Nextel demite e reduz gastos para compensar queda nas receitas


Nextel Brasil vai readequar rede com desligamento do rádio (iDEN), previsto para acontecer até o final deste mês. Intenção é adaptar 250 torres que ficarão vazias, instalando sistemas 3G. Prejuízo da controladora passou dos R$ 140 milhões do trimestre. Caixa é suficiente para sustentar operações até final de 2019.

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A NII Holdings, controladora da Nextel Brasil, anunciou hoje (8) seus resultados financeiros. A tele registrou perda de receitas e OIBDA (resultado operacional antes de depreciações e amortizações) negativo. Para compensar, a companhia manterá a política de redução de custos.

No primeiro trimestre deste ano, a contenção de gastos resultou na demissão de ao menos 75 funcionários e no corte de despesas com marketing e vendas. A norma passou a ser eficiência. Para chamar a atenção, a companhia preferiu o Youtube para disseminar suas campanhas, e reduziu o investimento em outras mídias.

A diminuição dos gastos de marketing foi de 19%, e dos administrativos, 33%. Este só não foi maior porque houve impacto do programa de desligamento da rede iDEN, inicialmente previsto para acontecer em março, depois adiado para o final de maio, como antecipado pelo Tele.Síntese. A empresa ainda tem 230 mil acessos na tecnologia.

Somando demissões e renegociação do aluguel de 150 torres iDEN, a reestruturação na empresa custou cerca de R$ 46 milhões no trimestre. As despesas da empresa somaram R$ 599 milhões, enquanto a receita operacional foi de R$ 587 milhões. Com isso, o OIBDA ficou negativo em R$ 12 milhões.

Segundo Roberto Rittes, CEO da Nextel, o desligamento vai deixar centenas de torres livres, cujos contratos de aluguel ainda levarão anos para vencer. A intenção é adaptá-las, instalando ali antenas 3G e 4G. Para começar, 250 torres serão convertidas em sites 3G, preservando a área de cobertura em telefonia móvel da companhia.

Além disso, os usuários estão sendo incentivados a migrar para os planos 3G. Mas é esperado um aumento do churn no segundo trimestre em função da saída da base de assinantes de pacotes que mesclavam iDEN e 3G. A operadora teve adição líquida de 93 mil usuários 3G/4G no período, encerrando com 3 milhões de acessos do tipo.

Dados financeiros

A NII Holdings terminou março com US$ 187 milhões em caixa. O endividamento total da holding caiu de US$ 647,7 milhões para US$ 639,62 milhões. O dinheiro é suficiente para sustentar as operações até o final de 2019, afirmou Dan Freiman, CFO do grupo durante a conferência de resultados na manhã desta terça-feira.

As receitas com acessos 3G/4G foram de R$ 549 milhões, ante R$ 620 milhões um ano atrás. Já o faturamento com iDEN, como esperado, despencou de R$ 169 milhões para R$ 38 milhões em 12 meses.

Síntese dos resultados da Nextel Brasil no 1º tri de 2018
Receita operacional: R$ 587 milhões (↓26% ano a ano)
OIBDA: R$ -12 milhões (ante R$ 39 milhões no 1T2018)
Capex: R$ 27,3 milhões (↓12% a.a.)
Prejuízo operacional: R$ -3,6 milhões
Prejuízo (grupo NII): R$ -142 milhões (↓53%)
Churn: 2,4%
ARPU total: R$ 59 (↓17% )

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