A Nextel tem caixa para operar por mais um ano, e por isso seus executivos buscam uma forma de reforçar as reservas. Uma das possibilidades, a venda de espectro, ainda não é vista como definitiva por depender de múltiplos fatores. O principal, a publicação pela Anatel de novo regulamento que aumente o limite de frequências que uma operadora pode ter, ainda precisa ser aprovado.

Roberto Rittes, presidente da Nextel, ressalta que nenhuma decisão foi ou pode ser tomada a ainda a esse respeito. “A gente tem um compromisso de tornar o business viável standalone no longo prazo. Temos que continuar nesse caminho. Claro que tenho compromisso com acionistas e estaremos monitorando as consequências de mudanças regulatórias. Mas mesmo que se tenha ambição de vender um negócio lá na frente, o foco deve ser na viabilidade econômica”, diz.

Segundo ele, ainda há um bom caminho a ser percorrido para haver qualquer mudança. A Anatel deverá analisar as contribuições recebidas em consulta pública. Depois, estabelecer um texto e levar para a discussão no conselho diretor.

A Nextel é dona de 20 MHz de espectro em 1,9 e 2,1 GHz em todo o país. Frequências estas que poderiam ser usadas por redes 3G e 4G. Em São Paulo, a empresa tem 30 MHz no 1,8 GHz, e 20 MHz da faixa no Rio de Janeiro, partes do Nordeste, Norte, Espírito Santo e Minas Gerais. Também tem a banda 27, que era usada com tecnologia iDEN e não funciona em celulares convencionais disponíveis no mercado.

Para o executivo, a possibilidade de operadoras negociarem o espectro chamou a atenção. “A agência foi muito transparente quanto a sua intenção de facilitar a consolidação do mercado em três grandes operadoras”.

Alternativas

Como não há prazos para mudanças no spectrum cap, Rittes diz que o foco recai totalmente em viabilizar a Nextel no curto prazo. Por isso a empresa anunciou a estratégia de buscar o consumidor da classe C no Sudeste e vem cortando custos.

Ele também diz que espera uma solução para liberação de valores da venda da Nextel Mexico, que estão como garantia. Dos cerca de US$ 300 milhões em caixa, a empresa tem US$ 110 milhões represados em “escrow”. “Tínhamos uma expectativa de recuperar boa parcela disso no curto prazo. Mas no resultado do primeiro trimestre indicamos que estávamos mais pessimistas sobre o timing”, diz.

Ele descarta, no entanto, a venda de 30% da empresa. A fatia deveria ter sido comprada pela ICE Group no final do ano passado. Mas a empresa europeia desistiu após rever sua estratégia e decidir focar no mercado escandinavo. Se tivesse comprado, ficaria com 60% da Nextel. Em vez disso, vendeu os 30% que possuía para o próprio controlador, Access Group, que criou uma nova empresa para administrar as operações fora da Escandinávia.

“A NII está satisfeita com a participação que tem hoje. Esse processo de venda teve seu papel, mas agora estamos trabalhando para de fato concluir a anuência da Anatel para que NII e Access participem do conselho de administração da Nextel”, afirma.