O Brasil isola-se do continente americano e mantém faixa de UHF para radiodifusão


A Conferência de Radiocomunicação da União Internacional das Telecomunicações (UIT) encerrou-se na semana passada com poucos consensos sobre o tema mais importante do encontro, que se realiza a cada quatro anos: a busca de mais freqüências para receber as novas gerações da telefonia móvel, o IMT. Depois de um mês de negociações, a intenção inicial …

A Conferência de Radiocomunicação da União Internacional das Telecomunicações (UIT) encerrou-se na semana passada com poucos consensos sobre o tema mais importante do encontro, que se realiza a cada quatro anos: a busca de mais freqüências para receber as novas gerações da telefonia móvel, o IMT. Depois de um mês de negociações, a intenção inicial da entidade, que era limpar pelo menos 1 GHz no espectro mundial para acolher os novos serviços móveis, acabou se frustrando, e os países conseguiram, no máximo, pouco mais de 400 MHz para ser usado em escala mundial.

E, em um dos poucos consensos, o Brasil destoou do conjunto. Em todo o continente americano, com exceção de nosso país, foi escolhida a faixa que vai de 698 MHz a 806 MHz, ou seja, a faixa de UHF das emissoras de TV, para os novos sistemas móveis. Do Canadá à Argentina, todos os países americanos irão remover desse espectro as suas emissoras de radiodifusão, para dar espaço aos serviços de banda larga móvel. Menos o Brasil.

A delegação brasileira, escaldada com o poder de fogo dos radiodifusores nacionais, foi a única que defendeu intransigentemente a manutenção dessa banda para os serviços atuais. Como perdeu a causa, fez questão de inserir dois condicionamentos na decisão final: só aceita rediscutir essa questão, depois de encerrada a transição para a TV digital (pelo cronograma do governo, em 2015); e os países vizinhos que instalarem os serviços móveis nessas freqüências terão que coordená-las de tal forma, que não provoquem interferência nas emissoras da radiodifusão. Europa, Ásia e África também deram uma “garfada” em alguns pedaços das freqüências de UHF de suas regiões para permitir o ingresso da nova telefonia celular.

Segundo os fabricantes, a partir de 2011, deverão estar no mercado as novas gerações de equipamentos celulares. Aqui, no entanto, ficou explicitado que, nessa banda, os serviços de telefonia móvel só poderão ser prestados em caráter secundário (sem proteção à interferência das emissoras de TV), o que significa que não vão prosperar em solo nacional. Outra banda destinada ao IMT por todos os continentes, de 2,300/2,400 MHz, também não foi aceita pelo Brasil, que a ocupa para a comunicação entre os estúdios de TV e a reportagem externa. Mas, nesse caso, ele foi acompanhado pelos Estados Unidos, que têm, nesta faixa, nada menos do que os satélites militares da Otan. Enfim, pelo menos uma faixa escolhida pelo mundo também será destinada aqui para o IMT: a de 450 a 470 MHz, ocupada hoje no país para comunicação aeronáutica e trunking.

WiMAX

A falta de decisão sobre a freqüência do WiMAX (3,4 a 3,5 GHz), no entanto, causou surpresa a alguns observadores da reunião. Afinal, essa faixa está praticamente limpa em todo o continente americano e poderia também ter sido escolhida para o IMT, ainda mais que, no início da reunião, os países aceitaram incluir o WiMAX como uma das tecnologias IMT. Para alguns interlocutores, o governo brasileiro não soube conduzir a negociação, já que era uma das faixas preferidas pelo país para receber a nova geração móvel. Fontes da delegação afirmam, contudo, que, embora diversos países da Europa tenham indicado essa banda para o IMT (como França, Alemanha ou Itália), nas Américas, havia forte reação dos Estados Unidos, que não pôde ser contornada.

Mas os técnicos argumentam que se conseguiu um importante tento, já que a Conferência decidiu que essa faixa passará a ser ocupada, em caráter primário, pelos serviços móveis. Até agora, os serviços fixos é que tinham a preferência de ocupação. A decisão poderá ter reflexos na posição da Anatel, que, até agora, só aceitava o WiMAX fixo. Nesta disputa de 30 dias, houve uma vitória para o Brasil, que se aliou aos países africanos e asiáticos e conseguiu impedir que a faixa de 3.6 GHz a 4.2 GHZ também fosse destinada para o IMT. Esses governos estavam defendendo a banda C de seus satélites, só usada por países tropicais e de grande extensão. Apesar da pressão européia, a destinação dessa banda não foi mudada.

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