O cabo sumarino da Telebras até a Europa está encalhado


Em janeiro do ano passado, a direção da estatal  Telebras anunciava a constituição de uma nova subsidiária (uma empresa de propósito específico)  com a espanhola IslaLink Submarine Cables  , para a construção, lançamento e operação do cabo submarino que irá ligar o Brasil à Europa. Conforme o anúncio, o conselho de administração já tinha aprovado a operação, e a Telebras ficaria com 35% das ações, a espanhola com 45% e restante com fundos de investimentos brasileiros, para que o controle da empresa fosse nacional.

Doze meses depois, em novembro de 2014, mais um anúncio da Telebras, informando que, daquela vez, estava tudo aprovado, as cláusulas do acordo novamente aprovadas pelo conselho de administração. Naquele anúncio,  chegou-se até mesmo a tonar público os recursos necessários para a  empreitada – R$ 185 milhões- e prazo para a obra ser concluída: 20 meses.

Pois este mês, março de 2015,  diferentes representantes da Comissão Europeia fizeram romaria em Brasília–foram à Casa Civil, ao Ministério das Comunicações e à Telebras – com uma única pergunta: quando este cabo começará a sair do papel?

A Europa tem pressa e precisa deste cabo. Principalmente para o projeto do observatório astronômico que está sendo construído no Chile (que gerou polêmica com o Congresso brasileiro esta semana, pois o governo  brasileiro, que também participa do projeto, quer diminuir as sua contrapartida financeira). A Europa sabe que os Estados Unidos também têm uma base astronômica no Chile  e que construíram  uma ultra rápida rede de banda larga para receber as informações do espaço sideral direto em seus computadores norte-americanos.

A Europa, por sua vez,  sabe que para receber as informações dos fenômenos astronômicos que serão coletados por este mega aparelhos e dar as respostas no momento certo não pode esperar que as comunicações feitas com a América Latina tenham que passar  pelos Estados Unidos, como ocorre até hoje. É preciso uma ligação direta, e por isto este cabo submarino.  Projeto importante também para o Brasil, que pode diminuir seus custos de comunicação, além de também melhorar a qualidade dos sinais com o velho continente.

Para os europeus, contudo,  não há como entender porque até hoje o consórcio entre as duas empresas –privadas – não foi fechado. E admitem algumas fontes, não é só o lado brasileiro o responsável pela letargia do projeto. A IslaLink, empresa escolhida para fazer a parceria com a Telebras também tem lá os seus problemas. Esta empresa, que era espanhola, já mudou de dono pelo menos três vezes, e hoje é controlada por fundos de investimentos suecos.

E a Telebras não consegue avançar no fechamento do contrato. Geralmente, para se conseguir os investidores de  cabos submarinos as empresas que querem participar da empreitada vão atrás de clientes que darão garantias firmes de uso do cabo. Neste caso, como as duas empresas não conseguem firmar o contrato, nem a Comunidade Europeia, nem o governo brasileiro podem dar garantia de uso da capacidade.É o cachorro correndo atrás do rabo.

E aí o problema fica ainda mais grave. A Comissão Europeia, que usa recursos de fundos governamentais – já tinha reservado uma verba para a licitação pública que seria realizada para a empresa que iria contratar a capacidade desse cabo. Este dinheiro só estará disponível até junho deste ano, informam fontes. Depois disto, ele será realocado para outras prioridades.

Procurada, a assessoria da Telebras informou que este tema, por se tratar de um acordo entre duas empresas privadas,  não pode ser tratado com a imprensa, no momento.

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