Plano de recuperação da Oi: R$ 4 bilhões de dinheiro novo, redução da dívida pela metade e diluição societária de até 75%


A dívida cairá para R$ 23,9 bilhões, menos de duas vezes o Ebitda, os investimentos vão para R$ 7 bilhões/ano e a dívida em títulos internacionais convertida em ações e nova dívida passará a representar até 73,7% do capital da companhia, podendo chegar a 75%. Os recursos novos serão de R$ 4 bilhões.

eurico-teles-oi-diretor-juridico-ceoNo plano de recuperação judicial da Oi apresentado ontem à noite, 12, à justiça, a dívida financeira cai de R$ 49,4 bilhões para R$ 23,9 bilhões, o que vai permitir a redução da alavancagem financeira e um fluxo de caixa adequado. Os recursos novos serão de R$ 4 bilhões. A dívida em título internacionais convertida em ações passará a representar até 73,7% do capital da empresa, podendo chegar a 75%.  E o investimento da companhia aumentará de R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões nos próximos três anos, como já estava previsto.

O plano será votado na Assembleia Geral de Credores, marcada para o dia 19 de dezembro, e segundo o presidente e diretor jurído da Oi, Eurico Teles, ele dá tratamento equilibrado a todas as partes e tem como prioridade o fortalecimento da companhia. Ele assegura que a solução proposta envolve composição com a maioria dos credores pequenos (através da mediação ratificada pelo Plano) e os grandes (pela conversão de créditos em ações).

Em relação à redução da dívida, Teles afirma que a passa a ficar com o balanço equacionado. Ao solucionar o desequilíbrio em sua estrutura de capital, estará em condições de acelerar os investimentos para voltar a crescer e desempenhar um papel ainda mais relevante no setor de telecomunicações”. Eurico Teles, presidente e diretor jurídico da Oi.

Segundo a empresa, os recursos adicionais para investimentos virão de capitalização de R$ 4 bilhões de recursos novos e outros R$ 2,5 bilhões de recursos adicionais previstos no plano que podem ser buscados no mercado de capitais. Teles lembra que, para a companhia, é fundamental elevar o patamar de investimentos, pois “o setor de telecom é intensivo em capital, com ciclos tecnológicos cada vez mais curtos”.

Com a redução da dívida financeira líquida para R$ 23,9 bilhões, ela passa a representar menos de duas vezes o valor do Ebitda. O restante dos créditos, diz a empresa, será equacionado com desconto ou alongamento de prazo na forma do plano e de acordo com a capacidade de geração de caixa da companhia. O prazo médio da dívida, por exemplo, ficará acima de 10 anos. Os demais créditos de R$ 24,6 bilhões listados na recupeação judicial são de passivos trabalhistas.

Conversão de dívida em ações

A dívida com títulos internacionais (bonds) de R$ 32,3 bilhões será convertida, após a homologação do Plano, em R$ 6,3 bilhões de nova dívida com títulos internacionais (bonds) e em ações (equity) que representarão até o máximo de 73,7% do capital da Oi, incluindo emissão de novas ações e transferência de ações da Oi detidas pela PTIF.

Este foi o ponto mais difícil da negociação e que provocou maiores embates entre credores e acionistas e levou à queda de dois presidentes e um diretor financeiros durante as negociações. Para se chegar a essa proposta, ainda motivo de reclação da parte de alguns bondholders, foi preciso intermediação por parte de representantes do governo.

Segundo o plano, este patamar somente será atingido se todos os credores destes bonds se apresentarem na assembleia e aderirem a esta opção. O plano prevê ainda que este percentual máximo pode chegar a 75% com exercício de um bônus de subscrição após um ano da homologação do Plano ou antes do aumento de capital, o que ocorrer primeiro.

“Após mais de 18 meses de negociações com os diversos credores, chegamos a um patamar de conversão de dívida em ações considerando um equilíbrio entre o valor econômico para os acionistas e a recuperação de crédito para o credores. Entendemos que é a equação possível e que viabiliza um plano de negócios sustentável para a companhia e a aprovação do Plano em assembleia de credores”, diz Teles.

