Netflix tenta barrar fusão entre Comcast e Time Warner Cable nos EUA


A Netflix, empresa over-the-top (OTT) que oferece conteúdo em vídeo por streaming, protocolou ontem (25) um pedido para que a Federal Communications Commission (FCC), dos Estados Unidos, negue o pedido de fusão entre a Comcast e a Time Warner Cable. As empresas de provimento de acesso à internet banda larga passam por processo de união, que depende da aprovação do órgão e do Departamento de Justiça. A companhia resultante teria mais de 30% do mercado, o que contraria a legislação do país.

A Comcast propôs vender parte de sua carteira de clientes para concorrentes, a fim de levar a cabo o processo de compra da Time Warner Cable (TWC). A medida, porém, não agrada à Netflix, que já precisou fazer contratos de interconexão entre seus datacenters e as redes das provedoras para acelerar a entrega de seu conteúdoDe acordo com a OTT, as provedoras de acesso deliberadamente interferem no tráfego de internet, prejudicando a concorrência e o consumidor.

Segundo o documento, “a maior indicação de que a Comcast pretende prejudicar as OTTs vem de ações recentes, recusando o acesso de usuários ao conteúdo do aplicativo Netflix até que a Netflix pagasse [pela interconexão]”. Outro argumento contra a fusão diz respeito à oferta própria de TV paga por estes provedores, que usariam o controle que têm da rede para depreciar a entrega de conteúdo concorrente. “As assinaturas de TV são a principal fonte de receita da Comcast e da TWC”, alerta.

A Netflix conclui o documento de 99 páginas dizendo que as empresas não apresentaram aos órgãos, ou ao público, condições que previnam abusos contra empresas provedoras de conteúdo pela internet. “O dano ao interesse público não é compensado por nenhum ganho de interesse público nesta transação”, termina.

Neutralidade de rede
O pedido vem em linha com as defesas recentes, feitas por representantes da Netflix, de que acordos de interconexão direta entre as redes de provedores de conteúdo e dos provedores de acesso, fere o princípio da neutralidade de rede. Atualmente, os Estados Unidos não possuem um mecanismo que defina e proteja a neutralidade, após medidas judiciais que retiraram da FCC a capacidade de arbitrar sobre este assunto.

Por isso mesmo, a FCC busca uma nova definição para a neutralidade. Na primeira metade do ano, colocou em consulta pública um documento para estabelecer o que provedores podem ou não fazer quando se trata de priorização de tráfego. A proposta abre margem para interpretações de que seria, sim, possível a oferta de priorização de tráfego, desde que o acesso dos demais usuários não seja prejudicado.

 

Anterior MiniCom publica simplificação das regras para reforçar sinal de TV
Próximos Justiça dos EUA deve aprovar compra da DirectTV pela AT&T, diz jornal