O futuro da TV Móvel


{mosimage}Pesquisas apontam que 187 milhões de pessoas estarão assistindo à TV Móvel em 2011. Ela é mais do que a TV convencional, como ressalta Jesper Rhode. Além da programação da TV convencional, a TV Móvel oferece serviços diferentes, vídeos, podcasts, interatividade e personalização.

Quero mostrar aqui uma visão de como a TV Móvel pode mudar o comportamento do consumidor. As coisas acontecem rapidamente neste mercado de mobilidade. Um dos aspectos mais importantes é a atitude dos consumidores em relação àquilo que querem assistir, quando e como assistir. O consumidor espera poder usar seu terminal para personalizar, controlar e interagir com conteúdos. Esse fato, em conjunto à disponibilidade de conteúdo digital apropriado e conexões fixas e móveis com alta capacidade de transmissão, está facilitando cada vez mais o processo de oferecer o conteúdo que o consumidor quer. Mas isso não acontece sem a influência de outros atores.

Uma geração inteira de consumidores está ativamente interagindo com sites como YouTube, MySpace, entre outros. Essas pessoas não querem só assistir, querem participar.  A TV está em fase de transição, afastando-se da transmissão unidirecional, em sentido único do produtor para o consumidor e aproximando-se da interação de mão-dupla, na qual as pessoas estão envolvidas em todos os níveis, resultando em algo que podemos chamar de TV 2.0.

A TV Móvel é muito mais que a televisão convencional, transmitida para uma tela pequena. Os usuários podem assisti-la em qualquer lugar e escolher o conteúdo, desde a programação linear da TV, até serviços, vídeos e podcasts sob demanda, por meio de guias que são simples de usar e com a troca rápida entre canais, a interatividade e a personalização.  E participam cada vez mais do conteúdo.

100 minutos por semana

De acordo com uma pesquisa da consultoria TelecomView, 17 milhões de pessoas assistiam à TV Móvel em 2006, um número que deve chegar a 187 milhões até 2011. A grande maioria das pessoas que assiste a TV Móvel está recebendo os sinais por meio das redes celulares existentes. Em um recente estudo realizado pelo Ericsson Consumer Lab, com 700 usuários móveis em seis países (França, Itália, Japão, Coréia, Reino Unido e EUA), os pesquisados disseram que assistem a uma média de 100 minutos de TV nos seus celulares, por semana. Cerca de 40% dessas pessoas disseram que assistem a TV Móvel todos os dias, durante o caminho ao trabalho, intervalos no expediente e outras oportunidades. O horário de pico é entre 18h e 22h, semelhante ao horário nobre da TV tradicional. É nesse horário que as emissoras transmitem seus programas mais atraentes, que abre uma oportunidade para a TV Móvel criar um nicho por meio da oferta de conteúdo interessante fora desses horários.  

Outro resultado foi a descoberta de que usuários de TV Móvel querem conteúdos diferentes em horários diferentes. As pessoas enquanto se locomovem para o trabalho querem conteúdos leves, que não são afetados pelas freqüentes interrupções. Os consumidores pedem mais funcionalidade que permite maior controle, inclusive a possibilidade de pausar, recomeçar, pular para frente ou para trás durante os programas. Isso é muito semelhante ao uso feito em tocadores de MP3. Da mesma maneira, algumas pessoas que viajam a negócios querem notícias mais importantes do mundo corporativo antes de chegarem ao trabalho.

Os resultados refletem os testes de serviços de TV Móvel no mundo real realizados desde 2005. Cerca de 40% das pessoas que baixaram o aplicativo para filmes utilizaram-no quatro vezes ao dia, em média. Além disso, as pessoas assistindo o conteúdo interativo passavam cerca de duas vezes mais tempo usando a TV Móvel comparado com as pessoas assistindo aos programas convencionais.

As soluções de TV Móvel e IPTV devem oferecer os mais altos padrões de escalabilidade e desempenho. As redes móveis já possuem comunicações em ambas às direções, e dessa maneira já se encontram prontas para serviços de TV Móvel. Além disso, essas redes já atendem mais de 2,5 bilhões de usuários no mundo inteiro.

As redes 3G oferecem bastante capacidade para a TV Móvel no mercado de massa, e o HSPA (High Speed Packet Access) e o LTE (Long Term Evolution) devem aumentar ainda mais essa capacidade. A tecnologia MBMS (Multimedia Broadcast Multicast Service) deve permitir compartilhamento de canais de tráfego para usuários 3G assistindo ao mesmo programa na mesma área. O MBMS complementa o HSPA, suportando cargas mais pesadas ao passo que oferece uso mais eficiente da rede.

Hoje, a TV Móvel é transmitida pela rede celular usando a tecnologia streaming unicast.  Isso quer dizer que pacotes de dados são enviados de uma única fonte (servidor de conteúdo) para um destino único (terminal móvel). Uma combinação de unicast e broadcast (transmissão de uma fonte para múltiplos recipientes) devem permitir melhor uso da capacidade e investimento das redes. Os programas mais populares podem ser transmitidos por broadcast, enquanto a unicast é o canal para programas adicionais e conteúdo sob demanda, o chamado “long-tail”.

O  compromisso da indústria com padrões globais e qualidade de serviço deve ser mantido para a TV interativa e personalizada, e deve ser considerada uma convergência integral fixo-móvel e banda larga completa, baseado em IMS e outros padrões abertos da comunidade internacional. O mercado para a TV Móvel existe, as tecnologias existem e a oportunidade existe – agora, é somente tomar as decisões técnicas e comerciais corretas.


Jesper Rhode é vice-presidente de Multimídia da Ericsson.

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