Napster vê oportunidade no zero-rating na América Latina e ameaças ao SVA no Brasil


napsterO aplicativo musical Napster aposta suas fichas na oferta zero-rating em parceria com operadoras na América Latina para ganhar mercado. O app assinou contrato com a TIGO, da Colômbia, e prevê expandir para o Peru em 2017, a partir de acordo com a Movistar – empresa do grupo Telefónica. No Brasil, o serviço de streaming é vendido pela Vivo, mas sem zero-rating.

Segundo Alexandre Couto, diretor de Telcos e Parcerias América Latina, a empresa não sugere às operadoras o uso da estratégia do zero-rating de dados na comercialização do serviço, mas ressalta que haverá benefícios se for feita tal opção.

“A partir do momento que uma operadora decide isentar o usuário, se coloca um passo à frente e fideliza este usuário. Entendo isso como operação ganha-ganha. O usuário ganha por ter isenção do tráfego. A operadora abre mão da receita com dados, mas tem um usuário que vai usar outros serviços, reduzindo o churn e atraindo clientes dos concorrentes. Para o Napster, obviamente, a vantagem é clara, capilarizando o produto”, diz o executivo.

Preocupação com os SVAs
A empresa se diz preocupada com o mercado de serviços de valor agregado no Brasil. Enxerga um ataque de órgãos de defesa do consumidor e do Estado a serviços transparentes, legais e sustentáveis. Para prevenir esses ataques, se juntou ao capítulo Latam do comitê de ética do Mobile Ecosystem Forum (MEF) em outubro.

O comitê tem influência sobre a regulamentação do mercado de SVA no mundo. “A principal importância da nossa participação no Comitê de Ética é tentar salvar o mercado de SVA no Brasil, que atualmente sofre fortes ataques do Ministério Público, Procon e Anatel. É preciso mostrar para estes órgãos que existem empresas sérias e há possibilidade de crescimento sustentável do ecossistema de produtos móveis”, comenta Couto.

Segundo ele, é crescente a quantidade de processos contra operadoras e SVAs em todo o país. “Estes órgãos colocam no mesmo grupo empresas que atuam de forma não transparente e aquelas que têm políticas transparentes, com gratuidade mensal, por exemplo. Queremos, no Comitê, mostrar que existem boas práticas que podem ser tomadas”, afirma. O Napster é usado atualmente por 3,4 milhões de pessoas no mundo. A empresa não abre os dados regionais.

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1 Comment

  1. Gabriel
    30 de novembro de 2016

    De fato, acho a proibição do zero-rating uma intervenção exagerada da Anatel nas políticas comerciais das empresas. Uma coisa é garantir a neutralidade entre os serviços (que, inclusive, podem ser todos da Internet) aos quais o assinante tem acesso em seu plano contratado, já outra coisa muito diferente é ter um plano em que estão explícitas as limitações e o cliente contrata mesmo assim.

    Cada vez que a Anatel proíbe um modelo comercial, ela está diminuindo a variedade de serviços e o espaço para inovação e competição entre as empresas do setor. Isso é válido também para limites de tráfego (franquias) e outras questões.