Nextel quer cobrir 80% do Brasil com 3G até 2013


A Nextel quer marcar sua entrada no mercado de telefonia móvel no Brasil com uma estratégia diferente das outras operadoras com o lançamento de seus serviços 3G, o que deve ocorrer no segundo semestre de 2012. A empresa planeja ter uma cobertura de mais 80% do país até 2013, mantendo seu foco em serviços de nicho, e não de massa, como diferencial em relação a concorrentes maiores.

  “Se formos para o 3G como todas as outras operadoras, vamos dançar”, afirmou o presidente da companhia no Brasil, Sergio Chaia, em encontro com jornalistas em São Paulo, nesta quinta-feira (18). Segundo o executivo, a Nextel é a empresa de telecomunicações que mais cresce no Brasil – sua receita saltou 50% no primeiro trimestre de 2011 ante mesmo período do ano passado –, e aposta na estratégia de vendas para grupos de usuários vinda da tradição de seu Serviço Móvel Especializado (SME), limitado às rádio-chamadas, voltadas ao cliente corporativo.

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Com a compra de 11 licenças 3G no país por R$ 1,3 bilhão no processo de licitação da banda H da Anatel em dezembro do ano passado, a companhia conquistou a autorização para atuar no mercado de Serviço Móvel Pessoal (SMP), para pessoas físicas. A Nextel foi alvo de críticas pelas concorrentes recentemente, que a acusam de criar grupos artificiais para poder vender seus serviços a pessoas físicas que não tenham vínculos profissionais entre si.

Foco no mercado mais rentável

Embora tenha permissão para atuar na telefonia celular de forma ampla com suas operações 3G, Chaia enfatizou que o foco da Nextel continuará sendo esse mercado de nicho de alta rentabilidade (a receita média da operadora por cliente, ou ARPU, é hoje de US$ 70 (R$ 112), enquanto a rotatividade de clientes, ou churn, é de apenas 1,59%), mas ele não descartou entrar inclusive no mercado de pré-pagos, afirmando que está estudando todas as alternativas. “Você pode oferecer um pré-pago de R$ 3, mas não tem a ver com o modelo de negócios da Nextel”, disse. O novo vice-presidente de novos negócios e assuntos corporativos da companhia, Alfredo Ferrari, reforça a aposta da Nextel em pós-pago: “Não precisa entrar no básico porque as classes C e D têm renda melhor hoje, querem um pós-pago”.

Outro diferencial da rede 3G da Nextel será a possibilidade de conversar com o IDEN, tecnologia de seus aparelhos de rádio. Para isso, a operadora usa uma tecnologia de desenvolvimento próprio, o HPTT, à qual os aparelhos devem ser adaptados. Chaia afirmou que já fechou contratos com fabricantes, mas não detalha quais.

Para os serviços de rádio, a Nextel tem um contrato de exclusividade com a Motorola Mobility até 2014, que deve ser estendido para aparelhos 3G com tecnologia HPTT. A recente compra da fabricante pela gigante de internet Google não preocupa o executivo. “A divisão de IDEN é uma das mais lucrativas da Motorola Mobility”, disse. Atualmente, a Nextel também mantém parcerias com a Huawei e Nokia Siemens.

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