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*Marcos Wrobel é diretor de Vendas da RFS para América Latina e engenheiro eletrônico formado pela Universidade Federal do Paraná

Marcos Wrobel*

Inúmeras pesquisas e previsões têm sido divulgadas em todo o mundo, com objetivo de medir a dimensão do impacto da quinta geração de telefonia móvel sobre o setor das comunicações e a sociedade. E a verdade é que tantas são as implicações, os desdobramentos e as possibilidades que se abrirão com a 5G, que não é exagero dizer que ela vai provocar uma revolução econômica, social e cultural.

E o início dessa revolução está próximo. Neste momento, estão sendo realizados trials e testes em diversas redes no mundo, para auxiliar nas definições de padrões globais. Paralelamente, aprofundam-se as discussões sobre o espectro de frequências a serem utilizadas para que os desenvolvimentos de equipamentos se completem até 2020, quando está previsto o lançamento comercial – ou mesmo antes.

O crescimento exponencial de dispositivos ávidos para se conectarem e se comunicarem exigirão redes mais rápidas, com maior capacidade de dados e que sejam heterogêneas, que aceitem diversas tecnologias, diferentes arquiteturas, soluções de transmissão e estações base de acesso de rádio com potências de transmissão variadas. Esse cenário leva as empresas a também investir em pesquisa e desenvolvimento alinhados com os maiores players globais, a fim de disponibilizar produtos que atendam à demanda de infraestrutura necessária para a distribuição de RF no 5G.

Inevitavelmente, porém, o 4G e o 5G coexistirão. Portanto, a migração deverá ser complementar e gradual dos atuais 2G e 3G em operação pelo mundo. O 4G continuará evoluindo com o uso de mais espectro de frequências e novas soluções que também serão base para o 5G, como o maior uso de fibra óptica, antenas inteligentes multi entradas e multi bandas, C-RAN, etc. O 4G tende a ser a rede macro, enquanto a infraestrutura 5G buscará maior proximidade com o usuário e os dispositivos.

Na América Latina, diversos países estão trabalhando na regulamentação e desenvolvimento das redes 4G por meio dos leilões da banda em 700 MHz, por exemplo, o que já demonstra a preparação para o ambiente conectado do 5G. Entre os países com maior avanço e crescimento do 4G na região está o Brasil, que possui usuários com o maior tempo e demanda de conectividade. O país já superou a base de 52 milhões de acessos em 4G e é um dos primeiros com definição de implantação e uso do espectro de frequência em 700MHz (para se ter uma ideia, a Europa planeja o uso dessa frequência somente para 2020).

Por esses indicadores, é de se esperar que o 5G possa se tornar realidade no Brasil juntamente com os principais lançamentos mundiais. Mas para que isso aconteça é indispensável acompanhar o movimento mundial quanto às definições dos padrões a serem adotados pela indústria. E, ao mesmo tempo, adequar a regulamentação do setor e ajustar a tributação, de modo a estimular investimentos em linha com o desenvolvimento e a disponibilidade da tecnologia.