Número de empresas com outorga de SCM deve dobrar até o ano que vem


Tele.Síntese Análise 395 Com a redução do preço da outorga de R$ 9 mil   para R$ 400, a expectativa de técnicos da Anatel, com base nas projeções das entidades de provedores regionais de internet e serviços de telecomunicações, é de que o número de empresas com outorga de SCM passe dos atuais 3.800 (dados …

Tele.Síntese Análise 395

Com a redução do preço da outorga de R$ 9 mil

 

para R$ 400, a expectativa de técnicos da Anatel, com base nas projeções das entidades de provedores regionais de internet e serviços de telecomunicações, é de que o número de empresas com outorga de SCM passe dos atuais 3.800 (dados de junho) para algo perto de 7 mil. Isso porque as entidades setoriais estimam que existam mais de 3 mil provedores que operam clandestinamente, sem outorga da Anatel, ou com outorga de terceiros. Com a formalização, o mercado de provedores regionais, que juntos representam a quinta operadora do país em número de clientes, ganha mais densidade.

 

A Furukawa, fabricante de cabo e fibra, já detectou esse movimento. O mercado de ISPs, que representa cerca de 10% da capacidade de sua fábrica, no mês de junho respondeu por 15% de suas demandas.

 

A queda do preço, na avaliação de dirigentes da Anatel e das entidades setoriais, vai estimular a legalização desses provedores, essencial para que possam ter acesso a linhas de financiamento e capital de giro e se cadastrarem no banco de dados da Entidade Supervisora de Ofertas no Atacado (Esoa) para ter acesso à infraestrutura das empresas com Poder de Mercado Significativo (PMS).

 

O movimento de formalização se intensificou a partir da redução do preço da outorga. O caso da Cariri Conect é exemplar desse novo cenário. Em função da barreira do preço e de outras dificuldades, João Coutinho da Silva, diretor do provedor que opera nas cidades cearenses de Cariri Açu, Grangeiro e Juazeiro do Norte, utilizava a outorga de um terceiro para atuar no mercado. Em maio, deu entrada na Anatel para obter sua própria licença. “Quero expandir meu negócio, com a oferta de combo. Além da banda larga, quero oferecer VoIP e vídeo”, contou ele. Para isso, pretende construir um cinturão de fibra em Juazeiro, conectando prédios e casas via cabo.

 

Outro atrativo para a formalização dos provedores que ainda não contam com a licença de SCM são as possibilidades de compartilhamento de infraestrutura trazidas pelo Plano Geral de Metas de Competição (PGMC). Basílio Rodrigues Perez, presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), considera que o PGMC traz uma série de oportunidades para os provedores regionais, ao abrir o acesso às redes das grandes operadoras com PMS. Por isso, durante o II Encontro de Provedores Regionais, realizado esta semana em Belo Horizonte, pela Bit Social, ele fez uma apresentação sobre o PGMC e suas oportunidades e conclamou os provedores a se cadastrarem no banco de dados da Esoa, que é a ABR Telecom. O prazo para cadastramento foi aberto na terça-feira, dia 2. No dia 12 de setembro, o sistema entra em operação com as ofertas das empresas com PMS.

 

Parcerias

A formalização também abre oportunidade de negócios com a Telebras. Embora só atenda a uma centena de mais de mil provedores regionais cadastrados na empresa à espera de uma conexão, a Telebras está acelerando a sua capilaridade, após ter concluído o fechamento de todos os seus anéis de backbone. “Estamos ativando de sete a dez provedores por mês”, informa Luiz Nelson Vergueiro, gerente comercial de PNBL da estatal.

 

Mesmo com a atuação ainda limitada no atendimento da demanda dos provedores, a entrada da Telebras no mercado provocou uma significativa queda dos preços no atacado. Segundo Vergueiro, o preço médio de 1 Mbps full passou de R$ 220, em dezembro de 2011, quando a Telebras começou a operar, para R$ 150, um ano depois. Neste mês de julho, o valor é de R$ 80; e a Telebras estima que chegará a R$ 48 em dezembro de 2014.

 

Outra iniciativa da Telebras para ampliar a capilaridade, essencial para que possa atender à demanda dos provedores regionais, está voltada ao atendimento do programa Cidades Digitais, do Ministério das Comunicações. Como a rede da Telebras não chega a todas as cidades contempladas no primeiro edital, a saída proposta pela operadora para atender às prefeituras é colocar um provedor regional parceiro como responsável pelo atendimento. O modelo foi adotado com sucesso em Conceição do Araguaia, no Pará.

 

Esse modelo, que estará previsto nos contratos das cidades contempladas no segundo edital de Cidades Digitais – serão selecionados perto de 200 municípios contra 80 do primeiro edital –, é específico para este programa.

Anterior Operadoras de celular enfrentam 15 CPIs simultâneas por todo o país
Próximos Celular nos distritos, em 2014, vai depender do preço da rede