“Não é papel da Ancine intervir em pacotes de programação”, diz Rangel


O presidente da Ancine defende a necessidade de ampliação do serviço para maiores parcelas da população, mas ao contrário do presidente da Anatel, não acha que a agência reguladora deve fazer o papel dos empacotadores.

Se o presidente da Anatel, João Rezende, defende a necessidade de indução do Estado, para que os programadores e operadores de TV paga criem  pacotes de canais mais baratos para atender à população  de menor poder aquisitivo, o presidente da Ancine, Manoel Rangel, acha que este não deve ser o papel de sua agência reguladora.

Rangel, que defende também a necessidade de o serviço de TV paga chegar a maiores parcelas da população, entende que forma de  empacotamento dos programas é tema que pertence às empresas. “Esta é uma decisão das empacotadoras, e não cabe à Ancine dizer como a empresa vai fazer crescer a sua base, ou como vai disputar o assinante”, afirmou.

Para Ariel Dascal, diretor da Oi TV, o mercado busca alternativas para chegar aos outros 20 milhões de residências brasileiras. Ele lembrou que a TV paga  brasileira passou mais de cinco anos com uma base de 5 milhões de assinantes e, somente com o novo empacotamento dos canais básicos, é que se conseguiu romper esta barreira. ” Estamos buscando alternativas, mas o o custo da programação é 50% do serviço e precisamos buscar uma conta certa que atenda todo mundo”, disse.

Números

Conforme pesquisa apresentada  durante a ABTA 2015, a TV é a primeira opção de lazer do brasileiro: 81% veem programas de TV e 69% assistem a filmes ou séries em casa. A pesquisa apurou ainda que 47% dos brasileiros preferem navegar na internet e 41% e escolhem ir a bares e restaurantes como forma de lazer.

Conforme a agência,  o preço do serviço ainda é o principal obstáculo para a expansão do serviço: 66% alegaram que não têm TV por assinatura porque o preço é ainda muito alto.

Segundo Rangel, o mercado de TV paga alcançou R$ 19,5 bilhões em 2012. O valor adicionado deste segmento cresceu naquele ano 13% contra o crescimento de 1% do PIB.”O valor adicionado do setor audiovisual sobre o total da economia brasileira é de 0,52%. Ele é maior do que o mercado de fármacos ou de informática e eletrônica”, completou.

 

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