O futuro da banda larga, sem-fio?


{mosimage}Hoje, no mundo, existem mais de 200 milhões de usuários de banda larga, em todas as suas formas, e o ritmo de crescimento dessa base não dá mostras de arrefecimento. As projeções apontam para cerca de 700 milhões, em 2008.

Rodrigo Abreu*

Já existem, globalmente mais de 200 milhões de usuários de banda larga, em todas as suas formas, e o ritmo de crescimento apresentado não dá mostras de arrefecimento, com projeções de crescimento para cerca de 700 milhões em 2008. Do total de usuários hoje, estima-se que  dois terços ou mais possuam conexões através de redes fixas, a exemplo de DSL e cable-modems. Os demais acessos, ou cerca de um terço, são oferecidos pelas redes wireless, que já contam com diversos dispositivos capazes de acesso rápido a dados e proporcionam aos usuários os benefícios da mobilidade plena ou restrita

Com a evolução das diversas tecnologias de banda larga, a própria definição do conceito tem estado em constante mutação – velocidades que eram consideradas como muito altas há três ou quatro anos já se encontram sob questionamento quanto ao cabimento dessa classificação. Como exemplo, recentemente ocorreram disputas entre diversos provedores de acesso à Internet no Reino Unido quanto à utilização do termo broadband para acessos de velocidade inferior a 256kbps, mesmo em se tratando de conexões dedicadas, e não discadas.

Quando de sua adoção pelas operadoras fixas, a banda larga representou, em um primeiro momento, um importante elemento de defesa ou "blindagem" de seus usuários mais rentáveis, para, em um segundo instante, representar uma possibilidade interessante de receita incremental a partir de serviços de valor adicionado. No entanto, essa tranquilidade acabou quando do aumento de intensidade das ações competitivas advindas de operadoras menores, ou attackers, focadas em VoIP, e a banda larga passou a representar então, por outro lado, uma porta de entrada para eventuais competidores.

Um desenvolvimento mais recente é a evolução cada vez mais sólida das ofertas de banda larga sem-fio, que ensaiaram uma arrancada com 3G no início dos anos 2000, sofreram reveses com o fim da bolha de telecom, mas agora estão sendo retomadas com força total, através não só das soluções de 3G (1xEV-DO, HSDPA, HSUPA) mas também de tecnologias sem-fio "alternativas", como Wireless Mesh (baseada no padrão WiFi), Wi-Max e Wi-Bro, para não mencionar as ainda em fase experimental, como MIMO e UWB.

Como resultado do avanço dessas tecnologias, as tendências já começam a indicar que o crescimento global do número de usuários de banda larga deve ter um forte componente sem-fio. Se hoje os usuários com capacidade para downloads em alta velocidade via conexões sem-fio representam menos de 1/3 do total, estima-se que em 2008 eles representem mais de metade dos usuários globais, através da proliferação do número de redes e dispositivos de banda larga sem-fio, e do barateamento da tecnologia de maneira geral (infra-estrutura e dispositivos), devido ao crescimento de sua escala.

Alguns dados são indicativos dessas tendências. O número de redes comerciais utilizando tecnologia 3G (seja UMTS ou EV-DO) já passa de 70. O número de usuários cresce a velocidades impressionantes: por exemplo, são mais de oito milhões de usuários EV-DO na Coréia, e mais de dois milhões de novos usuários UMTS por mês a nível global. O número de terminais 3G disponíveis em seus diversos form-factors (telefone, PDA, placas de dados, dispositivos embutidos em computadores, etc.) já passa de uma centena, e é hoje significativamente maior do que o número de terminais EDGE no mercado.

As velocidades obtidas pelas tecnologias sem-fio também são impressionantes, com a possibilidade de taxas médias efetivas ao redor de 1Mbps nas tecnologias HSDPA, EV-DO e Wi-Max, e velocidades de pico em muitos casos superiores a 10Mbps, o que torna essas tecnologias aptas a servir de base para um futuro wireless triple-play, onde vídeo passa a ser uma aplicação de destaque e grande motivador de adoção de novos serviços.

Diante de tudo isso, pode-se imaginar a banda larga sem-fio como uma alternativa real de competição à banda larga fixa, em um fenômeno que poderia repetir, embora a comparação não seja necessariamente tão direta, o que aconteceu com o número de telefones móveis celulares suplantando o de telefones fixos tanto no Brasil como no mundo.

Mesmo considerando as margens de erro das pesquisas, é inegável a relevância das tendências, que espelham a ansiedade dos usuários em ter acesso à conectividade, informação, conteúdo e entretenimento em qualquer lugar e a qualquer hora, a partir de dispositivos sem-fio cada vez de maior capacidade.

Curiosamente, não parece muito distante a época em que um executivo tinha que sair de uma reunião apressado para seu escritório porque não podia perder uma ligação interurbana. E também não parece tão distante o momento em que será inimaginável a vida sem conectividade plena de banda larga como parte do nosso dia a dia em casa, no trabalho, no aprendizado e no lazer – preferencialmente sem fios a nos limitar.


*Rodrigo Abreu é presidente da Nortel do Brasil

Anterior Cristiane Crucelli na Questex
Próximos Telefónica: 2 milhões de linhas ADSL na AL