável e crescente pela fibra, e as Operadoras podem e devem usá-la em seu favor – aproveitando apoios financeiros dos governos destinados a investimentos nestas tecnologias.

O Desenvolvimento do FTTH em Portugal e na Europa

Portugal é realmente um dos países mais avançados nas Redes FTTH (Redes de Nova Geração), e um Caso de Sucesso na Europa (e um caso de estudo mundial), tanto em termos de implantação da Rede FTTH, bem como nos serviços e conteúdos, tendo já implantado com sucesso cerca de 2 milhões de casas, o que representa cerca de 50 % do total das casas, iniciando em 2012 a construção de FTTH em áreas rurais. Além disso, é um dos pouco Países a ter 3 Operadoras com um investimento estratégico e importante em FTTH nos últimos 4 anos: Portugal Telecom, Vodafone e Optimus, também foi um caso único.

A tecnologia e Redes FTTH são bem conhecidas em Portugal, sendo a tecnologia de Banda Larga que mais cresce hoje (de acordo com o regulador Português – ANACOM), tendo um grande reconhecimento público devido ao grande investimento feito em publicidade e marketing pelas várias Operadoras, onde “Fibra” é um fator chave nos Mídias.

Portugal, bem como o resto da Europa, vai continuar a implantar Redes FTTH como a única infra-estrutura verdadeiramente à prova de futuro.

Apesar de ainda existirem Operadoras a investir em suas redes antigas (cobre e cabo), a verdade é que essas Redes estão desactualizadas (algumas obsoletas), e mal conseguem atender às especificações das Redes de Nova Geração (Banda de Larga) de hoje, e também, os ganhos de longo prazo de “Fibra” são significativamente maiores.

Relação entre a Europa e a América do Sul em termos de Redes FTTH

Os governos da América do Sul estão começando a perceber que as Redes de Fibra Ótica são a única infraestrutura à prova de futuro que permitirá o desenvolvimento das suas nações, contribuindo para o reforço do crescimento economico sustentado.

O desenvolvimento de Redes FTTH em vários países fora da América Latina – como na Europa, Ásia-Pacífico e América do Norte – onde esta tecnologia já está disponível e em estado avançado – está criando as condições para o surgimento de novos produtos e serviços que, através da globalização, chegarão rapidamente à América do Sul – onde estas redes estão ainda em estado muito embrionário, pois as redes metálicas abundam.

Estes produtos e serviços levarão as Operadoras e os Governos desses Países a responder às exigências do Cliente final, sendo forçados a adotar Redes FTTH muito em breve. Seria aliás uma oportunidade muito importante levar para o Brasil toda a experiência de Portugal na construção de Redes FTTH, acelerando o seu sucesso no Brasil.

E por último, apenas para afirmar a importância o potencial do mercado da América do Sul, é a recente decisão tomada pelo Conselho FTTH América do Norte de fundir o Capítulo LATAM e adotar o nome FTTH Council Américas. Esta decisão diz muito sobre o potencial futuro da América do Sul em termos do desenvolvimento das Redes FTTH.

Sobre o autor: Carlos Barroqueiro foi eleito Membro da Direcção do FTTH Council Europe em Abril de 2012. Desde 2008 tem tido um papel activo no FTTH Council Europe, dando suporte na organização da FTTH Council Conference 2010 – Presidindo ao Grupo de Organização de Lisboa. Foi também responsável pela Sessão: “A Indústria do Entretenimento na Era FTTH” – Munique 2012. Carlos Barroqueiro está igualmente envolvido no FTTH Council Global Alliance Group.