O audacioso mercado da telefonia pré-paga no Brasil


É notável o fato de que a maioria dos assinantes de telefonia móvel no mundo são usuários pré-pagos. De acordo com uma pesquisa da Ovum, este modelo de negócios representou 75% do mercado de telefonia móvel em 2010 e deve atingir 77% em 2015. Esse crescimento é motivado por preferências regionais, baixa renda em alguns países e ainda o desejo de controlar serviços específicos de dados e conteúdo. Alguns analistas começam a prever o crescimento da base de pré-pagos por conta de um modelo híbrido de cobrança onde o usuário escolhe a modalidade de pagamento para cada um dos diferentes serviços contratados.
 
No Brasil, este cenário também se repete – afinal, aproximadamente 81,5% da base de assinantes em 2010 eram de usuários pré-pagos. Para justificar esses números, basta pensar no perfil do assinante de telefonia pré-paga de alguns anos atrás e repetir isso com o usuário de hoje. Seguindo esta linha de raciocínio, podemos dizer que os usuários contavam com aparelhos celulares mais limitados tecnologicamente e, basicamente, com serviços de voz e texto. Era impossível que este usuário pudesse acessar dados em um smartphone.
 
E é exatamente isso que começa a mudar. Atualmente é possível encontrar iPhones, iPads e Blackberrys para planos pré-pagos específicos para acesso a dados, conteúdos, aplicativos para download, mensagem instantânea e outros serviços que antes eram restritos aos usuários pós-pagos. 
 
O nosso país, que especificamente já conta com uma base de celulares maior que a quantidade de habitantes, traz para as operadoras o desafio de aumentar a receita por meio de serviços mais sofisticados, visto que há uma limitação da base de assinantes.
 
A diversidade dos serviços pré-pagos e de aparelhos de última geração vem mudando e, para acompanhar este ritmo, evolui também o seu modelo de negócios e de cobranças. Um exemplo desta transformação é a cobrança híbrida de serviços, que começa a ser realidade no Brasil.
 
Do ponto de vista dos usuários de telefonia pós-paga, existe uma demanda por mais controle dos planos e flexibilidade, para que o usuário escolha o modo de pagamento para cada um dos serviços como também os benefícios: subsídio de aparelhos e tarifas diferenciadas.
 
Para usuários pré-pagos, a questão da fidelidade e da portabilidade preocupam as operadoras. Para enfrentar este desafio a médio prazo é preciso oferecer serviços diferenciados e atrair os clientes com modelos de aparelhos de telefone mais atrativos e exclusivos. Uma estratégia a longo prazo é o modelo híbrido de cobrança que permite que a operadora diversifique seus serviços e ofereça algo novo aos usuários que estão habituados a pagar um valor fixo de conta.
 
Entretanto, para que o modelo híbrido se torne realidade, é preciso quebrar o paradigma de que a base de usuários de telefonia pré-paga é “marginalizada”, com foco apenas em pessoas de baixa renda ou para quem têm dificuldades em comprovar residência. Essa mudança ocorre com a oferta de serviços sofisticados, novos modelos de negócios e precificação com agilidade. O time-to-market para o lançamento de um serviço também traz vantagens competitivas a uma operadora, se considerarmos que, em média, um lançamento de serviços leva alguns meses.
 
Uma plataforma de cobrança que suporta os dois cenários (pré e pós-pagos) permite a criação de um serviço único que atende os dois públicos e diminui o tempo de lançamento de um serviço no mercado, o que atesta também sua capacidade tecnológica. Esta solução “mágica” para o audacioso mercado brasileiro precisa ainda dar suporte ao rápido crescimento de serviços e à base de assinantes, enquanto mantém níveis rentáveis e alta performance. E, por último, mas não menos importante, o sistema deve considerar a convergência em vários níveis: rede, tarifação, cobrança, modelo de dados e modelos de clientes, apenas para mencionar alguns. 
 
Essa mudança, que vai impactar em novos modelos de negócios e de cobrança, certamente irá ampliar a percepção dos usuários sobre os serviços pré-pagos, tornando-se um método legítimo de pagamento para qualquer tipo de serviço. Em outras palavras, para cada serviço contratado, o usuário de telefonia poderá escolher entre débito ou crédito.
 
Maurício Falck é gerente de Desenvolvimento de Negócios da Amdocs para a América Latina e Caribe. 

Fontes: http://www.amdocs.com/News/Pages/amdocs-ovum-report.aspx 
             http://www.teleco.com.br/ncel.asp

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