O aumento de capital

O plano prevê que, após a conversão de dívidas em ações, descontos e alongamentos de prazos, haverá um aumento de capital de R$ 4 bilhões em recursos novos aberto a todos os acionistas (incluindo os credores que já converteram dívida em ações). Parcela relevante dos credores se comprometeu com a totalidade do aumento de capital, dando segurança ao plano.

Para assegurar esta subscrição está previsto pagamento da comissão (fees) no percentual de 8% em dinheiro ou 10% em ações, sendo que a escolha do percentual dependerá do valor de ação na data do aumento de capital. O pagamento da comissão ocorrerá apenas no ato do aumento de capital. Como todos os acionistas podem participar do aumento de capital, a composição acionária final não será alterada caso todos acompanhem a subscrição.

“O importante é que todos os interessados terão oportunidade de aportar recursos e, desta forma, definir que tipo de participação querem ter na empresa que resultará deste processo”, pontua o presidente da Oi.

Teles destaca o longo processo de negociação para se chegar a este Plano, diz que todas as partes foram ouvidas no processo — bondholders, bancos públicos e privados, instituições governamentais, agências de fomento do Brasil e do exterior, acionistas, grandes fornecedores — e que “procuramos elaborar um plano que não desagrade muito a poucos, mas sabemos que vai desagradar um pouco a todos”.

Fim dos litígios

Com a aprovação do plano, uma solução de mercado para a crise da Oi, destaca seu presidente, encerram-se os litígios internacionais. Aprovado na AGC, ele terá que ser homologado na Justiça e aprovado nas esferas regulatórias competentes: Anatesl, Cade e CVM. (Com Assessoria de Imprensa)

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6 Comments

  1. Wellington Menelli
    13 de dezembro de 2017

    Algozes dos acionistas minoritários da OI e do mercado de capitais do Brasil e da lei ( burla da lei de recuperação judicial que diz claramente que o plano deve ser proposto unicamente pela empresa):

    Um verdadeiro massacre aos acionistas minoritários foi executado com a ajuda dos conselheiros da ANATEL, favorecendo fundos abutres que compraram a dívida da empresa pela xepa de 10% do valor de face e permitindo que os mesmos roubassem os acionistas minoritários trocando essa dívida vil por 75% de participação na OI. A ANATEL e seus conselheiros primeiramente quebraram a empresa com multas BILIONÁRIAS injustas e extravagantes e ao permitir fusões e aquisições de dívidas de antigos controladores. Em seguida age em total desacordo com a decência ao não aceitar que essas multas façam parte da RJ em planos anteriores e aceitando após a engenhosa e maquiavélica proposta dos FUNDOS ABUTRES em desfavor dos acionistas minoritários e ao mercado de K com um todo no Brasil. A atual proposta de RJ é imoral, ilegal e não deverá prosperar, pois não partiu da empresa em conformidade legal onde quem deve aprovar o plano segundo a lei de recuperação judicial seria o seu CONSELHO de administração, sendo a forma proposta uma verdadeira aberração jurídica e uma tomada de poder indevida dos representantes dos acionistas, representando uma burla que jamais será esquecida no mercado de k do Brasil. ALGOZES dos pequenos acionistas e vendilhões do BRASIL:
    1) conselheiros da ANATEL e o Ministro Kassab que indicou o rato de barriga branca presidente dinossauro juarez quadros que se curvaram ao k estrangeiro e fundos abutres.
    2) traidor presidente da OI Eurico teles que se prestou a não representar dignamente os acionistas minoritários e demais acionistas da OI, fazendo um plano vil de achaque aos brasileiros que acreditam ainda a comprar ações e investir no mercado de k do Brasil.

  2. 13 de dezembro de 2017

    Perfeito

  3. Thiago
    13 de dezembro de 2017

    Wellington, infelizmente o plano é muito prejudicial aos acionistas, mas é isso ou a falência, pois os abutres jamais votariam a favor do plano na Assembléia se a diluição fosse pequena do jeito que o Tanure e os acionistas queriam. O Teles fez o melhor que dava para ser feito, considerando a situação da empresa.

