JORGEBRAGA_COO_NEXTEL_Vale_EstaA Nextel ativou em 31 de dezembro sua rede 4G na cidade de São Paulo. A frequência utilizada é a de 1,8 GHz, arrematada no último leilão realizado pela Anatel, em dezembro de 2015. De saída, a cobertura alcança 4 milhões de pessoas, com perspectiva de dobrar até o final do ano.

São 239 estações radiobase em funcionamento, espalhadas pela capital, segundo dados da Anatel. A fornecedora responsável pela implantação é a chinesa Huawei. Jorge Braga, COO da Nextel, não revela o valor do investimento, mas conta que dois terços das instalações são outdoor.

“A rede já atende a mais de 80% do interesse de tráfego, nasceu com com quase 400 mil usuários ativos e já fazendo offload do 3G”, ressalta. A tecnologia usada é a LTE com uso de MIMO 4×4 (múltiplas antenas para transmissão simultânea do sinal), que permite velocidades teóricas de download de até 225 mbps, e de upload de até 70 Mbps, com latências abaixo dos 30 milissegundos.

Todos os clientes da empresa que usem plano celular e com smartphone compatível já podem acessar o 4G da operadora. “Nosso foco é o público com maior poder aquisitivo, que exige qualidade no serviço e excelente experiência de uso. Com inteligência artificial calibro o uso, garantindo a experiência desejada, em vez de criar ofertas baseadas em números da capacidade rede”, resume.

A sintonia fina será maior ao longo do ano, com base em big data coletado dos usuários. A Nextel também inaugurou, no final de dezembro, um data lake e contratou um cientista de dados para comandar um novo departamento, dedicado ao big data, responsável pela análise de dados estruturados e não estruturados. Essa área vai orientar a criação de novos produtos. “Não vemos ainda oportunidade na oferta de serviços de big data”, diz Braga.

A Nextel tem 3,8 milhões de clientes em todo o Brasil. Pouco mais da metade são 3G/4G. A empresa concentra infraestrutura própria nas regiões metropolitanas de Rio de Janeiro e São Paulo, e atende o restante do país através de compartilhamento de infraestrutura (RAN Sharing) com a Telefônica Vivo – que segundo Braga gera apenas 6% do tráfego.

O produto mais recente lançado pela operadora foi o Happy, que dispensa contato com seres humanos para ativação e escolha do pacote de serviços pelo usuário. Lançado há um mês, o Happy conquistou até hoje 5 mil clientes. Já seu mais tradicional serviço, o iDEN, vem perdendo espaço para o 3G e o 4G. A empresa estuda fazer o refarm da frequência para o 4G, mas ainda não tem previsão. “A base de clientes do iDEN é grande e o serviço não tem aplicação alternativa e equivalente, com a mesma qualidade e tipos de uso, no mercado”, explica Braga.

NOC_Nextel

O centro de operações da Nextel, em São Paulo, já de olho no movimento das redes 4G locais