Netflix no celular: conteúdo por assinatura.


Um novo modelo de negócios poderá abrir um espaço de  mercado para as operadoras de telecomunicações  que não conseguiram conquistar com lojas próprias. Trata-se da venda de conteúdo para usuários de smartphones por uma assinatura a preços populares. Para acessar algumas das apps mais apreciadas pelos usuários no mundo, o dono brasileiro de um smartphone  paga R$ 4,99 por mês, ou R$ 1,99 por semana.

A fórmula não é original. Foi desenvolvida com sucesso no Japão há alguns anos e é usada por operadoras como NTT DoCoMo e KDDI. Se lá, um país rico, a venda de aplicativos por assinatura deu certo, por que não seria bem sucedida aqui onde a maior parte dos usuários tem planos pré-pagos, não possui cartão de crédito para comprar um aplicativo no modelo pay-per-use e está habituada a carregar o celular com crédito regularmente, com quantias módicas?

Foi este raciocínio que levou a Bemobi, uma empresa de conteúdo para celular criada por um grupo de empreendedores no Rio de Janeiro, a estudar o modelo, criar ferramentas para a proteção das apps disponibilizadas na base de dados, e montar um sistema para ser oferecido às operadoras presentes no Brasil. “O mais difícil em todo o processo foi a negociação do conteúdo, mostrar ao desenvolvedor que vale a pena ele estar em outras bases de dados fora das lojas de apps dominantes, como a da Apple e a do Google”, conta Pedro Ripper, presidente e sócio da empresa.

Com 250 apps já disponíveis na base de dados – o objetivo é chegar a 400 apps, escolhidas entre as mais acessadas no mundo –, a Bemobi já tem a Oi como cliente e negocia com as demais operadoras que estão no mercado brasileiro. Na avaliação de Ripper, partilhando a mesma base de dados, as operadoras ganham escala e reduzem custos. “Podem chegar a um modelo de negócios bem-sucedido que não conquistaram com lojas próprias, devido à extrema supremacia das lojas da Apple e do Google”, comenta ele, para quem a exclusividade não é importante neste negócio. “Importante é oferecer apps cobiçadas, de jogos a esportes, de ensino de línguas a gestão financeira. Nosso desafio foi convencer este desenvolvedor. E estamos conseguindo”, assegura ele, que aposta em anunciar brevemente novos contratos.

Um bom modelo

Se a estratégia der certo, a Bemobi terá encontrado um caminho para agregar valor às operadoras de celular e, assim, achar um espaço no mercado como gestor de conteúdo, responsável por remunerar o desenvolvedor da app, fazer a gestão do negócio, o billing para a operadora, e ganhar uma taxa de intermediação. O objetivo não é modesto: consolidando-se no mercado brasileiro, a ideia é partir para outros mercados, especialmente de países em desenvolvimento, onde o usuário enfrenta uma equação semelhante. Desejo de experimentar novas apps e recursos limitados para acessá-las.

Segundo Pedro Ripper, o negócio de comercialização de conteúdo e apps pelo celular tem dois modelos de negócios clássicos. A oferta totalmente gratuita de conteúdo e a oferta no modelo per-pay-view, ou seja, pagar pelo uso. Ele está apostando numa terceira via, muito bem sucedida na indústria de vídeo com o Netflix. O modelo de adquirir o conteúdo por assinatura, a preços módicos, condizentes com a renda a maior parte dos usuários brasileiros de smartphones no modelo pré-pago.

Em sua avaliação, este modelo se tornou viável no último ano, a partir da popularização do smartphone nas classes C e D. Hoje, a base de smartphones já representa 76% dos novos aparelhos vendidos no país (dados da Abinee relativos às vendas nos primeiros cinco meses deste ano). Só que, embora os brasileiros sejam o segundo povo que mais busca apps no Google, só busca apps gratuitas. Para enfrentar a barreira da renda, a Bemobi montou um modelo de assinatura barata, a exemplo do que os usuários de pré-pago gastam na recarga. “Creio que montamos um modelo adequado à possibilidade de consumo desse usuário de smartphone”, avalia Ripper.

Os números iniciais da Oi, a primeira usuária do modelo, confirmam a tese, segundo ele. Para não entregar o ouro ao inimigo, ao concorrente, ele não revela os dados. Mas diz que os resultados da experiência são animadores.

Start ups bem sucedidas

A Bemobi é uma spin off da M4U, assim como a Mobicare, focada em aplicativos na área da saúde. A M4U nasceu no ano 2000 para desenvolver aplicativos para celular na área de pagamentos. Deu resultados. Tanto que há quatro anos, em 2010, a empresa ganhou a Cielo como sócia majoritária (51%).

Dela, resultaram duas empresas de conteúdo hoje dirigidas por Pedro Ripper, colega de colégio e universidade de Clésio Guaranys e Pedro Bueno Mello. Os três cursaram Ciências da Computação na PUC/RJ. Clésio e Pedro fundaram a M4U. Pedro Ripper ficou no Conselho, enquanto atuava no mercado. Passou por consultorias internacionais, e foi executivo na Promon, na sua incursão na área da internet, na Cisco e na Oi. Hoje dirige, as duas spinf ofs da M4U na área de conteúdo. Clésio continua à frente da M4U. E Pedro Bueno Mello está no Conselho.

 

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