No mercado, um frenesi de aquisições.


31/03/2006 –  Em meados dos anos 90, antes que as privatizações das telecomunicações no Brasil reduzisse a clientela de duas dezenas de operadoras fixas e outro tanto de celulares, um alto executivo da Embratel costumava dizer, em conversas,  que a telefonia local era um monopólio natural. Horror dos horrores para os privatistas de plantão. Menos …

31/03/2006 –  Em meados dos anos 90, antes que as privatizações das telecomunicações no Brasil reduzisse a clientela de duas dezenas de operadoras fixas e outro tanto de celulares, um alto executivo da Embratel costumava dizer, em conversas,  que a telefonia local era um monopólio natural. Horror dos horrores para os privatistas de plantão. Menos de duas décadas depois, os executivos da indústria de telecom se queixam que há fornecedores demais para clientes de menos. Do lado das operadoras, um acirrado compra-compra, as fixas reabsorvem seus braços celulares e estendem cada vez mais as operações para além de suas fronteiras-sede. Resultado: o poder de barganha dos compradores aumenta, estreitando proporcionalmente as margens dos fornecedores.

No Brasil, pós euforia da antecipação das metas de univesalização e da implantação das redes GSM, os investimentos das operadoras se acomodaram, e a estrela da indústria continua sendo o terminal celular. Mas, sabe-se, isso não é suficiente para manter rentáveis e sustentáveis empresas que montaram pesadas estruturas com múltiplas linhas de produção, as quais, aliás, passaram a ser terceirizadas junto aos provedores de serviços de manufatura. Esse ano, embora esses prestadoress estejam produzindo em ritmo satisfatório, as linhas mais dinâmicas são as de bens de informática (impressoras e computadores), e a de celulares não deixa a desejar, em boa medida graças às exportações. Ao divulgar seus balanços de 2005, as operadoras não previam aumentos de capex significativos para 2006.

Do lado das fixas, devem persistir as compras de banda larga (acesso e core); produtos para VoIP passam a ser requisitados por operadoras e pelo segmento corporativo; as celulares realizam investimentos pontuais em expansão ou atualizações de caráter limitado como do CDMA 2000 para EV-DO. Para 2006, algumas estimativas apontam para investimentos totais das operadoras na casa dos R$ 12 bilhões a R$ 12,5 bilhões, abaixo dos R$ 13,5 bilhões do ano anterior, sendo que cerca de 30% se referem a gastos com terceirização de serviços, a maior parte dos quais (65%) relativos a manutenção e operação, os restantes com instalação, expansão e construção. Segundo executivos da indústria, esse ano, o capex das operadoras fixas será direcionado para serviços da planta interna e externa, expansão da planta SDH, centrais NGN para a conversão pulso-minuto, acessos DSL, backbones e acessos IP, sistemas de bilhetagem; as móveis podem adquirir NGN para o core da rede e estações radiobase. Segundo a primeira estimativa do ano feita pela Abinee, o setor de telecom espera um aumento de 26% no faturamento em 2006.

Não há exceções

O mercado local está inserido em um mercado global onde tanto operadoras como fabricantes estão em ritmo frenético de aquisições. No caso recentíssimo da Alcatel-Lucent (fusão estimada em US$ 36 bilhões), a possibilidade vem sendo aventada publicamente desde 2001 e pode ser que, dessa vez, o negócio se concretize. Contudo, o mercado especula que não seria o único mega-negócio, mas o primeiro com efeito dominó. Assim, já se fala que a Cisco poderia comprar a Motorola. Por que? Porque a Cisco precisa ocupar espaço no mundo sem fio, o que lhe seria proporcionado pela Motorola. E, para competir com a Alcatel-Lucent, a Cisco pode adquirir algum fabricante de equipamentos ópticos. Outras empresas em condições de ir às compras seriam a Ericsson e a Nokia, no curto prazo, e a Nortel mais adiante. No cardápio dessa última, estariam, entre outras, a Juniper, Ciena, Tellabs, Foundry Systems. Há consultores que incluem no foco de possíveis aquisições a Extreme Networks, 3Com, Redback Networks, Avaya e UTStarcom.

O panorama entre as operadoras é similar. No Brasil, as controladas TIM (TIM Celular, Maxitel, TIM Nordeste e TIM Sul) estão sendo agrupadas em uma única empresa; o mesmo com as operadoras Vivo. Nos EUA, 22 anos após o desmanche, MaBell está de volta: a SBC comprou a AT&T e assumiu o seu nome, está comprando a BellSouth e assumindo o controle da Cingular Wireless; a Verizon aquiriu a MCI; a Sprint se fundiu com a Nextel. Na Europa, a Telefónica comprou a britânica O2, além da Cesky Telecom; e, agora, está incorporando a Telefónica Móviles. Em Portugal, não está descartada a possível aquisição da Portugal Telecom. Isso tudo, em resumo, aponta para o ressurgimento das incumbents que, além de impor enormes descontos aos fornecedores, provêm uma miríade de serviços – além de voz, vídeo, acesso internet em alta velocidade e serviços sem fio.

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