Novo CEO da PT tem antigas ligações profissionais com o Brasil


Por conta da fusão das operadoras e, pela crise recente enfrentada pela Portugal Telecom, que “micou” com papeis da Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo para negócios não financeiros, a substituição de Zenal Bava na PT não foi uma decisão só dos portugueses. Os sócios brasileiros tiveram peso na escolha de Armando Almeida que, embora moçambicano de nascimento e filho de pais portugueses, construiu sua carreira profissional nos Estados Unidos, com estreitas relações com o Brasil e a América Latina.

Almeida, engenheiro, formado em Joanesburgo, na África do Sul, foi executivo da Compaq e da HP. A partir de 2007, como chairman da antiga Nokia Siemens, resultado da fusão das áreas de infraestrutura para telefonia móvel da Nokia e da Siemens, ele liderou as operações na América Latina quando conviveu de perto com executivos e sócios da Oi. Depois, ele comandou outras áreas da empresa, onde foi vice-presidente para Europa e África. Em 2011, liderou a divisão de serviços da empresa em Helsinque.

Desde que deixou a Nokia Siemens, que no ano passado se transformou em Nokia Networks, depois que a Nokia comprou a participação da Siemens, Almeida passou a atuar na área de software, também nos Estados Unidos. A partir de 2012, ele integrou a Vertix Consulting, Avanxo, VPO e Novimark. Segundo seus ex-colegas de Nokia Siemens, seus laços com o Brasil sempre foram muito fortes.

Novo sotaque

Se desde que Zeinal Bava , então presidente da Portugal Telecom, assumiu o comando da Oi em junho de 2013, o sotaque nos corredores da operadora brasileira passou a ser português de Portugal em muitos postos de comando, nos últimos dois meses o português do Brasil ganhou mais espaço aqui e na operação portuguesa. Antes se dizia que a PT dominava e que de brasileiro a Oi só tinha o nome. Agora, as coisas mudaram mais em decorrência da crise do que da fusão, de acordo com fontes do mercado. Embora Bava continue o principal executivo — ele deixou seu cargo na PT no início de agosto para se dedicar à Oi e ao processo de fusão entre as operadoras –, o domínio português perdeu parte do poder que parecia absoluto.

Tanto que vários brasileiros da Oi foram alçados a cargos de comando na PT. No mês passado, Marco Schroeder, Flavio Guimarães e Eduardo Michalski foram nomeados para cargos de administração na PT Portugal e determinadas controladas. Estes se reportam diretamente ao administrador financeiro da Oi, Bayard Gontijo. Todos sob o comando de Bava, a quem responde também o novo CEO da PT, Armando Almeida.

A crise da PT, com a compra de papeis da Rioforte pela tesouraria no valor de 847 milhões de euros, sem passar pelo Conselho da PT, pode vir a comprometer o futuro de Bava à frente da CorpCo. Apesar de ser considerado um executivo brilhante pelos sócios brasileiros — tanto os ligados ao BNDES e fundos de pensão como a empresas privadas –, sua credibilidade no mercado foi arranhada com o episódio, na avaliação de vários analistas, mesmo que oficialmente se declare que ele nada teve a ver com a operação. A recuperação do prestígio com que sempre foi reconhecido, avaliam fontes, está muito ligada aos resultados da fusão e ao desempenho futuro da Oi.

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