Operadoras cobram regulação dos OTTs


Telefónica, Vodafone e Deutsche Telekom reclamam de condições desiguais de competição, classificam Facebook como empresa de telecomunicações, e dizem que diferenças legais afetam investimento futuro em infraestrutura.

A décima edição do Mobile World Congress, feira sobre telefonia móvel que acontece em Barcelona, na Espanha, até quinta-feira (5), começou com as operadoras reclamando da diferença com que seus negócios são tratados quando comparados aos das empresas over the top (OTTs), como Google e Facebook.

César Alierta, presidente do Grupo Telefónica, abriu o evento cobrando mudanças nos marcos regulatórios em todo o mundo. “Defendemos uma revisão das políticas e da regulação, para que considerem a cadeia de valor da internet em sua totalidade, e que garanta a não discriminação, com regras do jogo iguais para todos”, afirmou.

Alierta destacou que as operadoras estão sujeitas às agências, embora sejam as principais responsáveis pela chegada da internet a cada vez mais pessoas. Situação da qual os OTTs se beneficiam, sem contrapartida. “As operadoras estão implementando redes de ultra banda larga graças a investimentos enormes. Estas conexões permitem que todos estejam online e gerem oportunidades gigantescas”, argumentou.

Vittorio Colao, CEO do grupo Vodafone, foi mais sucinto, mas também reclamou. “Deve haver um tratamento igual para todos que atuam no setor”, frisou. O motivo para isso é o aumento da importância dos OTTs no tráfego. Apontou dados que mostram evolução da importância das OTTs, com o Android e iOS controlando 96% dos smartphones, 92% das pessoas usando o Google rotineiramente, e o Facebook e WhatsApp com mais de 1 bilhão de usuários. Enquanto as operadoras geram 65% do EBIT no mercado de telecomunicações mundial.

Tim Hoettges, CEO Deutsche Telekom, bateu na mesma tecla. Em uma exposição mais abrangente, elencou as principais mudanças que precisam ocorrer nas leis que regem o setor para a indústria não encolher face a ameaça das OTTs.

“Poderíamos investir mais se a regulação de preços [na Europa], que hoje tem mais de 50 anos, fosse diferente. Precisamos de novas regras para políticas de espectro. Precisamos de proteção de dados. Precisamos de uma legislação que inclua as OTTs. A regulação deve ser para telcos, OTTs e provedores. Não podemos tratar estes serviços com tanta diferença. O Facebook é uma empresa de telecomunicações? Definitivamente, mas não está sujeitas às mesas regulamentações”, disse.

Segundo ele, as teles têm o interesse de convergir e operar também, cada vez mais como OTTs, enquanto estes atuam cada vez mais como operadores. “Existe uma colisão dos modelos de negócio. Tudo está convergindo. Se estamos tentando competir com serviços que são gratuitos, teremos dificuldades. Temos que discutir regulações que incentivem o investimento. Precisamos modernizar a regulamentação da infraestrutura”, destacou.

*O jornalista viajou a convite da Alcatel-Lucent

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