Neger Telecom cria rastreador via satélite de baixo custo


Pequeno e conectado via satélite, o Metrosat é a aposta da Neger Telecom para oferecer serviços de rastreamento para máquinas e implementos agrícolas, além de outros tipos de veículos, em áreas sem cobertura celular.

O Tele.Síntese está publicando semanalmente duas reportagens sobre as tendências e inovações em telecomunicações. O conteúdo completo está no Anuário Tele.Síntese de Inovação 2017, que além de apontar os rumos do setor, elegeu os serviços mais inovadores do último ano. A seguir, veja como a Neger Telecom criou uma ferramenta para localizar veículos em locais sem cobertura celular.

Rastreamento para áreas remotas

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Por Roberta Prescott

A última década foi de transformação para a Neger Telecom, que, em 2017, completa 30 anos. Com apoio recebido da Finep e do CNPq, a empresa apostou em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e desenvolveu, de 2007 a 2013, uma série de projetos ligados à massificação da banda larga rural e ao bloqueio de sinais de radiofrequência. Desde então, a Neger Telecom tomou gosto por P&D e já colheu os frutos. Atualmente, 80% do atual faturamento vem da receita proveniente de produtos e serviços desenvolvidos nos últimos cinco anos.

“Com base nesses projetos, conseguimos criar a cultura de ter um conjunto de pessoas na empresa pensando em desenvolvimento de produtos novos”, relata Eduardo Neger, sócio-presidente da empresa que faturou, em 2016, R$ 16,3 milhões, acima dos R$ 12,1 milhões de 2015 e bastante superior aos R$ 5,9 milhões de 2014. Uma parte, conta o empreendedor, é inovação incremental, ou seja, para melhorar o que já existe, mas há outra que provoca a disrupção. É esse último tipo que leva à criação de inovações como o serviço de rastreamento para máquinas e implementos agrícolas Metrosat.

A ideia surgiu de um diagnóstico que a empresa fez da área rural. A agricultura de precisão e outras técnicas avançadas de cultivo demandam cada vez mais máquinas e implementos agrícolas que requerem elevado padrão tecnológico. Com tecnologia de comunicação 100% satelital, o equipamento de rastreamento foi desenvolvido para atuar em áreas rurais e regiões remotas, sendo capaz de operar em todo o território nacional, inclusive onde não há cobertura celular.

Mais que GPS

Os rastreadores comuns receberem o sinal do GPS, mas são incapazes de transmitir as informações pela inexistência de sinal das operadoras celulares. O módulo rastreador da Neger é diferente. Também não requer uso de energia elétrica externa, possibilitando o uso em contêineres e implementos agrícolas que não possuem energia. A operação com consumo otimizado de energia possibilita que suas baterias internas de lítio tenham autonomia de até dois anos.

O Metrosat foi lançado comercialmente na feira internacional de tecnologia agrícola Agrishow, em maio de 2017. A previsão da empresa é ter 500 clientes ativos até o fim deste ano. “Quando olhamos a área rural, percebemos que existe uma quantidade enorme de dispositivos, nos quais os sistemas de rastreamento não funcionam, porque são baseados na tecnologia celular. Ao mesmo tempo, identificamos uma demanda dos proprietários rurais para monitorar as máquinas agrícolas, devido a furto e roubo destes tipos de equipamentos. E eles não tinham solução tecnológica”, explica Neger.

Nesse cenário, ainda que muitos produtores rurais tenham seguro das máquinas, o maior problema está no tempo que demora para acionar a seguradora, receber a indenização e comprar nova máquina. “Pode tardar três, quatro meses, um perí- odo que eles podem ter significativos prejuízos na produção, podendo ser até maior que o preço da máquina em si”, destaca. Além disso, Neger identificou a necessidade de as propriedades fazerem o controle das máquinas durante o trabalho, que, em muitas culturas, pode ser durante o dia e a noite.

Custo e tamanho

Um dos maiores desafios para o desenvolvimento da solução foi superar o elevado preço da comunicação por satélite. Para isso, a empresa apostou no desenvolvimento do software embarcado de modo a minimizar as transmissões via satélite para reduzir custos de serviços. “Também colocamos acelerômetro para que a transmissão seja feita somente quando há movimentação. Não precisa ficar transmitindo se não está se movendo”, diz. Dentro do modelo de negócio, a Neger Telecom compra capacidade satelital. O Metrosat é vendido como serviço para o cliente.

Outra preocupação foi com o tamanho do dispositivo. “Trabalhamos para que o rádio fosse pequeno e de fácil instalação para permitir operar sem energia elétrica”, relata Neger. O desenvolvimento levou em torno de um ano e meio. “O Metrosat foi um spin-off de projetos de aplicações de internet rural. Era um item dentro do monitoramento rural. Olhamos o mercado, conversamos com clientes e vimos que não existia um produto com estas características”.

Neger conta que, desde que lançou o serviço, as demandas vêm de diferentes regiões, como de uma associação de extrativistas vegetais do interior do Amazonas que usa o Metrosat para melhorar a comunicação. “Do porto de Carauari até o limite do município são dois dias de barco. A associação tem barco que presta serviços de apoio aos associados, mas enfrentava problema de comunicação, porque ficava sem comunicação no período entre o barco deixar o porto e retornar. Instalamos o Metrosat na embarcação e, da sede da entidade no município, eles agora conseguem saber, em tempo real, onde o barco está”, relata.

Com relação aos competidores, a empresa reconhece que existem outras plataformas de rastreamento baseadas integralmente em satélite, principalmente para monitoramento de caminhões ou embarcações marítimas, mas aponta que tais ofertas têm o custo bastante elevado, chegando a dez vezes o valor que é cobrado pelo Metrosat.

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