    E sim, 75% de diluição é muita coisa, mas é pouco mais do que o Bayard Gontijo, lá no meio do ano passado, tinha oferecido a esses mesmos credores (ele ofereceu 70% na época) e foi prontamente recusado, dando início ao pedido de RJ. Além disso, você esqueceu de considerar que o “cut” da dívida que os credores toparam será em uma proporção maior do que o aumento de capital, de modo que, mesmo sofrendo duas diluições, o VPA das ações da Oi muito provavelmente terá uma alta.

    Eu lamento profundamente pelos acionistas que estavam comprados no papel nos últimos anos (especialmente que estava nas ONs), antes da RJ, pois esses sim levaram seguidos prejuízos (principalmente após o grupamento ocorrido 2014). Mas quem entrou no papel após a empresa entrar em RJ (ou abaixou o seu preço médio, quando os papéis da empresa estavam a preços baixíssimos) , dependendo de quanto pagou por eles, talvez até saia com algum lucro.

    E só para constar, eu também sou acionista da Oi.

  4. Sylvio Rocha
    13 de dezembro de 2017

    Quem deixou a empresa na situação q está não foram os fundos, mas seus acionistas e admiradores.

    • Wellington Menelli
      16 de dezembro de 2017

      Engano seu, quem deixou a empresa nessa situação foram :

      1) CVM que deixou os antigos controladores, inclusive BNDS, e com a benevolência do governo corrupto do pt permitindo que as dívidas das empresas controladoras fossem empurradas para dentro do balanço da OI e eles saíssem saqueando o caixa da empresa em operações societárias complexas e ruinosas para a empresa, dentro dessa operação em operações maiores que foi a fusão com a Brasil Telecom e depois com a Portugal Telecom, todas operações ruinosas cujo fim era de enriquecer os antigos controladores que já caíram fora e também esse dinheiro foi parar no caixa do BNDS que tinha financiado a aquisição da OI e gerado as dívidas das controladoras da OI na privatização.
      2) Anatel que fazendo valer leis anacrônicas e sem sentido multou a empresa em mais de 15 Bilhões, uma insanidade regulatória que jogará o mercado de TELECO no abismo, a permanecer esse poder nas mãos dos conselheiros atuais e políticos indicados por ministros de má índole como o Kassab que indica um museu dinossauro como o j. quadros. somente essas multas já seriam suficientes para quebrar a OI ou qualquer empresa, pois representa 2 anos de geração de caixa da empresa, uma coisa completamente maluca e sem sentido. Nem chinês nem fundos abutres colocarão dinheiro numa operação dessas se não mudar essa sanha regulatória atual ou essa visão tacanha.
      3) justiça do Brasil que algemou e prendeu o direito dos acionistas de propor o plano de RJ totalmente em desacordo com o que diz a lei.

  5. wellington menelli
    18 de dezembro de 2017

    Vejam o perfil do presidente da OI que conduz o plano de RJ da OI, arruinando as economias dos acionistas minoritários da empresa, quem tinha um indivíduo desses no quadro de diretor jurídico não precisa de inimigos, quebra qualquer empresa.

    Vejam matéria jornalística abaixo com o perfil do EURICO TELES:

    A juíza Ana Cristina Grossi, da 3ª Vara Criminal de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público do estado contra o diretor jurídico da Oi, Eurico Teles. Ele e mais quatro advogados foram denunciados por formação de quadrilha, estelionato, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro. Teles havia sido indiciado pela Polícia Federal havia cerca de um ano pelas mesmas razões.

    Segundo a denúncia, ele é acusado pelos promotores de ter participado de um esquema de estelionato que, segundo a PF, lesou mais de 30 mil pessoas no estado: todos autores em processos judiciais contra a Brasil Telecom e que foram herdados pela Oi após a fusão. O esquema consistia, segundo a denúncia, em subornar um escritório de advocacia que prestava serviço aos autores em troca do encerramento das ações judiciais. A Oi também terminava lesada porque, estranhamente, em alguns casos, o “acerto” com os advogados acabava saindo mais caro do que a própria ação