No Brasil não há lugar para outra operadora móvel, diz GSMA


 

Negócio fotografia desenhado por Creativeart - Freepik.com
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Para o diretor regional da associação GSMA na América Latina, Sebastián Cabello, a possibilidade da entrada de uma nova operadora de telefonia móvel no Brasil no leilão da sobra de frequência da faixa de 700 MHz, levantada pelo presidente da Anatel, não faria sentido. Em sua opinião, a tendência do mercado, na maioria dos países da região, é de consolidação, pois a maioria das operadoras convivem com baixa de retorno do investimento.

Ele lembrou que, no caso brasileiro, são quatro operadoras nacionais, que já têm dificuldades de bancar os investimentos necessários para evoluir suas redes em função das taxas de retorno. “Uma nova operadora só se for de nicho”, observou.

Ao apresentar os dados do desempenho da celulares na região, durante o MWC, que se realiza em Barcelona, observou que a dinâmica do desenvolvimento digital segue impulsionando a uma maior consolidação em função da competição com as OTTs, com as MVNOs e da convergência; das exigências regulatórias e da perda de receita; do aumento dos custos decorrentes do preço dos leilões de espectro, os investimentos necessários em tecnologia e do aumento exponencial do tráfego de dados; e do poder dos fornecedores, em decorrência de concentração das empresas.

Impostos

Além desse movimento, destacou que o peso dos impostos pressiona a redução do consumo, aumenta a exclusão social e ajuda a reduzir a margem das operadoras. Segundo o levantamento realizado pela GSMA, as operadoras da região, embora contribuem com 5% do PIB regional, pagaram 25% de suas receitas em impostos. 11 dos 20 países impõem impostos específicos sobre os consumidores, 14 dos 20 países aplicam impostos sobre os aparelhos, para 40% da base da pirâmide não existem pacotes móveis exequíveis, em média uma pacote de 1 GB não é acessível na América Latina, enquanto na Europa e Estados Unidos um pacote semelhante é acessível a todas as faixas de renda.

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2 Comments

  1. Indignado
    27 de Fevereiro de 2018

    É o mi-mi-mi de sempre: lucro baixo, impostos altos, etc., etc. A verdade é outra: altos lucros, tarifas extorsivas, as mais altas do mundo, mão de obra barata, serviço de péssima qualidade e obsoleto, atendimento incompetente, debochado, obrigações contratuais descumpridas, e.g., universalização de serviços.
    Porque não vão operar em países onde a lei e o cidadão são respeitados, por exemplo, os países da Escandinávia e depois vamos ouvir o seu mi-mi-mi, tá?

    • Hans Reiser
      28 de Fevereiro de 2018

      Telefónica, Telecom Itália e America Movil, todas operam em outros países, e as duas primeiras, principalmente, em países desenvolvidos da Europa.

      Nessa questão as operadoras não estão mentindo, porque a situação delas é a mesma de todas outras empresas, de todos setores: impostos altíssimos, população perdendo poder de compra (o que obriga a reduzir custos e, consequentemente, a margem de lucro), etc.

      Mas as operadoras no Brasil estão colhendo o que plantaram: tentaram cobrir todo um país de dimensões continentais e com regiões muito diferentes, e quebraram a cara com altos custos, dificuldades e baixos retornos.

      O certo seria ter operadoras cobrindo no máximo áreas menores, cada uma, como estados ou regiões geográficas, tendo dentro dessas áreas umas 4 operadoras. Redes grandes não funcionam e são um modelo de negócios fadado ao fracasso!