Nokia e Alcatel-Lucent negociam fusão


A Nokia e a Alcatel-Lucent estão em negociações avançadas em torno de uma combinação das operações. A notícia foi confirmada nesta terça-feira (14), em comunicado conjunto emitido pelas empresas. O negócio envolveria a troca pública de ações, ofertada pela Nokia. Segundo as empresas, ainda não há decisão a respeito da fusão, nem se a transação será levada a cabo.

A operação criaria a segunda maior fornecedora de tecnologia para operadoras do mundo, com faturamento de US$ 28,6 bilhões, atrás de Ericsson (US$ 29,9 bilhões), mas à frente de Huawei (US$ 27,1 bilhões), segundo números de março levantados pelo Gartner.

No segmento de infraestrutura de redes, a nova empresa teria receita de US$ 16,7 bilhões, maior que a Ericsson (US$ 14 bilhões), mas menor que a Huawei (US$ 17,3 bilhões). No fornecimento de infraestrutura móvel, a nova companhia teria faturamento de US$ 10,5 bilhões, ante US$ 13 bilhões da Ericsson e US$ 8,9 bilhões da Huawei.

A Nokia retomou o lucro anual em 2014, após se desfazer da divisão de dispositivos móveis, que vinha encolhendo desde 2008. O mesmo aconteceu com a Alcatel-Lucent, que declarou a superação do turnaround no final de 2014, com aumento do foco em software.

Para a empresa de análise de mercado Ovum, a fusão é um movimento lógico. “A Nokia fornece apenas equipamentos para redes móveis, enquanto a força da Alcatel-Lucent está na rede fixa”, resume Mark Newman, chefe de pesquisas da Ovum. Segundo ele, a AlcaLu também está bem focada em SDN e NFV, áreas em que a Nokia fica atrás.

O analista enxerga barreiras, no entanto, ao negócio. Uma fusão completa pode exigir um período longo de reestruturação, uma vez que haveria duplicidade de atuação nas áreas de banda larga móvel e small cells. “Manter dois portfólios distintos para os clientes minaria o benefício do ganho de escala”, observa.

Newman também vê problemas regulatórios, especialmente na França, onde ficam parte das operações da AlcaLu. “Veja que o governo Francês barrou parte do Sift Plan [plano de turnaround iniciado há três anos] do CEO da Alcatel-Lucent, Michel Combes”, diz. “Se a operação se concretizar como uma compra feita pela Nokia, em vez de fusão, o CEO Rajeev Suri, da Nokia, teria mais poder para racionalizar as operações em ambas as companhias”, ressalta Newman. Outra alternativa vista pelo analista é a compra apenas da divisão de redes móveis da Alcatel-Lucent. Segundo ele, isso ajudaria a Nokia a reduzir a diferença em vendas para a Ericsson e Huawei na área.

Outro desafio em caso de fusão seria migrar do mercado de hardware, ainda principal fonte de receita de ambas, para o de software. “A fusão daria escala, mas não criaria uma cultura de software para competir no futuro em que tudo será centrado em TI”, diz. Ainda assim, a fusão abriria portas para que a Nokia se tornasse uma fornecedora tier-1, capaz de entregar projetos maiores, fim-a-fim, atualmente quase que exclusivamente nas mãos de Ericsson e Huawei.

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