Nordeste puxa o protagonismo do jovem brasileiro na internet


Região registra maior percentual de jovens que acessam redes sociais várias vezes ao dia, que se preocupam com a privacidade de seus dados e que creem do potencial da rede para estimular novos negócios.

A Fundação Telefônica Vivo, a Escola do Futuro, da USP, e o Ibope divulgaram hoje (27), em São Paulo, os resultados da pesquisa Juventude Conectada. Realizada pela primeira vez, o estudo investiga o comportamento do jovem na era digital, indentificar as transformações e oportunidades geradas pela conexão.

Foram entrevistados 1.440 jovens, entre 16 e 24 anos, das cinco regiões do país, ao longo de junho e julho de 2013. A pesquisa foi dividida em quatro eixos: comportamento, educação, empreendedorismo e ativismo.

Comportamento
No eixo comportamental, a pesquisa revela o alto uso do celular, com 71% dos jovens usando o dispositivo para navegar. Para 42%, o dispositivo móvel é o principal meio de acesso. Para 33% é o computador de mesa, enquanto 22% preferem o notebook, e apenas 2%, o tablet. “O que estes dados mostram é que o celular democratiza o acesso à internet, principalmente no Norte, onde 90% dos jovens se conectam prioritariamente por este aparelho”, ressalta Gabriella Bighetti, presidente da Fundação Telefônica.

O que surpreendeu os pesquisadores, porém, foi o uso regional. Enquanto 58% dos jovens, em geral, acessam as redes sociais várias vezes ao dia, no Nordeste a prática é mais comum (66%), seguido do Norte (61%). Os jovens também consomem mais conteúdo do que produzem. Apenas 15% diz atualizar blogs ou páginas pessoais diariamente, e 12% participa de fóruns ao menos uma vez na semana.

Outra constatação diz respeito à privacidade e à segurança dos dados. 47% se preocupam com a privacidade e a segurança dos dados na internet. Os jovens do Nordeste são os mais preocupados (63%) com a privacidade online.

O uso da rede, porém, é limitado a poucas ações na maioria dos casos. Segundos 62% dos entrevistados, o acesso à internet é usado para visitar redes sociais, trocar mensagens instantâneas e e-mail. Desse grupo, 53% são meninas, da classe C, e 62% são de escolas públicas. “Política é um dos temas pesquisados por eles de menor interesse. Predominam música, vídeos e esporte”, diz Gabriella.

A parcela de jovens que também assistem a filmes e séries, visitam sites de notícias e realizam pesquisa de preços é de 33%, e desse total, 55% são meninos, da classe B, com ensino superior completo ou em andamento. Já, 5% fazem tudo o que é possível pela rede, como cursos, uso de serviços bancários, escrevem blogs, assistem a filmes, e realizam comprar. Entre estes “exploradoras avançados”, como define a pesquisa, predominam os meninos (64%), de até 19 anos, que estudam ou trabalham, e pertencem à classe A.

Educação
No quadrante Educação, a pesquisa mostra que 82% dos jovens dizem ter usado a internet em casa para fazer atividades propostas em aula. 75% usaram internet na escola mesmo, e 60% diz que a internet facilita a realização das atividades. No entanto, apenas 13% usam livros digitais diariamente, e 22% dizem já ter feito algum curso a distância online. 47% dos entrevistas disseram que aprendem mais com aulas presenciais do que a distância.

“Levando em conta o mercado editorial brasileiro, onde a penetração do e-book ainda não é expressiva, é relevante o número de jovens que têm costume de ler e-books”, reflete Gabriella. Os jovens também cobram conhecimento em TICs dos professores. 47% acreditam que o mestre deve saber usar as ferramentas tecnológicas.

Empreendedorismo
Para os jovens entrevistados, a internet tem o potencial de acelerar projetos, estimular a inovação e ajudar na carreira (52%). Para 51% é possível ganhar dinheiro com a internet, mas apenas 34% planejam usar a internet para desenvolver o próprio negócio.

A pesquisa apurou também o desejo de empreender entre os jovens. E descobriu que 32% acham provável que abram uma empresa nos próximos cinco anos. 17% acham “muito provável”. Se a escala temporal for de dez anos, o porcentual sobre para 33% e 31% respectivamente.

Novamente, a região Nordeste se destaca. “Eles são os que mais acreditam no potencial da internet no desenvolvimento de novos negócios. Invetimentos em polos digitais, como de Recife, podem ter influência sobre este comportamento”, avalia Gabriella.

Ativismo
Apesar das manifestações de junho do ano passado, a internet ainda gera receio quanto ao posicionamento político entre os jovens. A pesquisa mostra que 49% deles têm receios de expressar suas opiniões online. 45% acreditam que a internet facilita a prática de bullying.

Eles acreditam (52%) que a internet aumenta a participação das pessoas em manifestações e movimentos sociais. 23% acreditam que a participação apenas online tem poder, e 43% consideram que produzir e compartilhar conteúdos sobre causas sociais são formas eficazes de protesto. 57% dos jovens conectados foram às ruas em junho e julho de 2013. Nas capitais, o índice é de 61%. Estes resultados, porém, podem ter sofrido influência do período, uma vez que a pesquisa foi feita durante as manifestações de 2013.

Além disso, 62% diz já ter ido a alguma mobilização social, 41% assinou petições, 38% foram a manifestações ou passeatas, e 7% já tomou parte em crowdfunding. Entre a forma de ação mais comum está o repasse de convites para manifestações, feito por 51% dos entrevistados. 42% compartilhou conteúdos, e 25% postou fotos ou vídeos produzidos durantes as manifestações.

Todo esse engajamento, porém, foi intermediado principalmente por redes corporativas privadas. 89% dos jovens dizem ter usado o Facebook para seu ativismo. No Nordeste, 96%, no Norte, 95%, e 91% no Sudeste. 29% se engajaram por troca de e-mails, 27% pelo Twitter, e 17% a partir dos sites de notícias.

“Na opinião dos jovens, as novas tecnologias potencializam a atuação dos movimentos sociais, favorecendo a participação cidadã, apesar de recearem expor sua opinião e de terem pouca disposição para debater. O conflito não é visto como uma oportunidade de diálogo”, aponta Gabriella. A divulgação dos resultados abriram o RIA Festival, evento de cultura digital, gratuito, que acontece até amanhã na Casa das Caldeiras, em São Paulo. (Por ARede)

 

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